Chupeta: amiga ou vilã?

Muito se fala sobre o uso das chupetas, mas, afinal, devemos ou não permitir que nossas crianças façam seu uso?

Pessoalmente, do alto da minha experiência de mãe de 3 filhos, sendo um já adulto e outra com apenas 5 anos, considero negativa e dispensável. Mas sei que tem gente que sabe como usar de um jeito racional e que pode funcionar em alguns modelos de família, portanto, posso garantir, eu jamais criticarei um pai ou uma mãe que dá chupeta para seu bebê.

Mas, quando se trata de crianças maiores, eu tenho que esforçar muito pra não olhar com pena…

Durante os primeiros meses de vida a chupeta pode ter algum sentido, se usada da maneira correta. Além de estimular a sucção e o desenvolvimento da mandíbula, ela traz também sensação de segurança para a criança e tranquilidade para os pais.

Veja o que diz o odontopediatra Gabriel Politano, que conta de um estudo que relaciona o uso da chupeta para dormir à redução do risco de morte súbita.

 

No entanto, para que ela tenha uma boa função, a chupeta correta deve ser utilizada.

Vejam o que diz o pediatra Daniel Becker:

Ele explica, puxando o nome em inglês, Pacifier (pacificador), que a chupeta é útil em momentos de estresse.

E eu vivi isso com minha caçula. Viajamos para o exterior quando ela tinha pouco mais de 2 anos e tinha deixado de mamar no peito muito recentemente. Em determinado ponto da viagem, ela precisava de um apoio e eu lembrei de ter lido que a chupeta faria este efeito, sendo bastante indicada para voos – em viagens de avião eu dava o peito, mas não tinha mais leite! Comprei uma chupeta anatômica e adequada para a faixa etária e ela usou durante os trajetos de carro na estrada. Chegando em casa, esqueceu e pronto. Nem chegou a afetar a pequena, psicologicamente ou fisicamente.  

Ah, ele fala de uma coisa bem importante: o “só”. Só dorme com a chupeta, só faz isso com a chupeta e etc, coisa que a gente já ouviu e que mostra que a criança criou uma dependência do objeto e, pior, que seus cuidadores já se ajustaram a esse relacionamento nocivo, compactuando ou estimulando.

E lembram daquele cena clássica da criança, ainda meio bebê, dando a chupeta pro Papai Noel? 

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(aquilo me destrói, acho de uma crueldade, nem sei)

Isso acontece muito porque os pediatras começam a pegar no pé dos pais, explicando que o uso da chupeta tem que acabar no máximo aos dois anos de idade.

Alguns médicos, no entanto, simplesmente são contrários ao uso. O pediatra Moises Chencinski, da fanpage Eu Apoio Leite Materno, que eu adoro, explica em detalhes porque afeta o aleitamento, favorece os refluxos, atrapalha a respiração.

E ele fala de um outro ponto grave: lamber uma chupeta (para “limpar” a chupeta) pode transmitir as bactérias causadoras da cárie dos pais para os filhos, aumentando a possibilidade de cárie dental quando as crianças crescerem. O alerta é da Associação Dental Americana e eu vi aqui.

Precisa de mais motivos?

A equipe odontológica do Hospital Infantil Sabara, composta por Dr Celso Sanseverino, Nelly Sanseverino e Ericka Ranzani, explicam alguns dos prejuízos causados pelo  uso inadequado da chupeta:

Apego emocional: quando oferecida em demasiada frequência, a criança pode criar uma dependência emocional à chupeta. Nesse caso, pode haver uma inversão de seu uso: ao invés de a criança usar a chupeta como uma forma de se tranquilizar, ela passa a sofrer por sua falta. Para que isso não ocorra, portanto, indicamos o uso da chupeta por apenas poucos minutos em momentos específicos, como, por exemplo, antes de dormir (e retirar depois que a criança adormece).

Uso incorreto: mesmo para as crianças mais novas que dois anos, deve-se tomar alguns cuidados. Prefira sempre a chupeta ortodôntica à convencional. Nunca se deve prender o arco da chupeta em fraldas ou fios. Além disso, mantenha sempre a chupeta higienizada e jamais coloque-a na sua boca e depois na boca da criança.

Desenvolvimento: o uso incorreto ou prolongado da chupeta gera deformações ósseas nos ossos e nos dentes das crianças. Muitas dessas alterações necessitam aparelhos para serem corrigidas. No entanto, de acordo com a intensidade da deformação, ela pode ser definitiva e irreparável.

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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