Lençois Maranhenses com crianças

Emocionante! Se tivesse que descrever os Lençois Maranhenses em uma só palavra, seria essa. Eu olhava e só via Deus! E pra ilustrar o início desse post, uma foto que não retrata um milésimo do que é esse pôr do sol ao vivo! Mas, veja pelo lado bom, também não tá voando areia fina no seu rosto! rs   Lembro-me como se fosse hoje que, aos 16 anos, eu e uma amiga de escola fizemos uma listinha com 15 lugares no mundo que queríamos conhecer! Lençois Maranhenses estavam na minha lista! Levei 20 anos pra realizar esse desejo, mas como tudo acontece na hora certa, pude desfrutar de 5 dias maravilhosos com minha família e alguns (muitos) amigos nesse paraíso nacional que todo mundo deveria conhecer!

Pra quem não se localizou ainda, os Lençóis Maranhenses ficam no Maranhão e, como disse o Ricardo Freire, é o ecossistema mais original do Brasil! E é deslumbrante! A região “nada mais” é do que dunas de areia branca e fina e lagos de água doce formadas pelas chuvas. Não há árvore, não há mato, não há nada! Só areia, água e céu azul! E isso vai te deixar absolutamente boquiaberto!

Existe uma época certa pra ir a Lençóis. De janeiro a abril é o período de chuva, quando as lagoas começam a se formar. Maio e Junho já tem lagoa, mas o tempo ainda está instável! De julho a setembro, os turistas fazem a festa com as lagoas cheias e o tempo firme! Outubro a dezembro, começa a secar, mas ainda tem água! Nós fomos na primeira quinzena de outubro e pegamos desse jeitinho aí que você está vendo nas fotos. Achei perfeito! Para chegar a Lençóis, você precisa pegar um avião até São Luiz, capital do Estado, e seguir de carro por 4 horas até Barreirinhas, a cidade aonde fizemos nossa base!  A estrada é uma reta e não tem lugar pra parar, exceto um restaurante no meio do caminho, cujo nome esqueci. rs Escolhemos Barreirinhas como nossa base porque era lá que a família da nossa amiga maranhense, Isabela, tinha casa! Passamos 4 dias lá e nos hospedamos na casa da Bela, em um condomínio que margeava o Rio Preguiças e, no segundo dia, passamos horas assando carne e tomando banho de rio com as crianças. Foi simplesmente delicioso!  Pausinha pra explicar que a cidade de Barreirinhas é bem simples, não tem nenhum glamour ou restaurantes badalados, mas come-se bem e os preços são relativamente baixos se comparado aos pontos turísticos brasileiros. E os sucos são simplesmente divinos!

Mas, vamos a um roteirinho objetivo do que fizemos por lá: 1ª dia – Chegamos a São Luiz e fizemos um tour de carro bem rapidinho. A chegada ao centro histórico, pela Ponte São Francisco é linda, com o casario antigo e aqueles telhadinhos tão característicos da arquitetura colonial e me lembrou muito Lisboa. Paramos um pouco para apreciar a vista da cidade e ver o Palácio dos Leões, que data de 1612 (omg!) e hoje é o edifício sede do Governo do Estado.  A parte colonial de São Luis tem muitas casas lindas com a fachada azulejada. A conservação não está maravilhosa, mas está ok! E, sinceramente, não tira o brilho do lugar!

Imagem: www.sectur.ma.gov.br

2º dia – Passamos rapidinho (não vou comentar sobre o conceito de rapidinho num grupo de quase 30 pessoas, sendo 8 crianças…) num mercado pra nos abastecer de comidinhas e guloseimas e seguimos para Barreirinhas! Levamos 4 horas para chegar, nos dirigimos direto para um restaurante, pois as jardineiras iam nos pegar às 13:30 para irmos direto conhecer os Lençóis.  Preciso comentar que, quando soube que o passeio duraria apenas um “pedaço” da tarde senti uma certa frustração. Mas minha amiga maranhense me garantiu que o passeio era cansativo e que isso seria suficiente!

Quando a jardineira nos apanhou, começou a aventura. Primeiro, precisamos atravessar o Rio Preguiças de balsa para seguir em direção aos Lençois. Depois, foram cerca de 40 minutos num sacolejo ora divertido, ora desesperador, com galhos batendo nos braços (e às vezes rosto) de quem estava sentado nas laterais! Como quem tá na chuva, tem que se molhar, fizemos tudo virar festa! Mas era a ida, lembre-se! Estávamos naquela animação pra chegar lá! rs A volta foi mais cansativa, no escuro, e mais tensa também! O motorista falava que não podia diminuir a velocidade porque poderia atolar, já que passamos realmente no meio de areia fofa o tempo todo! Foi bem cansativo! Mas valeu muito a pena! Quando chegamos aos lençois, começamos a subir as dunas e de repente, aquela paisagem deslumbrante e maravilhosa inundou nossa visão! Era realmente emocionante! As crianças corriam pelas dunas em direção a lagoa vazia, que o guia que nos acompanhava havia dito que seria mais sossegada para nós. E daí, foram umas duas horas naquele paraiso. Foi pouco, mas suficiente para aquele dia, pois realmente era cansativo. Não sei ao certo que horas era quando o guia começou a fazer sinal para que saíssemos da lagoa e subíssemos as dunas para ver o por do sol! O vento era constante e muito. A areia era muito muito fina e entrava em todos os lugares que você pode imaginar! Na manhã seguinte ainda havia areia nos tecidos dos biquines, no couro cabelo e até no olho! rs Mas foi o por pôr sol mais lindo que já vi!

 

 

No segundo dia, foi o dia de se refastelar na beira do Rio Preguiças e de comer churrasco e caju!

No terceiro dia, fizemos um passeio delicioso de barco cujo trajeto era Vassouras – Caburé – Mandacaru.

O chamariz de Vassouras seriam os macaquinhos que ficam soltos e você, teoricamente, poderia alimentá-los. Acontece que os bichos são pequenos larápios e pulam em cima das pessoas, pegam as comidas das bolsas e isso faz mais gente fugir deles do que querer alimentá-los! rs Depois de acalmar minha caçula que viu, assustada, o macaco pular na cabeça de uma senhora pra roubar uma barra de chocolate, seguimos para o “fundo” da ilha, onde havia pequenas lagoas como as que vimos nos Lençóis. Lá do alto, além da paisagem deslumbrante das dunas, lagoas e do Rio,  é possível ver também inúmeros aerogeradores que produzem energia eólica! É impressionante e bem bonito! Nos refrescamos nas águas das lagoas, as criança aproveitaram para rolar nas dunas como haviam feito no dia anterior nos Lençóis (na foto abaixo vocês conseguem ver a nuvem de areia que fica constantemente voando com o vento) e voltamos para o barco, que nos levou até Caburé.

Caburé  um vilarejo de pescadores lindo e bem simples, onde andamos de quadriciclo 4×4 com as crianças pela faixa larga de areia, vimos aonde o rio encontrava o mar e depois almoçamos um peixinho com camarão. Foi um passeio delicioso.  Não tenho fotos além dessa aí de baixo, clicada de dentro do restaurante, simplesmente porque ou nadávamos e dirigíamos o 4×4 ou fotografávamos! Optei por nadar e dirigir! rs Faria esse passeio de Caburé muitas vezes! Foi um dia muito gostoso!

Por fim, seguimos até Mandacaru, uma vila de pescadores onde há um Farol da Marinha, aberto a visitação, que te permite uma vista bem legal da região! A vila é bem simples, mas tem barraquinhas de artesanato e sorvetes pra refrescar!

Na volta, o vento no rosto, o sol mais baixo e o balanço do barco foram a gota d´água para as crianças apagarem depois de um dia super cansativo!

 

No quarto e último dia, fizemos um passeio bem divertido, mas acho que esse seria o único passeio que fizemos que eu não repetiria de fato! Fomos até um distrito chamado Cardosa, uns 40 min de Barreirinhas e descemos o Rio Formigas numa bóia! Não posso negar que demos muita risada, foi divertidíssimo e nossa guia, Terezinha, era um amor! Mas, não havia qualquer estrutura. A gente tem que entrar no Rio com a bóia e segurar uma corda e só quando todos estão segurando aquela bendita corda, o guia nos manda soltar e ele vai nadando mais que o Phelps pra nos tirar do meio dos arbustos, nos segurar quando estamos indo rápido demais e nos salvar de qualquer outro problema que possa aparecer! Gente, não posso negar que me diverti muitíssimo, mas também fiquei nervosa em alguns momentos! rs Pra quem é mais metódico com segurança como eu, é roots por demais! rs Ah, e você tem que ir deitado na bóia, não pode ir com a perna pra baixo porque tem muitos troncos que podem machucar se a correnteza te jogar contra eles!  Mas, o passeio é divertido pra dedéu, no final você pode ficar tomando banho de rio na prainha e, se der sorte de comprar assim que sair do Rio, vai comer a macaxeira mais fininha e crocante de toda a sua vida! Mas compra assim que colocar o pé pra fora do rio, porque acaba rápido! 

 

No quinto e último dia, tomamos café e pegamos a estrada de volta a São Luiz, na certeza de que nós quatro aqui de casa voltaremos qualquer dia desses pra tomar suco de caju e mergulhar nos Lençóis novamente!

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Marina Guanaes

Marina Guanaes, carioca, casada, mãe da Beatriz #aos8 e da Cecilia #aos5. Se deixou mudar pela maternidade e virou designer de interiores, sua vocação desde sempre. Adora escrever, ainda mais sobre o morar, faz diários desde 1990, mas não guarda nenhum... Começou a escrever em blogs em 2007 e acredita que eles tem um potencial incrível de aproximar pessoas! Gosta de casa cheia, mesa farta e mate gelado. Ama muito viajar, mas ama mais ainda voltar pra casa! Não tem site, mas tem instagram: @marinaguanaesinteriores

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