Amamentação – minha experiência e aprendizados

Minha ideia inicial era apenas buscar meu relato no antigo blog e coocar aqui, mas achei bom fazer pequenos adendos, afinal a cada ano que passa temos mais informações.

Também queria enfatizar que parte do meu sucesso na amamentação, foi devido a impossibilidade de uma amiga amamentar. Ela sonhou, tentou, buscou ajuda, mas não teve jeito. è uma mãezona como todas as mães que amam e procuram fazer o melhor para seus filhos e uma grande amiga por ter me alertado:

“- Amamentar não é automático! Leia, se prepare. Eu li sobre tudo menos amamentação. Leia!”

Por que começar o texto assim? Porque toda experiência conta, toda experiência ajuda. Todo relato é válido e a troca entre mães sem julgamentos é essencial para todas nós nos sentirmos acolhidas.

Um livro que li e gostei muito foi Spilled Milk: Breastfeeding Adventures and Advice from Less-Than Perfect Moms. O livro conta histórias de sucesso e insucesso de mulheres na amamentação

AMAMENTAÇÃO E PREPARO NA GRAVIDEZ

Toda experiência é única. A minha foi muito prazerosa. Sofri mais durante a gravidez, pois fui mal orientada e passei a toalha na tentativa de preparar os seios. Os bicos ficaram fragilizados e voltei a sofrer com uma alergia que tive anos atrás. Conclusão: durante parte da gravidez meus seios estavam em carne viva! Tinha que ficar sem blusa em casa. A cura veio poucos meses antes do parto, através de homeopatia e banana. Os hidratava com a parte interna da banana. (Nota: se tentarem isto, usem sutiãs bem velhos pois a mancha não sai nem com os alvejantes milagrosos!)

Depois disto o preparo foi feito de forma correta. Banho de sol pela frestinha da janela ou banho de luz.

OS 6 PRIMEIROS MESES

Eu digo que a amamentação foi meu segundo momento mágico. O primeiro certamente foi a chegada do meu filho. A pega foi correta de imediato. Não senti dor e a santa Lansinoh impediu que o princípio de rachaduras virassem algo dolorido. Brinco que, assim como com o desfralde, não tive grande mérito, tive foi sorte.

Amamentando pela primeira vez
Primeira mamada

Algumas pessoas relatam que é preciso estar preparada psicologicamente. Eu digo que é preciso ter vontade, mas também sorte. Os motivos para não conseguir amamentar podem ser inúmeros e estar fora do controle da mãe.

Difícil avaliar o porque de algumas mulheres conseguirem amamentar e outras não. A diferença pode ser o apoio recebido ao redor. Lembro do querido Dr Nicim, pediatra do parto e homeopata salvador, me dissendo em uma conversa: “Vai sem medo”. Lembro de repetir suas palavras em minha cabeça, momentos antes de iniciar a amamentação.

Três dias após o nascimento do meu filho deixei de ter apenas colostro e o leite desceu…ou posso dizer subiu? Isto porque de repente eu não tinha seios, mas duas bolas de futebol. Segundo a exagerada da minha mãe, quase batiam no meu queixo! Novamente informação e experiência de outras mamães evitaram um problema, a mastite. Meus seios começaram a empedrar, dor na hora da mamada, dooooooor. A solução além da amamentação em livre demanda: retirar o excesso de leite de forma que não estimulasse ainda mais a produção. Usei uma bacia com água, os coloquei dentro e “rebolei”! Dica das Amigas do Peito. Tão atenciosas!

Meu filho sempre mamou muito, e as poucas vezes em que ele dormia um pouco mais, eu acordava com os seios já doendo de tanto leite. Quase rezava para ele acordar! Retirava com a bomba manual, depois peguei o jeito da ordenha manual. No início dormia com as conchas (as minhas tinham uma esponja para colocar dentro) ou acordaria encharcada. (Na época não sabia que podiam ser prejudiciais). Mesmo assim acordei algumas vezes banhada em leite.

Todos acham uma sorte a grande produção de leite, poder doar para outras crianças. Concordo em parte, mesmo com o risco da reação de algumas mães. Sofri com o excesso de leite. A minha roupa estava constantemente molhada, mesmo com conchas e protetores. Eu cheirava a leite. Em alguns momentos me sentia irritada com isto. E o pior, descobri meses depois que uma das causas das cólicas do meu filho pode ter sido o excesso de leite. A criança ao sugar, quando o leite vem com tanta vontade quanto o meu, ingere ar também, o que causa cólicas.

Aaaaaaaaaa as cólicas. Capítulo a parte. Na tentativa de evita-las ia deixando de comer tudo que poderia gerar gases. Ainda me alimentava bem, pois amamentar dá fome, mas não sei se foi o medo das cólicas ou a voracidade do filhão, mas um mês após seu nascimento eu estava 1Kg mais magra do que quando engravidei. (Sei que me perguntarão quanto engordei na gestação. 12 Kgs)

Amamentação  é pura doação, um ato de amor. Quem amamenta em livre demanda entende bem isto. Se você consegue a meta dos 6 meses exclusivos sabe como é uma vitória. Não é fácil programar a vida em relação a rotina do bebê, estar lá a sua disposição sempre que ele desejar. De mulher independente, de repente me programava ao redor de um serzinho lindo.

Meu filho nunca aceitou bem a mamadeira, copinho e colher a contragosto. Isto nos fez sair correndo dos poucos encontros e datas importantes de amigos dos quais participamos nos primeiros seis meses de vida do meu filho. Se nos arrependemos? Não! Vivemos a parentalidade de forma intensa nos primeiros meses. Funcionava para nós.

APOIO É SEMPRE BEM-VINDO
Lucas sempre mamou muito. Ele sempre acordou também muito a noite. Eu tinha uma dificuldade tremenda em faze-lo arrotar. O pai que me ensinou e sempre que estava por perto era quem fazia isto. Além disto, muitas vezes estava tão exausta que nem acordava quando o Lucas choramingava. O pai o pegava no berço, levava até a nossa cama e eu amamentava deitada, meio que no automático.

Minha mãe também participou de aventuras, como ir comigo até Xerém (eu moro e trabalho no Rio) para uma reunião de trabalho importante. Ela ficou com o Lucas e o leite que tinha retirado enquanto estava na reunião.

Ele com 5 meses aceitou a mamadeira após muita insistência de uma senhora que trabalhava conosco. O uso era muito pontual, mas me permitiu ir a reuniões de forma mais tranquila.

 

AMAMENTAÇÃO PROLONGADA
Quando completamos 6 meses de amamentação exclusiva começou quase imediatamente a pressão externa para parar de amamentar. Em 2007 a maioria das pessoas acreditava que 6 meses já era bastante. Isto pode soar entranho com tantas campanhas pró amamentação e mamães dando relatos de amamentação prolongada no mundo virtual.

As pessoas até aceitam bem no primeiro ano de vida da crianças. Amamentei até dois anos e meio e depois do primeiro ano o amamentar era acompanhado por olhares estranhos e comentários nada motivadores, principalmente da família.

Na casa da minha mãe, quando meu filho pedia peito, mesmo após ter comido seu café da manhã, era comum escutar comentários dos tios como “Larga esse peito que você já está grande!” “Dá uma trégua para sua mãe!” Eles não entendiam que isto ocorria principalmente quando ele tinha passado a noite lá, sem os pais. Na maioria das vezes ele buscava o aconchego, a aproximação. Sim, ele comia bem. Sim, ele não precisava mamar, mas era aconchego e uma dose extra de vitaminas da mamãe.

Quando isto ocorria eu me inclinava e falava baixinho para ele e dizia “Liga não filho. Só importa o que você quer. Mamãe está aqui com você”.  O desmame (tema para outro post) foi sem grandes sacrifícios, muito provavelmente por ter ocorrido quando ambos estavam prontos.

O QUE FICOU
Hoje, olhando para trás enfrentaria tudo novamente: as noites sem dormir, os banhos de leite, estar a disposição dele durante a livre demanda. As dificuldades iniciais vão sendo esquecidas e os momentos amamentando são lembranças maravilhosas, de muita sintonia e amor. Ele hoje está com 11 anos, mas dele pequenino sinto muita saudade de algumas coisas, entre elas amamentar e ter ele no sling grudadinho em mim.

Eu fui uma destas sortudas que amou amamentar. Teve noite em claro, teve filho mamando 50 min num só peito, teve mordida… mas a pega foi correta desde o início e no geral não sofri não. O leite caindo incomodava, nas primeiras semanas vivia molhando, vazando rs Quando voltei a trabalhar tive que tirar leite escondidinha no carro para não explodir. Teve fase dele não aceitar nada, nem copinho. .. mas no geral, ficou só aquela sensação de conexão pura, de amor. Poderia listar milhares de razões para amamentar, é bom para o planeta (lixo zero né ), é bom para saúde, ajuda a emagrecer… Mas o que dá saudade mesmo, é ficar ali com filho grudadinho. Algumas vezes olho no olho. Amamentei até 2 anos e meio. O desmame foi bem fácil e tranquilo. Meu único arrependimento foi não ter feito mais fotos da amamentação prolongada. (Nesta foto estava com 7 meses) Na memória ficou a conexão que sentia naquele momento, o amor que crescia sem parar. Quem quiser ler o relato no antigo blog clica no link da bio e depois na imagem. #diadaamamentação #amamentacao #diainternacionaldaamamentacao #breastfeeding #maemaluquinha #maecomfilhos #vidademae #SMAM2016 #amamentaçãonareal #diamundialdaamamentacao

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Anamaria Mendes

Anamaria Mendes, 44 anos, mãe do Lucas, #aos10. Profissional multipotencial. Criativa por natureza, formada em design gráfico, pós-graduada em marketing, ama as duas áreas com a mesma intensidade. Apaixonada também pelos temas maternidade e educação. Adora conhecer e interagir com pessoas diferentes e aprender com cada contato. Está sempre criando novas formas de conciliar maternidade e vida profissional. Colaboradora do canal de YouTube FunToysBrinquedos, criado por seu filho e hoje produzido em família para motivar o brincar. Compartilha um pouco disto tudo no Instagram e Twitter @MaeMaluquinha.

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