Eu não sabia como amamentar meu filho

Nesse último dia da #SemanaDoAleitamentoMaterno, decidi falar um pouco sobre apoio. Sou mãe do Benjamin, de 7 meses e 2 semanas e amamentei exclusivamente por 6 meses. “Exclusivamente” por que nos três primeiros dias de vida dele, ele recebeu fórmula no copinho na UTI.

Eu tentava dar o colostro para ele, mas ele não tinha força para mamar, eu não sabia como amamentar meu filho.

Durante as 37 semanas de gestação, eu li e ouvi muito sobre como a natureza é sábia e não seria necessário nenhum tipo de preparação para os mamilos. E fiquei confiante nisso. Busquei pouca, praticamente nada de informação sobre amamentação. E o susto foi grande quando eu descobri que, na realidade, bebê que nasce mamando é exceção. Começou aí minha saga.

#repost do pediatra @drevandroamorim: “A concha de amamentação foi colocada no mercado prometendo proteger os mamilos da mulher do contato com a roupa e até facilitando a protrusão do mamilo em mães com mamilo plano ou invertido. Lindo na teoria, mas na prática é mais um dos (IN)utensílios que te empurram. De fato, a concha: – Não aumenta o mamilo, apenas faz um edema transitório. Mães com mamilos planos ou invertidos necessitam ainda mais orientações na amamentação. – Esse edema (foto) causa dificuldade na pega do bebê, facilitando com que a boca escorregue e o bebê não consiga abocanhar todo o mamilo e parte da aréola – Deixa a região abafada propiciando candidíase na mama – A pressão pode causar obstrução ductal, dor mamária, ingurgitamento e mastite. – Diminui contato pele a pele mãe/bebê . "Ah Dr mas eu usei e foi ótimo!" Que bom, sempre tem alguém que se salva em meio ao terremoto… Mas na maioria dos casos não é o que ocorre. . O que você realmente precisa para amamentar: 1) Ter um bebê (ou mais de um) 2) Ter uma mama pelo menos (sim, mães com apenas 1 mama conseguem amamentar também) 3) Querer amamentar. Querer muito! 4) Se informar, se cercar de apoio e se tiver muita dificuldade procurar um banco de leite na tua cidade e/ou uma consultoria de amamentação. Dica de uso da concha: coloca álcool gel e usa pra acender a churrasqueira, faz um fogo bacana! O que fazer para diminuir o desconforto da roupa em contato com o mamilo: "rosquinha" de fralda de boca em poucos momentos e principalmente ficar com as mamas ao ar livre para auxiliar na cicatrização; corrigir a pega do bebê. O mesmo vale para o bico intermediário ok! E pior, nem pra acender o fogo da churrasqueira ele serve.” (por @samegui 👩‍👦‍👦mãe dos nerds #aos18 e #aos15👩‍👧e da pequena #aos5) 😘 #maecomfilhos #mãesreais #momblogger #colunistasmaecomfilhos #mãescristãs #maesepaiscomfilhos #mãedeadolescente #mãedemenina #mãedemeninos #attatchmentparenting #criacaocomapego #brincadeira #maede3 #abracosquecuram #encontrosquetransformam #forçameninas #maeefilha #maedemenina

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Na UTI, nem todas as enfermeiras tinham paciência e uma delas, inclusive, disse que “com esse bico plano aí você não vai conseguir, mãe! Se você autorizar, a gente já dá na mamadeira, porque o copinho é ruim para ele” . O pouco de informação que eu tinha era clara: se ele tivesse contato com mamadeira antes do meu peito, as chances da amamentação não rolar eram grandes. Acompanhávamos todas as mamadas dele.

Se eu estava com muita dor para levantar, meu marido ia lá e fazia questão de ver o quanto e como ele estava mamando. E aqui entra a importância do apoio!

Tentamos de tudo! As enfermeiras sugeriram concha e bico de silicone, lá foi Tiago comprar na farmácia em plena madrugada da Avenida Paulista chuvosa. As enfermeiras iam no quarto e era ele quem aprendia a fazer a “péga” certa. Benjamin nasceu às 6h38 do domingo, dia 24/12 e chegamos em casa na quinta, dia 28/12 a tarde.

E essa foi a primeira vez que eu tentei amamentar em casa. Desespero no olhar. Aquela respirada de “tá doendo, mas disseram que não pode doer”.

Instantes depois, meu marido veio, me ajudou e assim foi nossa vida por alguns dias:

No dia 03 de janeiro, ele voltou a trabalhar e eu morria de medo de não conseguir sozinha.

Baby blues bateu forte. Com tudo.

Sabe a história de que o puerpério é tenso? Aqui foi. Mas todo dia eu conseguia evoluir um pouco. Eu comemorava cada mamada e aos poucos a sensação de “meu Deus, é nessa mamada que eu vou morrer” foi passando.

Meu marido foi minha vila, minha tribo, minha comunidade, minha rede. Sem ele eu realmente não teria conseguido.

Ele conversou com a Sam e ela contou da experiência dela com o Gui como pai, marido e apoiador, então Tiago seguiu o manual: trazia água para mim antes, durante e depois das mamadas. Trocava as fraldas do Benjamin enquanto eu passavam lanolina nos mamilos. Aos poucos, minha confiança crescia. A ponto de eu amamentar em pé, na rua, no shopping, no meu trabalho, no meio de um monte de gente, deitada, na poltrona, na almofada.

Se você está grávida e tem o desejo de amamentar: busque informações! Encontre um aliado nessa jornada, uma pessoa que apoie esse seu desejo, que te traga água durante as mamadas, que te ajude, te dê carinho e apoio. Pode ser o pai da criança, sua mãe, sogra, irmã, irmão, pai, amiga… Não tem ninguém?

Essa frase de #lauragutman sobre #puerpério me lembrou uma coisa que tenho em mim como fundamental quando a gente conversa com amigas sobre o bebê que virá: é preciso preparar a #gravida para aceitar companhia, acolhimento, apoio, cuidados e carinho. No geral, a mulher se volta tanto para o bebê que não aceita ser cuidada. Neste ano, uma amiga teve bebê. Na verdade, nos últimos anos, amigas têm tido bebê e noto que, embora eu tente cuidar delas, chamando para vir em casa, me oferecendo para fazer um pão caseiro ou um bolinho, sofá para descansar, conversas para distrair, colo para o bebê (se quiserem), raramente as novas mães aceitam os convites. Ir até a casa da mãe em puerpério e, naquele sonho do #ittakesavillagetoraiseachild (é preciso uma comunidade para criar um filho) poder ajudar (fazendo algo na casa, deixando uma comida ou só aliviando a solidão) é praticamente impossível. As novas mães ficam na defensiva, desconversam visitas, protelam encontros. Então, dentre as coisas que eu considero valiosas para conversarmos com amigas grávidas, está essa: inclua o #direito de ser acolhida e cuidada nos #conselhos sobre #enxoval, #posparto e #exterogestação. E, falando como mãe que teve acolhimento e afeto das vizinhas nos dois primeiros filhos, fecho dizendo: não desista. Mesmo que a mãe recuse contato, deixe um carinho pelo caminho, na portaria, no encontro na porta da escola (de quem tem mais de um bebê), leve algo e dê junto com um abraço quando se encontrarem na igreja. Garanto que fará diferença! (por @samegui 👩‍👦‍👦mãe dos nerds #aos18 e #aos15👩‍👧e da pequena #aos5) 😘 #maecomfilhos #mãesreais #momblogger #colunistasmaecomfilhos #mãescristãs #maesepaiscomfilhos #mãedeadolescente #mãedemenina #mãedemeninos #attatchmentparenting #criacaocomapego #brincadeira #maede3 #abracosquecuram #encontrosquetransformam #forçameninas #maeefilha #maedemenina

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Internet tá aí, cheia de gente estranha mas também cheia de gebte muuuuuito querida! Procure grupos de apoio a amamentação, de maternidade, perfis de mães que contam as várias facetas do maternar. É possível! E se você tentar e não conseguir – seja por qual for motivo, incluindo de você ver que não quer – tudo bem! Que a amamentação seja possível para quem quer. O vínculo pode e deve ser criado de outras formas.

Por aqui, seguimos. Há 1 mês Benjamin começou a Introdução Alimentar. Deixo leite para ele todos os dias quando vou trabalhar (conto em breve sobre) e continuo em livre demanda quando estamos juntos!

Nota da editora:

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Sara Martinez, 31 anos, jornalista, cristã, mãe do Benjamin, o milagre de Natal de 2017 e “humana” do Billy, um lhasa apso de #10anos. Escreve sobre o amor que sente por São Paulo no @pelocentro, onde compartilha dicas da cidade juntamente com sua irmã. Gosta de desenhar palavras coloridas no @fasesinfrases. É maratonista profissional de seriados no Netflix, inscrita em mais canais do que consegue assistir no YouTube e leitora apaixonada. No Twitter e Instagram: @sarafcmartinez.

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