Diversão para todos

Toda criança deve ter tempo e espaço para brincar, se desenvolver, divertir-se, certo? Está no ECA, o Estatuto da criança e do adolescente brasileiro. E esse documento não diferencia crianças comuns de crianças com deficiências, exceto em questões onde têm prioridade em atendimento.

E eu quero falar nesse post sobre a relação de crianças com deficiência intelectual em espaços públicos e parques.

Tenho uma percepção de que, quanto mais novinhos, os pequenos não fazem diferença, não percebem as deficiências e brincam naturalmente. Já aconteceu de um amiguinho me perguntar sobre o Leo: por que ele não fala direito? Mas são questões inocentes e fáceis de lidar.

Falando especialmente de parques, tivemos algumas experiências boas e outras ruins. O que me levou a pensar e questionar sobre a questão da igualdade de regras para todas as crianças.

Quando levamos nossos pequenos nesses parques dentro de shoppings, por exemplo, normalmente existe um conjunto de regras que dizem respeito ao uso do brinquedo. Você já reparou que alguns são proibidos para crianças com deficiência ou têm restrições?

Num primeiro momento, a nossa reação como mãe é ficar revoltada. Eles deveriam ter acesso e os mesmo direitos. Mas depois de muita reflexão penso que realmente a maioria dessas crianças precisa de alguma atenção extra, seja pelo entendimento do funcionamento do brinquedo ou pelas dificuldades motoras, por exemplo.

Urban Motion

No mês passado fomos ao Urban Motion, no Shopping Metrô Tucuruvi. Detesto esse shopping, que fique registrado, eles têm péssima acessibilidade, entre outros problemas. Mas o parque foi uma excelente surpresa. Chegamos cedo, fomos prontamente atendidos e, quando perguntei se o Leo poderia entrar normalmente, a atendente me disse que só pediam para um responsável acompanhar.

Entramos e a família inteira pulou até ficar de língua de fora. Os monitores, que depois soube que têm formação circense, foram muito atenciosos e brincaram com os meninos. Eu e Miguel, meu marido, ficamos acabados de pular nas camas elásticas e nas piscinas de espuma (Deus, o que é aquilo, quase precisei de um guincho pra me tirar de lá, rs).

 

 

Quando estávamos indo embora reparei num menino, devia ter por volta de 10 anos, com uma cadeira de rodas, chegando para brincar. Ele entrou e teve toda a assistência para poder interagir dentro do ambiente.

Essa foi uma das melhores experiências que tivemos com parques. 🙂

Imagem com regras sobre a atração Urban Motion
No site tem uma orientação simples sobre crianças com deficiência (retirado do site: https://www.urbanmotion.com.br/pt/home/tucuruvi)

 

Teve aquela vez….

Na minha convivência com outras mães de crianças com deficiências, já ouvi todo o tipo de história com relação a esses passeios. A Catarina Alencar, mãe do Theo, que tem Síndrome de Down também, já passou por duas situações distintas.

Uma vez em um shopping em Recife, ela, que é pernambucana, passou por uma situação muito constrangedora. Ela relata que ao chegar, a atendente perguntou: “Mas você vai ficar junto né?”. A Catarina insistiu em deixa-lo sozinho, como as outras crianças e ficou do lado de fora observando. O Theo, que estava com 4 a 5 anos na época, precisou fazer xixi e não conseguiu segurar. As atendentes agiram com antipatia e pediram que ele fosse retirado, provocando um constrangimento ainda maior. A questão é: outras crianças nessa faixa etária não poderiam passar pelo mesmo problema, de não conseguir segurar…?

Mas ela ressaltou pra mim que fora esse episódio, teve mais experiências boas do que ruins. Um exemplo muito bacana foi o do Parque da Mônica, em São Paulo. Ao chegar, ela e o filho foram encaminhados ao atendimento ao cliente e falaram com uma coordenadora que demonstrou conhecimento e simpatia. Eles ganharam um mapa do parque indicando quais brinquedos seriam mais apropriados e menos apropriados para o Theo, considerando o conforto e a diversão dele. Super legal, né?

A Catarina com a filha Gabi e o filho Theo

Bem, deixo aqui umas reticências para que vocês dêem suas contribuições com opiniões ou causos, ok?

Até a próxima!

Abraços

Ah, serviço sobre o Urban Motion:

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
  • Segunda – Sábado: das 10:00 às 22:00
  • Domingo: das 12:00 às 20:00
  • Feriados: das 11:00 às 21:00
LOCALIZAÇÃO
  • Av. Dr. Antônio Maria Laet, 566
  • Tucuruvi – São Paulo – SP
  • CEP: 02267-000

Nota da editora:

Recebemos o convite muito gentil da assessoria do parque para conhecermos o local e na hora eu pensei nas duas colunistas que moram na Zona Norte. Angélica, com dois meninos grandes, e Alexandra, mãe da Luiza, que completou há pouco 2 anos. Reunindo as boas impressões das duas, creio que até eu deveria ter “atravessado a cidade” para ir conhecer! (risos)

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Angélica Perez

Jornalista, ex-atriz, mãe do Michel e do Leo e esposa do Miguel. Trabalhei em TV um bom tempo, joguei tudo pro alto e fui viver o sonho de ser atriz, mas não deu certo... fui trabalhar com conteúdo para web lá atrás, em 2001, e de lá pra cá já fiz de tudo um pouco no mundo digital, trabalhando com sustentabilidade, educação, inovação, corporativo. Gosto de falar desses assuntos, sobre ser mãe e sobre comida. Desde que o Leo nasceu, ele tem Síndrome de Down, também mergulhei nos assuntos relacionados à inclusão e desenvolvimento de crianças com deficiência.

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