A arte de educar por Cris Poli (a Super Nanny)

Como contei aqui no blog – e teve até parceria para as leitoras – vibrei quando soube que Cris Poli, a Super Nanny faria uma palestra na minha Mooca querida. Como seria numa igreja evangélica e eu sabia que Cris é irmã em Cristo, eu convidei minha vizinha Cibele para ir comigo e acertei, pois ela curtiu muito.

Cris Poli Super Nanny na Mooca

 

Em primeiro lugar, preciso contar: as duas, animadas com uma inusitada saída sem filhos e maridos num sábado, estacionamos no shopping e nos dirigimos ao local. Só que, vejam, tem duas igrejas na mesma rua, lado a lado. Entramos na errada e (risos) ficamos “presas” lá por vários minutos por conta da chuva!

Confesso esta confusão para pontuar duas coisas:

(1) cabeça de mãe é uma coisa de louco, se for algo dos filhos, a gente lembra em detalhes, mas quando se trata da gente, deixamos de lado. Quando a gente sairia sem guarda-chuvas se os pequenos estivessem juntos? Nunca.

(2) fomos super bem recebidas e atendidas, ainda que por pouco tempo, na igreja ao lado, que chama Vitória em Cristo. Bom sinal, né? Igreja tem que ser isso: um espaço generoso, acolhedor e aberto a comunidade.

Bom, mas vamos ao que interessa: A arte de educar por Cris Poli.  Olha a a gente ali, na turma do gargarejo!

Na abertura, que ficou por conta da influenciadora Rúbia Baricelli. ficou claro que é imprescindível reduzir as expectativas e as ansiedades com a primeira infância. Educar não é fácil, mas poderia ser mais leve se os pais forem mais cientes do que é um desejo seu e o que é uma necessidade real dos seus filhos.

Quando os filhos chegam, muitas coisas mudam. Em sua fala, tanto a pastora Priscila Bolzan (da Igreja Porta da Paz, que sediou o evento) nos exortou a pensar no quanto os filhos nos fazem melhores, quanto o amor de mãe é uma doação, um trabalho 24 horas por dia é um amor que exige disciplina.

Despindo-se do personagem de televisão, Cris Poli iniciou sua palestra se apresentando como educadora, mas também como mãe, avó e uma mulher de Deus, reforçando que gostaria que não a vivêssemos como alguém que vai apontar nossos erros.

A arte de educar com amor e limites. Por que esse título?

Cris Poli entende que, como em toda arte, podemos aprimorar nossas habilidades nesta área com dois princípios: amor e limites.

A partir daí ela destrinchou várias expressões que servem como guias para os pais.

Começamos com a definição de educação: é vida, é a transmissão de princípios de vida de uma geração a outra. É doutrina, instrução e orientação por normas e um modelo. Ao passar para os filhos os valores que aceitamos como corretos, perpetuamos essas escolhas e com eles modelamos o caráter da criança. A personalidade da criança pode ter muito de genética, mas o caráter,  esse podemos construir com nossa orientação diária.

Como se transmite princípios e valores para os filhos?

No dia a dia. Enquanto interagimos com os filhos, nas atividades mais singelas e valiosas do cotidiano nós ensinamos através da nossa maneira de agir.

Como a criança aprende?

Por imitação. O bebê observa e reproduz. Se não é o pai e a mãe, a criança vai reproduzir o que o adulto com quem convive age.

Aqui vale indicar dois livros da Cris que recomendamos: Pais admiráveis educam pelo exemplo e Atenção, tem gente influenciando seus filhos.

Precisamos de normas para educar!

Regras e normas são coisas simples, como o jeito de tomar banho, de se alimentar, de interagir com as pessoas.

Quando nossa criança age “errado”, antes de tentar mudar o comportamento dela, devemos buscar em nós que atitudes nossas podem ter moldado aquela atitude nele/nela.

A partir deste ponto, Cris Poli passou a dar para a plateia princípios da educação.

Primeiro princípio: autoridade.

Autoridade é o direito legal de se fazer obedecer, é o poder de mandar fazer o que entendemos que deve ser feito e como deve ser feito.

Um exemplo, é a hora do banho. Os pais estabelecem o horário e devem exercer sua autoridade, com firmeza e polidez, de modo que a criança não reaja mal, pois confiará no seu poder de ,andar, na sua influência e no seu prestígio como alguém que sabe o que é o melhor para essa situação.

O domínio é saber que você é autoridade e sabe o que e quando deverá acontecer.

Vale lembrar:

Autoridade é conquistada e quando é assim, a criança reconhece a autoridade naturalmente. Como conseguimos isso? Com perseverança, paciência, tempo, repetição.

Pais autoritários não são pais com autoridade. É quem impõe autoridade pela força, com prepotência, arrogância e até grosseria.

Segundo princípio: responsabilidade.

Obrigação de responder por certos atos, seus ou dos outros. A responsabilidade da educação dos filhos é dos pais. Não é da babá, da empregada, nem mesmo da vó.

Também não é responsabilidade da escola. A escola é parceira da educação, da família, é o espaço de ensino, de habilidades. A escola é parceira dos pais.

Por isso é tão importante que a escola tinha valores semelhantes aos da família.

Às avós, um recado: seu momento de educar seus filhos já passou. Agora é a vez dos seus filhos serem os pais. As avós podem dar conselhos – quando pedirem – mas não assumir um papel direto na educação dos netos.

O erro atual é delegar, terceirizar, repassar a responsabilidade de pais com filhos para outros. Ou ser permissivo porque ficam pouco tempo juntos e o pai ou a mãe ausentes evitam cobrar responsabilidades do filho no pouco tempo juntos.

O terceiro princípio: respeito.

Quando queremos respeito dos filhos, buscamos acatamento, deferência, honra, consideração, atenção.

Uma das formas de ensinar respeito é dar este exemplo no lar. Ensinamos respeito respeitando a criança e os adultos da família.

Um exemplo: para a criança brincar não é um passatempo. Brincadeira é uma necessidade. A criança aprende brincando, com joguinhos, com a interação com adultos, com a socialização. Dá licença, por favor, obrigado, esperar sua vez. Brincar com seu filho é respeitar a necessidade do seu filho.

Uma coisa é respeito e outra coisa é medo. O medo paralisa.

O quarto princípio: o limite.

Limite é uma linha de demarcação entre terrenos contíguos, é a fronteira, o extremo. É também restringir, ficar, não passar de, contentar-se, dar-se por satisfeito. Ao dar,os limites com um sim ou um não, é importante que nossos filhos compreendam isso como uma atitude de amor. É saber o que é o melhor e confiar nesta decisão tomada por amor, com autoridade e como responsável por aquela vidinha.

O quinto princípio: a disciplina.

Entendida como um conjunto de prescrições ou regras destinadas a manter a boa ordem em qualquer organização, a disciplina é também a obediência à autoridade e a observância de normas. Um sinônimo de disciplina é educação, mas não é sinônimo de castigo.

O sexto princípio: a organização.

A estrutura, a ordem, a formação da base pata tornar o filho apto para a vida. A organização das atividades ao longo do dia é valiosa. No meio do caos não é possível educar.

O sétimo princípio: o amor.

A afeição profunda de uma pessoa para outra existe sob várias formas e é vital. Cris Poli conta que vê uma carência de manifestações de amor pelos filhos.

O indivíduo é um ser que constitui um todo distinto em relação à espécie. Portanto, cada filho é um, cada criança é uma. Evite comparações. Vamos respeitar a personalidade, os interesses e os talentos de cada um.

Elogiar é louvar alguém ou alguma coisa. As palavras de um pai e de uma mãe têm um poder muito grande sobre a vida de um filho. Incentivar traz estímulo, animo e força.

Educar é construir o caráter do filho, tijolo a tijolo. Cris Poli difere dois pilares: amor e limites. Sob eles, fundações: entrega e segurança. E como raiz, Deus.

Ensinamos um pouco pelo que falamos. Mais pelo que fazemos. Muito mais pelo que somos.

E ela terminou com aquela passagem bíblica que toda mãe cristã ama:

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. 
(Provérbios 22:6)

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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