HTLV-1, vírus da família do HIV transmissível no aleitamento materno

Eu nunca tinha ouvido falar deste vírus, tampouco lembro de ter feito exames para detectar e olha que eu fiz pré-natal três vezes, sendo uma no Japão, um dos primeiros países a pesquisar este tema.

Já que a forma mais efetiva de reduzir a incidência do vírus na população é testar as gestantes e orientar as mães portadoras do HTLV-1 a não amamentar os seus filhos, ou a fazê-lo por períodos mais curtos, cidades como Nagasaki, no Japão, connseguiram reduzir a prevalência da doença de 20,3% para 2,5% em vinte anos.

No Brasil, os especialistas consideram que estamos muito atrasados na luta contra o HTLV-1.

Programas como o de Nagasaki começaram a ser desenvolvidos há mais de 30 anos, enquanto aqui ainda não existe nada parecido. Os bancos de sangue são testados desde 1993, mas mesmo nesse caso só se faz uma prova de triagem, sendo que o diagnóstico requer uma segunda prova confirmatória com um teste mais sensível.

“E quando você tem a sorologia [positiva para o HTLV-1], você não é encaminhado para lugar nenhum”, disse Augusto Penalva, coordenador do Ambulatório de HTLV do Emílio Ribas.

Em maio deste ano, uma carta aberta dirigida à Organização Mundial da Saúde e assinada por médicos, pesquisadores e representantes de pacientes, pediu a implementação de estratégias para erradicar o HTLV-1. A carta sugere realizar mais testagens e promover uma maior divulgação do vírus e das doenças a ele associadas, tanto entre profissionais da saúde como entre o público em geral.

Adele Schwartz Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST [infecções sexualmente transmissíveis], do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, disse que estão preparando um estudo nacional para o ano que vem para conhecer a prevalência do HTLV-1 em gestantes no Brasil. O resultado servirá para definir as linhas de ação futuras para combater a transmissão do HTLV-1 de mães para filhos.

“Ele [o estudo] vai mostrar quais são as regiões do Brasil em que precisamos estipular esse tipo de regra. Tem muito [HTLV-1] na região Norte, no Nordeste, na Bahia. Mas tem regiões do País que não têm casos. Então, para que é que você vai fazer uma norma nacional de testar todas as gestantes do País quando a infecção pode estar concentrada?”

Além disso, o Ministério também disse estar trabalhando na atualização do protocolo de HTLV-1. Quando estiver pronto, o protocolo servirá de guia para a capacitação dos profissionais da saúde.

No último dia 10 de novembro, várias cidades do mundo comemoraram pela primeira vez o Dia Mundial do HTLV-1. A iniciativa espera chamar a atenção sobre os problemas de saúde associados à infecção com o vírus.

Um problema que contribui para o largo intervalo entre o início dos sintomas e o diagnóstico é o desconhecimento do HTLV-1 por parte dos próprios profissionais da saúde.

Motivos para ser desconhecida até por médicos:

– a grande maioria dos pacientes é assintomática, a maioria das pessoas não desenvolve as complicações mais graves, o próprio sistema imunológico do paciente controla o vírus

– cerca de 5% a 10% dos portadores desenvolvem complicações médicas, mas podem ser graves e inclusive fatais. Uma delas é a leucemia de células-T do adulto, um câncer das células sanguíneas bastante agressivo.

– no caso da paraparesia, o desenvolvimento da doença é progressivo ao longo de anos, dificulta o diagnóstico.

– o diagnóstico tardio reduz as chances de melhora dos pacientes e supõe um alto custo para o sistema de saúde

Existem três formas de contrair o vírus: por relações sexuais desprotegidas, por contato com sangue infectado (por transfusão, compartilhamento de seringas) e através do aleitamento materno. Isso faz com que a doença se transmita principalmente dentro das famílias, entre parceiros através de relação sexual, e de mães para filhos via aleitamento. Por isso, cada novo paciente identificado vira um “fio” de origem de novos portadores. O novelo grande está atrás da porta [do ambulatório]. Você puxa aqui e não sabe o que vai ter lá fora, descobrindo novos pacientes quase sempre por meio de testagens de familiares.

Saiba mais na fanpage da USP:

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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