Você tem ensinado suas crianças como devem reagir em casos de tragédia?

Quando eu era adolescente, uma família amiga, vizinhos da minha mãe no interior, sofreu um acidente de carro gravíssimo na estrada.

De tudo – o pai morto imediatamente por um metal que se soltou da direção, a mãe que perdeu um dos olhos, a bebê que ficou machucada – o mais impressionante foi a reação do filho, que, com menos de dez anos (creio que entre 6 e 8, não lembro mais perfeitamente) saiu do carro, subiu o barranco onde caíram e pediu ajuda na estrada. Ele deu uma mensagem clara ao caminhoneiro: “meu pai não tem mais jeito, mas dá para ajudar minha mãe”.

Quando tive meus filhos, uma das coisas que ensinei desde cedo foi como reagir em casos de emergência em que não pudessem contar comigo.

  • Como falar no interfone para chamar o porteiro.
  • Como usar os números de discagem rápida do telefone.
  • Como abrir a porta e, pela correntinha que deixa uma fresta sem permitir sair, gritar chamando vizinhos.

Mas eu também ensinei a soltar o cinto de segurança, correr para fora do carro e buscar ajuda na rua porque eles eram pequenos quando João Hélio foi arrastado pelas ruas do RJ por assaltantes de carro porque estava preso na cadeirinha, em segurança.

Você tem ensinado suas crianças como devem reagir em casos de tragédia?

Como faz para ensinar a sobreviver sem criá-los num regime de terror?

 

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Creio que meu caso é atípico por ter testemunhado essa situação com amigos antes de ser mãe. Mas eu também cresci morando longe de parentes e meus filhos estão sendo criados sem apoio de familiares também.

Mas, admito, o caso João Hélio, por ter a mesma idade do meu mais velho, me mudou!

No meu update do instagram, uma mãe me contou o seguinte:

Eu ensino meus filhos desde pequenininhos porque sempre tive medo de ser assaltada e não ter tempo de tirar eles da cadeirinha. Ensinei a não reagir a assalto e manter a calma em situações de estresse. Já fui assaltada na frente deles, o cara me abordou na calçada e colocou arma apontada pra minha testa. Eles sabem o número dos parentes próximos, polícia, SAMU e bombeiros. E pra qual deles ligar dependendo da emergência. Ensino a não confiar em nenhum adulto desconhecido. Todos são potenciais sequestradores😅 confesso que sou meio terrorista, mas prefiro que eles entendam a realidade q vivemos.
Hj eles já tem 7 e 9 anos, mas o “treinamento” eh desde os 2 respeitando a capacidade de entendimento e reação.

Lembro que quando meus pais eram separados e quando meu esposo precisou passar uns meses trabalhando em outra cidade, isso pesou demais para mim e passei a dar mais autonomia e responsabilidade aos pequenos (meus irmãos e meus filhos).

Mas os tempos são outros. No instagram, uma pessoa me disse: ensine o telefone de um parente – avós  ou um tio – e deixe ela ir aprendendo a ligar pelo celular. Pode ser um caminho, ensinar a desbloquear o celular e fazer ligação pelos números de discagem rápida, seguindo até a imagem de perfil, né? Eis aqui uma dificuldade que estou enfrentando com minha caçula #aos5: não temos mais telefone fixo há anos, esse será um novo desafio para algumas famílias.

Como ensinar isso para uma criança pequena?

Um bom começo é aproveitar livros e desenhos animados para comentar situações e pensar juntos em saídas.

A Ana indicou o episódio 20 da temporada 4 da Doutora Brinquedos, ensinando a fazer chamada de emergência para pedir ajuda.

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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