Palavra-chave no Dia Nacional da Alfabetização

O Dia Nacional da Alfabetização é comemorado anualmente em 14 de Novembro.  A data, criada em 1996, pretende conscientizar a população sobre a importância da implantação de melhores condições de ensino e aprendizagem no país. A alfabetização não se baseia unicamente no ato de aprender a ler e a escrever, mas também no desenvolvimento da capacidade de compreensão, interpretação e produção de conhecimento.

Temos um longo caminho pela frente. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro,

  • embora 80% da população brasileira reconhece a importância social da leitura
  • quase 50% das pessoas declaram não ler livros pois apresentam graves dificuldades de compreensão

Muita gente diz que as mudanças devem ter início na escola, mas não dá para jogar toda esta responsabilidade no professor.

Os pais, os tios, os avós, os irmãos/primos alfabetizados podem ser medidores de leitura para crianças pequenas e assim mudar esta realidade.

Contar histórias faz parte da nossa realidade como humanos desde sempre. E ler pode fazer toda diferença na vida de um ser humano. TODA diferença.  

Podemos começar contando histórias e, a partir deste contato humano, da relação que se cria com este momento, desejar ir além, pensar, inventar, escrever a própria história. 

Mas, claro, pode começar na sala de aula, ué!

Vejam este caso:

Uma experiência de sala de aula, relatada por uma educadora da cidade paulista de Jundiaí intrigou a poeta e artista plástica Selma Maria. A educadora passara uma lição de casa para os alunos em que pedia para que eles completassem um jogo de forca a partir da figura de duas galinhas que viam desenhadas no canto da folha sulfite. No dia seguinte, o aluno mais esforçado da classe foi o único que entregou a lição em branco. Ao perguntar por quê, ela recebeu a seguinte resposta:

“Professora, você fez uma pegadinha, não é? Tudo está feito… GA e as linhas: galinhas!”.

Selma ficou com isso na cabeça:

“Passei anos pensando na genialidade desse menino e, por fim, nasceu esta história que virou este livro”.

Ela se refere à obra Palavra-chave, com ilustração de Nina Anderson, um lançamento da Editora do Brasil. Mais que uma leitura, Selma propõe uma divertida brincadeira aos jovens leitores.

Ainda não lemos/vimos este livro, mas fiquei encantada com a ideia:

Inspirada no jogo da forca, a história é protagonizada por passarinhos que comem letras. A autora então desafia o leitor a participar da construção da narrativa ao interagir com as páginas e completar as palavras com letras faltando. É uma forma divertida de estimular as potencialidades do leitor em formação.

Meu esposo é filho de professores, o pai é filósofo e a mãe pedagoga e mestre em Educação Científica. Os dois sabem como brincar com as crianças e ensinar sem parecer que estão ensinando, o filho, claro, herdou estas qualidades. Muitas vezes eu escuto meu esposo conversando (ensinando, mas sem parecer que está ensinando) nossos filhos e fico impressionada, pois, admito, eu jamais faria daquele jeito. Em especial na fase em que nossa caçula está – ela tem 5 anos e está se alfabetizando naturalmente – as conversas e as brincadeiras deles pela casa, pela rua, em tudo, são incríveis experimentos.

Educar é uma arte. Alfabetizar é uma missão. 

Da descoberta das letras, pode surgir um amor infinito e inesgotável ou um rancor que pode durar a vida toda. 

Por mais gente como Selma Maria! E mais editoras como essa que tem nos presenteado com obras tão especiais.

Poeta e artista plástica, ela também é pesquisadora de brinquedos e brincadeiras. Além de fazer exposições de suas obras, ela atua em projetos de arte e educação e ministra palestras sobre brinquedos, bichos e palavras. Tem outros livros publicados para crianças, como O livro do palavrão e Maria José é, José Maria ia.N

Nascida em São Paulo, em 1992, Nina Anderson começou a ilustrar livros infantojuvenis aos 18 anos e já emprestou o seu talento em várias publicações. Ela conta que não sabia que esse seria seu caminho quando começou a fazer os primeiros rabiscos. “Quando descobri que poderia colorir livros para crianças como a que fui, não parei de espalhar meus desenhos por aí”, diz ela.

Ficha técnica:

  • Obra: Palavra-chave
  • Autora: Selma Maria
  • Ilustradora: Nina Anderson
  • Formato: 25 x 21,5 cm
  • Número de páginas: 40
  • ISBN: 978-85-10-06896-3
  • R$: 42,90
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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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