Criando uma filha cacheada feliz :)

Reproduzo aqui um relato lindo de viver que eu ganhei autorização para publicar.

Sara é um exemplo de cacheada empoderada para mim desde que Manu nasceu, pois, como frequentamos a mesma igreja por um longo tempo, incluindo minha gravidez e a descoberta de que meu bebê se transformou numa menininha cacheada (desta mãe japinha de cabelos de Pocahontas) e sua presença sempre me inspirou a pensar como minha filha poderia ser empoderada com uma construção positiva da sua autoimagem.

Como isso é valioso!

Conheço muitas pessoas que foram destruídas na sua percepção de si porque desde que se “entendiam por gente” eram sobrecarregados com comparações negativas sobre as semelhanças ou diferenças com seus pais, avós, parentes.

Sou filha de duas pessoas de etnias diferentes, cresci consciente da diferença física que eu tenho com minha mãe, mas, embora a sociedade tenha muitas vezes tentado abalar minha segurança emocional e psicológica sobre mim mesma por conta disso, minha mãe jamais permitiu que isso fosse a tônica da minha autoimagem. Sempre buscava em figuras da mídia ou em pessoas próximas semelhanças comigo e me elogiava nesta direção, a da aceitação e valorização do que eu era, não do que eu nunca seria.

Tenho imensa gratidão a ela por isso.

<3

E agora vamos ao relato da Sara:

Quando eu era pequena, lembro de ouvir dos coleguinhas na escola que meu cabelo era “ruim”, e que eu era feia. Na verdade, acho que isso acontecia quase todo dia, mas na maioria das vezes, eu não dava bola. Oque eu lembro mesmo, com riqueza de detalhes foi o que minha mãe fez quando em duas ocasiões após ouvir coisas desse tipo, cheguei em casa carregada de tristeza, parei na frente do espelho, peguei um pente, comecei a pentear com força (na esperança de que isso fosse fazer o cabelo ficar liso) e desabei a chorar. Ela não precisou perguntar nada. Abaixou ficando da minha altura, segurou meus ombros, olhou bem nos meus olhos e disse: você é linda, filha, você é linda. Me virou de frente para o espelho e repetiu a frase enquanto eu parava de soluçar. Depois, ainda me fazendo encarar o espelho e segurando nos meus ombros, me fez repetir em voz alta eu era linda.Contei esse episódio pra ela dia desses dizendo da importância que isso teve na minha vida. Se hoje exibo com orgulho meu cabelo, símbolo de resistência, que conta a minha história e dos meus ancestrais devo muito a ela, a mãe branquinha que teve uma filha pretinha @olga_rego ❤️.

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E sobre mãe e filha que têm cabelos diferentes, um exemplo que gosto é o da atriz Samara Felippo. Ela tem se posicionado como no vídeo, contando da experiência prática de ter filha cacheada sem ser uma cacheada.

Gosto muito do canal que Samara e as filhas Alícia e Lara mantém e aprendo muito com as dicas:

Finalização dos cachos:

Penteados fáceis para cacheadas:

E a tal da fitagem?

Agora um desabafo: arrumar o cabelo, fazer fitagem nos cachos e etc é uma coisa que eu ainda não aprendi a fazer. Não é (só) falta de habilidade, é uma questão de resistência mesmo. Eu não quero que minha filha pense que só ficará bonita se estiver com os cachos perfeitos… quero que ela se sinta linda sempre – até quando o cabelo fica grandão e sem definição.

🙂

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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