A importância do movimento de pinça para a escrita

Férias, a gente quer deixar a criança brincar e ao mesmo tempo gostaria que as brincadeiras tivessem um sentido, né?

Infelizmente nossa geração de pais sofreu uma lavagem cerebral de que tudo tem que ter uma “função pedagógica” e muitas brincadeiras simples de infância se perdem. É uma pena porque justamente as brincadeiras mais simples são as que preparam para atividades futuras e garantiriam o “sucesso” que tanta gente quer garantir para os filhos.

Um exemplo é brincar de massinha, atividade que desenvolve a criança de forma global.

Várias brincadeiras, como rasgar papel, enrolar bolinhas de papel, transportar materiais, desenhar, pintar ou mesmo o arremesso de bolinhas de jornal ajudam a desenvolver o movimento de pinça nas crianças, e tanto os educadores como os pais podem oferecer ferramentas que trabalhem com essa atividade, como argila e massinhas de modelar.

Toda e qualquer massinha vale? Na reunião desta semana, de avaliação do semestre letivo, a professora da minha filha na EMEI disse que sim, pois a massinha é uma das atitudes que ajuda a fortalecer a musculatura.

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Hã? Como assim? Musculatura?

O pessoal do NeuroSaber explica:

O desenvolvimento motor humano passa por diversas etapas ao longo da vida de acordo com a fase em que o indivíduo se encontra e essas etapas são de extrema importância para a aquisição de determinadas habilidades que serão utilizadas para toda a vida.

Esse é justamente o caso do movimento de pinça e como ele é importante para a realização de tarefas cotidianas, como a escrita, por exemplo.

Para que a criança consiga ter uma comunicação escrita legível é preciso atender a todos os aspectos que envolvem o seu crescimento, isso é, toda a conquista do esquema corporal que engloba o equilíbrio estático e dinâmico, movimentos amplos, alongamentos e o movimento de pinça bem como o treinamento da musculatura dos membros superiores.Sendo assim, para escrever e comunicar-se através desse meio, a criança precisa estar com o movimento de pinça muito bem treinado, definido e desenvolvido.

Explica melhor, Sam, por favor…

É simples:

Reforçando a musculatura dos dedinhos, a criança conseguirá segurar o lápis corretamente, apoiar o braço de maneira adequada na mesa tendo o suporte necessário prevenindo dores decorrentes da má postura.

(Sim, o corpo precisa estar em condições para permitir que o aprendizado ocorra)

O corpo precisa estar em condições de permitir que o aprendizado ocorra

As mãos da criança são uma importante ferramenta para o aprendizado. Com as mãos, ela controla o mundo à sua volta, constrói e cria tudo que imagina, e também se expressa – primeiro com gestos, depois com rabiscos e, por último, com a palavra escrita.

Gostei demais desta explicação:

As mãozinhas das crianças começam com uma pegada simples, reflexa, que utiliza toda a mão. Com o tempo, os reflexos iniciais se integram, e o movimento de pinça desabrocha, permitindo à criança utilizar o dedo indicador juntamente com o polegar. A cada dia, você irá perceber mais e mais movimentos deliberados das mãos e dos dedos. Mas isso não é uma habilidade motora fina – ainda não.

O controle muscular e a coordenação da criança se desenvolvem de forma natural, ordenada – de cima para baixo e de dentro para fora –, começando na cabeça e avançando em direção aos dedos dos pés, e do tronco para os membros superiores (braços) e inferiores (pernas). Essa ordem de prioridade, estabelecida pelo cérebro, garante que os músculos maiores, necessários para a coordenação e locomoção (mover-se do ponto A ao ponto B), estejam bem organizados e no controle, antes de comandar os mais de 60 músculos combinados das mãos (para não falar da enorme quantidade de ossos, centenas de ligamentos e tendões etc. etc.).

Então quer ajudar seu pequeno a escrever bem? Já pro parquinho! Quer avaliar se uma escola de educação infantil é boa?  Preste atenção na área de brincadeiras e no tempo que dizem que dedicam a isso no cotidiano.

Foi considerando estes pontos que eu tirei minha filha caçula da escola particular que ela frequentou no Maternal e optei por uma EMEI (escola municipal de educação infantil) porque considerei que brincar era mais importante nesta fase e a escola particular não oferecia esta habilidade como uma prioridade.

(Brincar ou ter aulas? O que é mais importante na educação infantil?)

Brincar ou ter aulas? O que é mais importante na Educação Infantil?

Quer ajudar seu filho a “ir bem” na escola? Invista em movimentos nesta fase.

  • Escalar, pendurar-se, balançar-se, bem como quaisquer outras atividades que fortalecem a parte superior do corpo e os músculos estabilizadores, são de fundamental importância como precursores das habilidades motoras finas.
  • Atividades que envolvem movimentos de torcer, girar, pendurar e balançar ajudam no desenvolvimento da flexibilidade e agilidade necessárias para a rotação dos ombros, cotovelos, punhos e dedos.
  • Empurrar, puxar e levantar o peso do próprio corpo aumentam a força física ao mesmo tempo em que auxiliam no desenvolvimento de uma compreensão intuitiva de conceitos elementares da física, como peso, pressão e resistência.
  • E, quando seu filho voltar da brincadeiras nas barras, “fazer bagunça” com brincadeiras sensoriais ajuda a fortalecer os músculos das mãos e auxilia na destreza. Brincar com massinhas de modelar, areia e água, barro (sim, barro!), massinha de pão e biscoito, e qualquer outra coisa que estimule o tato, proporciona uma ótima experiência sensorial para o cérebro e para as mãos, o que um dia poderá resultar em uma letra mais bonita!

 

Quando o assunto é preparar-se para o aprendizado da escrita, pense em brincar!

Habilidades motoras finas são o controle motor de alta precisão necessário para integrar o funcionamento dos cinco dedos, possibilitando a execução de atividades detalhadas que exigem movimentos minuciosos, quase imperceptíveis, como a utilização de um lápis para escrever o nome.

Escrever o próprio nome não depende só do punho, por assim dizer. Na verdade, esse simples ato envolve o corpo inteiro.

picjumbo_com / Pixabay

Veja o que precisamos conciliar fisicamente para escrever:

  1.  A parte superior do corpo deve estar fortalecida o bastante para manter a posição de pé ou sentada.
  2.  Os músculos dos ombros devem estar fortalecidos o bastante para controlar o peso do braço, e flexíveis o bastante para girar livremente a fim de posicionar o braço para escrever.
  3.  O braço deve suportar o peso do antebraço e da mão, possibilitando que a mão deslize sobre a página.
  4.  O antebraço deve fornecer um ponto de apoio firme para que o punho possa girar.
  5.  O punho deve manter a mão firme e girar para a posição adequada.
  6.  Os dedos devem se dobrar em torno do lápis, que se mantém no lugar graças ao polegar.
  7.  Juntos, os cinco dedos fazem sobre o papel uma dança de alta precisão: a) posicionando o lápis no ângulo exato sobre o papel, b) pressionando e mantendo o nível correto de pressão a fim de deixar a marca do lápis, e c) coordenando os movimentos de subida, descida, para a esquerda e para a direita sobre a página.

Se algum dos músculos nessa cadeia deixar de funcionar, escrever o próprio nome poderá se tornar uma tarefa muito difícil.

O que nos traz de volta às barras do parquinho de diversões… e as boas férias! 

 

Não tem este olhar pedagógico, mas no #postnoblog eu falei sobre uma massinha que está super na moda, mas é controversa, o #slime:

Slime: comprar, fazer em casa ou boicotar?

 

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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