Mitos e verdades da infertilidade masculina

Como saber se há algum problema de infertilidade no casal? Quanto tempo é preciso tentar antes de supor que pode ter algo errado com sua capacidade de gerar filhos? 

Dr. Edson Borges Jr., diretor científico da Fertility Medical Group, nos dá uma medida:

Se isso está acontecendo há mais de 12 meses de tentativas, o ideal é procurar uma clínica especializada.

A boa notícia é que cerca de 90% dos casos de infertilidade têm solução.

Há um certo preconceito em se achar, inicialmente, que o problema é da mulher.

“Isso não é verdade. Cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva apresentam algum distúrbio que resulta em infertilidade. Destes, 40% decorrem de causa feminina, 40% de causa masculina e 20% de ambos.”

O Dr. Giuliano Bedoschi explica como se faz a avaliação do casal com infertilidade:

Embora os percentuais sejam os mesmos, é notório que se fala e se conhece muito mais as causas da infertilidade feminina, bem como os tratamentos existentes.  Isso acontece também porque, na maioria dos casos, a infertilidade masculina não apresenta sintomas.

Por isso, é importante que ambos façam os exames necessários para se detectar quem é o portador do problema.

No caso do homem, se deve fazer inicialmente o exame físico dos órgãos reprodutivos e o espermograma, para que sua capacidade reprodutiva possa ser corretamente avaliada pelo médico. Geralmente, são diversos fatores associados que geram a redução do seu potencial fértil. Mas acontece também de haver apenas uma causa.

 

Conheça as principais causas da infertilidade masculina, todas passíveis de solução:

Idade

Embora os homens produzam espermatozoides a vida toda, a idade interfere na sua capacidade reprodutiva. Quanto mais velhos, menor é a qualidade dos espermatozoides produzidos e, consequentemente, suas chances de engravidar uma mulher. Portanto, se ele pretende ter um filho com mais idade, será importante pensar sobre esta possibilidade e, uma opção é o congelamento de seus espermatozoides enquanto for jovem. Mais tarde, poderá utilizar a técnica da Fertilização in Vitro (FIV), onde os materiais congelados serão implantados nos óvulos retirados da mulher, em laboratório, e depois introduzidos em seu útero. 

Hipogonadismo masculino

Falta desejo sexual, perda de memória e de massa muscular, cansaço e disfunção erétil são alguns dos sintomas desta doença, que afeta de 1% a 2% dos homens brasileiros. Sua principal característica é a ausência ou baixa produção de testosterona pelos testículos, levando à esterilidade e alterações seminais.

Geralmente, se manifesta após os 45 anos e não é hereditário. Quando associado a uma doença genética, surge ainda no início da puberdade, retardando a entrada na adolescência. Por se tratar de uma diminuição dos hormônios sexuais, o diagnóstico é feito pelas dosagens de testosterona, estradiol e seus derivados.

 

O tratamento é a reposição hormonal. É necessária a verificação dos níveis hormonais e a contagem de espermatozoides, a cada seis ou 12 meses. Quando a hipófise não gera os hormônios que estimulam os testículos a produzir testosterona, o procedimento é a administração gonadotrofinas. Quando os testículos não funcionam, faz-se a reposição de testosterona.

O hipogonadismo afeta de 10% a 25% dos homens com mais de 50 anos.

Obesidade e Cirurgia Bariátrica

Esse assunto foi tema de post no blog há pouco tempo.

Cirurgia bariátrica pode tornar o homem infértil

A obesidade diminui as taxas de fertilidade dos homens. Estes ejaculam em média oito milhões de espermatozoides por mililitro menos do que aqueles que estão dentro do peso ideal. Além disso, a qualidade do sêmen é mais baixa. Alimentação balanceada e saudável e exercícios podem ser suficientes para o emagrecimento e a solução do problema.

Entretanto, hoje em dia, muita gente opta pela cirurgia bariátrica, principalmente nos casos de obesidade mórbida. É importante saber que os homens que se submetem a ela podem ter sua fertilidade comprometida. O número de espermatozoides produzidos pode diminuir (oligozoospermia) ou mesmo desaparecer (azoospermia).

“Como ele perde peso muito rapidamente, há uma mudança drástica em seu metabolismo, o que afeta bastante os testículos. Não é incomum que o homem que já tinha uma alteração seminal pela obesidade não produza mais espermatozoides.”

A recomendação do médico para quem vai fazer essa cirurgia e pretende ter filhos é que faça uma avaliação seminal e congele seus espermatozoides. Após o procedimento, deve fazer uma avaliação seminal a cada dois ou três meses, Se, após um ano, quando seu peso estiver estabilizado, sua produção espermática estiver normal, ele não corre mais o risco de ficar azoospérmico. Aí, o congelamento pode ser desprezado.

Varicocele e outras causas

Entre as principais causas da esterilidade masculina está a Varicocele (varizes na região escrotal), que é diagnosticada por um simples exame físico e é responsável por até 40% dos casos. Outras são a Falência Testicular Primária,Infecções Seminais, Criptorquidia (testículos fora da bolsa testicular) e Obstruções do Epidídimo (ou canal deferente).

A varicocele, que é a dilatação de veias nos testículos, é responsável por entre 40% e 50% dos casos de infertilidade masculina. A varicocele surge a partir dos 11 anos e o autoexame é bastante importante para identificar o problema.

 

A evolução das técnicas de Reprodução Assistida permite hoje que muitos destes problemas seminais sejam resolvidos, possibilitando que o homem consiga ter filhos. Dentre essas técnicas estão o Processamento do Sêmen para Inseminação Artificial e a Fertilização In Vitro com ICSI (quando se injeta um único espermatozoide dentro do óvulo).

Segundo o Dr. Borges Jr., de uma forma geral, cada um destes processos resulta em uma probabilidade de gravidez que varia de 25% a 50%, levando em conta também a condição da mulher.

Ao fazer o espermograma, uma pequena parcela de homens inférteis apresenta ausência de espermatozoides (azoospermia). Quando isso acontece, as causas podem ser doenças que impedem a saída dos espermatozoides, como a ausência de ductos reprodutivos (forma atenuada da Fibrose Cística), alterações genéticas, número anormal dos cromossomos, como a Síndrome de Klinefelter, a vasectomia, processos inflamatórios, entre outras. Eles também podem ser filhos biológicos, por meio da punção do testículo ou epidídimo (órgão vizinho ao testículo), porque a espermatogênese está ocorrendo normalmente. 

Já nos pacientes com azoospermias não obstrutivas ou secretoras, a produção de espermatozóides é extremamente comprometida. É o caso daqueles com criptorquidia, que sofreram radiação, quimioterapia, de orquite, varicocele, trauma testicular, causas genéticas e hormonais. Algumas vezes, a causa nem é encontrada. O diretor científico do Fertility Medical Group destaca que, nesses casos, em alguns túbulos seminíferos (regiões do testículo onde essas células são produzidas), a espermatogênese continua acontecendo. Por isso, também podem ser pais.

Estilo de vida

Hábitos de vida pouco saudáveis, como tabagismo, uso de drogas recreativas (maconha e cocaína, por exemplo), uso de anabolizantes, exercícios físicos em excesso, obesidade, exposição a produtos tóxicos e à poluição, estresse e má nutrição também afetam negativamente a produção de espermatozoides. 

No vídeo abaixo, o Dr Rodrigo da Rosa Filho fala sobre a “Dieta da Fertilidade”.

 

sse assunto ainda gera polêmica e tem alguns mitos novos.

Recebi um material da Dra. Sinem Karipcin especialista em infertilidade da clínica Conceptions Florida. Ela trata de alguns e eu reproduzo seus comentários (vejam, eu não sou especialista em reprodução humana, tá?):

  • estudos mostram um efeito negativo de exposições ambientais, como pesticidas, chumbo, microondas e prescrição, como medicamentos OTC no sêmen.
  • tabagismo também diminuir a densidade do esperma, a motilidade e resulta em anormalidades na forma dos espermatozoides.
  • alguns estudos que sugerem que até a ingestão de alimentos contaminados com pesticidas pode afetar a qualidade e a quantidade de espermatozoides.
  • curiosamente, os estudos não mostraram efeito significativo sobre o esperma sendo por conta de álcool, consumo de cafeína ou uso de maconha. Nem a literatura documentou danos causados pelo calor nos testículos.

Ela reforça o cuidado com a boa saúde:

Como especialista em fertilidade e pesquisadora, estou ciente de como é difícil avaliar os perigos das exposições ambientais. Mas eu sugiro fortemente aos homens evitem beber mais do que duas doses bebidas alcoólicas por dia e parem de usar drogas recreativas quando estão tentando engravidar.

No entanto, só porque não há estudo que comprove um efeito adverso, não significa que não exista.

E a especialista trouxe um tema que eu vejo surgir já uma década: a questão dos celulares.

“Esses aparelhos possuem uma fonte de campos eletromagnéticos de baixa frequência e o campo de estudo sobre a causa de infertilidade masculina com base nas ondas de celulares é escasso, com resultados conflitantes. O melhor estudo publicado até agora, na minha opinião, é de Harvard, onde os padrões de uso de celular e os parâmetros de análise do sêmen foram avaliados ao longo do tempo e nenhuma associação foi encontrada, o que não significa que não haja nenhuma relação.”

Se você for diagnosticado com infertilidade, não desanime.

Uma vez que se descobre a causa da infertilidade, pode-se estabelecer um plano de tratamento. Há tantos recursos disponíveis, incluindo medicação ou terapia hormonal para aumentar a testosterona ou reduzir o estrogênio, bem como técnicas cirúrgicas minimamente invasivas para corrigir uma varicocele ou outro bloqueio.

O principal é não atribuir nem aceitar culpas, é buscar tratamento ou alternativas, como a adoção – por que não?

Especialista tira as principais dúvidas de casais que sonham em ter um filho adotivo

 

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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