Adolescentes também precisam se vacinar

Depois das campanhas de vacinas contra HPV, até ouço falar de famílias levando os adolescentes para vacinar, mas no geral se trata mais de gripe e olhe lá.

Tire suas dúvidas sobre vacinação contra HPV

Creio que em parte é porque antigamente a gente não atentava para medicina preventiva e as famílias ainda estão se ajustando aos cuidados com a saúde integral. Mas o fato é a vacinação também é importante para essa faixa etária.

Segundo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), jovens de até 19 anos precisam seguir o esquema vacinal recomendado e devem atualizar a caderneta de vacinação, caso alguma dose esteja em aberto ou alguma vacina não tenha sido administrada na infância.

Dados de um estudo realizado nos Estados Unidos revelam que a grande maioria dos jovens e pais acredita que a vacinação é importante nesta faixa etária, mas as taxas de cobertura vacinal estão abaixo das metas nacionais e internacionais. O estudo mostra também que apenas 44% dos médicos alertam os adolescentes sobre as vacinas faltantes ou atrasadas que devem ser administradas.

Sammmie / Pixabay

Nada poderia ser pior, pois justamente esta fase eles “ganham o mundo”, né?

“Os adolescentes podem ser portadores de bactérias sem desenvolverem doenças, como é o caso da Neisseria meningitidis, bactéria causadora da Meningite Meningocócica. Ela pode estar presente na nasofaringe de cerca de 10% dos adolescentes saudáveis. Por isso, é primordial vaciná-los, não só para proteção individual deles, mas também para diminuir a circulação da bactéria”.
Dra. Bárbara Furtado, da GSK

Atualmente, a rede pública de saúde disponibiliza aos adolescentes vacinas contra diversas doenças como Hepatite B, doença meningocócica C (conjugada), febre amarela, sarampo, caxumba e rubéola (através da vacina tríplice viral), difteria e tétano (vacina dupla adulto), além de HPV.

Com meus filhos, atualmente com 15 e 18 anos, eu aproveitei as férias de verão, fui no AMA/UBS (o posto de saúde) do bairro com a carteirinha de vacinas deles e resolvemos tudo. Um deles até refez a antitetânica (toxóide tetânico), que eu nem lembrava que precisava de reforço a cada 10 anos. Durante a infância cinco doses são recomendadas, com uma sexta aplicada durante a adolescência. Depois, doses adicionais a cada 10 anos são recomendadas.

KeithJJ / Pixabay

 

E além dessas vacinas disponíveis na rede pública, existem as da rede privada, com algumas diferenças de disponibilidade. Veja, abaixo:

Meningococo C (bactéria causadora da meningite meningocócica, entre outras doenças): o Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza a vacina contra o meningococo C para adolescentes de 11 a 14 anos. A SBIm recomenda em seu calendário duas doses da vacina meningocócica conjugada ACWY para não vacinados na infância e, para vacinados na infância, uma dose de reforço aos 11 anos ou cinco anos após o último reforço na infância. No calendário da SBIm também são recomendadas duas doses da vacina contra o meningococo B.

Hepatite A e Hepatite B: de acordo com o calendário da SBIm, adolescentes não imunizados devem ser vacinados o mais precocemente possível. O esquema preconiza duas doses para Hepatite A e três para Hepatite B. A vacina combinada para as Hepatites A e B pode ser uma opção a ser adotada. Neste caso, duas doses são recomendadas até os 16 anos e, para maiores dessa idade, três doses, assegurando seis meses entre a primeira e a última aplicação.2,4 Para adolescentes, o PNI disponibiliza apenas a vacina contra a Hepatite B e recomenda três doses, de acordo com a situação vacinal do adolescente.3 A vacina Hepatite A está disponível para adolescentes apenas na rede privada de vacinação e no PNI está disponível apenas para crianças.2,3

Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola): o PNI disponibiliza duas doses de acordo com a situação vacinal do adolescente.3 A SBIm destaca que, em casos de surtos de caxumba e risco para a doença, uma terceira dose pode ser considerada. Lembrando que esta vacina é contraindicada em grávidas.

Tríplice bacteriana acelular (difteria, tétano e coqueluche): a SBIm recomenda que a vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) deve ser atualizada na adolescência. Para aqueles com o esquema básico de vacinação completo, uma dose de reforço deve ser administrada (respeitando o intervalo de 10 anos entre as doses de reforço). Para aqueles com esquema incompleto, é recomendado uma dose de dTpa a qualquer momento e completar a vacinação básica com dT (dupla adulto – difteria e tétano) de forma a totalizar três doses de vacina contendo o componente tetânico. Para não vacinados ou com histórico vacinal desconhecido, uma dose de dTpa e duas doses de dT são recomendadas.

O PNI disponibiliza apenas a vacina dT e recomenda uma dose de reforço a cada 10 anos. Vale ressaltar que adolescentes grávidas devem receber uma dose de dTpa a cada gestação, a partir da 20ª semana. Para as gestantes, a vacina dTpa está disponível tanto na rede pública quanto na rede privada.

Varicela/Catapora: A SBIm recomenda em seu calendário para suscetíveis duas doses com intervalo de três meses (para menores de 13 anos) e com intervalo de um a dois meses (para maiores de 13 anos).2 No PNI a vacina não está disponível para adolescentes e ela é contraindicada em gestantes.

HPV: a vacina deve ser aplicada o mais precocemente possível, entre os 9 e 14 anos, para aproveitar a resposta imune superior nas fases mais iniciais da adolescência. O calendário da SBIm recomenda duas doses, com intervalo de seis meses, para meninas e meninos menores de 15 anos. Para adolescentes com 15 anos ou mais, não imunizados anteriormente, o esquema é de três doses.2,4 No PNI a vacina está disponível para meninas de 9 a 14 anos e para meninos de 11 a 14 anos, e a recomendação são duas doses.

Febre Amarela: o PNI e a SBIm recomendam uma dose única da vacina. Mas, segundo a SBIm, de acordo com o risco epidemiológico, uma segunda dose pode ser considerada.

Gripe (Influenza): a SBIm preconiza uma dose anual.2 No PNI, a vacina está disponível para grupos de maior risco de complicações: indivíduos com 60 anos ou mais de idade, crianças na faixa etária de 6 meses a menores de 5 anos de idade (4 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, povos indígenas, grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade, os funcionários do sistema prisional e professores das escolas públicas e privadas.

Além disso, na rede privada, está disponível a vacina contra gripe causada por 4 tipos de vírus influenza (vacina tetravalente). Já o PNI, oferece a vacina contra a gripe causada por 3 tipos de vírus influenza (vacina trivalente).

Você sabe por que temos que levar sempre as crianças nas campanhas de vacinação? #zegotinha

 

PNI, o Programa Nacional de Imunizações, existe desde 1973, sob cuidados do Ministério da Saúde, com o objetivo de coordenar as ações de imunizações que se caracterizavam, até então, pela descontinuidade, pelo caráter episódico e pela reduzida área de cobertura.
É uma referência internacional de política pública de saúde. O país já erradicou, por meio da vacinação, doenças de alcance mundial como a varíola e a poliomielite (paralisia infantil). A população brasileira tem acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Você sabia? 

O Ministério da Saúde disponibiliza aos usuários de smartphones e tablets um aplicativo em iOS e Android capaz de gerenciar cadernetas de vacinação cadastradas pelo usuário, além de abrigar informações completas sobre as vacinas disponibilizadas pelo SUS e uma função com lembretes sobre as campanhas sazonais de vacinação.

  • O aplicativo Vacinação em Dia permite que você crie e acompanhe cadernetas de vacinação, marcando a data da imunização e agendando a próxima.
  • Com o Vacinação em Dia, você recebe lembretes sobre as campanhas sazonais de vacinação promovidas pelo Ministério da Saúde.
  • No aplicativo Vacinação em Dia, você encontra um detalhamento de todas as vacinas disponibilizadas pelo SUS.
  • O objetivo é estar presente no dia a dia da população, oferecendo, em um dispositivo móvel, todas as informações necessárias para garantir a imunização do cidadão e de sua família.
  • O aplicativo calcula, a partir da inserção da primeira vacina no calendário, quando o usuário deve comparecer ao posto de vacinação para uma nova imunização e envia um lembrete por mensagem.
  • Os calendários de vacinação cadastrados no aplicativo Vacinação em Dia podem ser enviados via e-mail para impressão.
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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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