Cirurgia bariátrica pode tornar o homem infértil

O aumento da obesidade no mundo faz crescer, cada vez mais, a procura pela cirurgia bariátrica como forma de emagrecer.

No começo, a gente ouvia falar mais do público feminino sendo direcionado para esta intervenção, mas nos últimos anos, confesso que ao meu redor homens fizeram a cirurgia para prevenir problemas de saúde decorrentes da obesidade.

O que pouca gente sabe, entretanto, é que esse procedimento pode alterar a fertilidade do homem, diminuindo o número de espermatozoides (oligozoospermia) ou até mesmo til, azoospérmico (sem espermatozoides), tornando-o infértil.

Segundo o Dr. Edson Borges Jr., especialista em reprodução humana e diretor científico do Fertility Medical Group, os homens com excesso de peso já têm uma diminuição da mobilidade e do número de espermatozoides, por causa da obesidade.

Quanto maior o peso (o índice de massa corpórea – IMC), maior a alteração seminal.

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Na cirurgia bariátrica, onde ele perde peso muito rapidamente, há uma mudança drástica de seu metabolismo, o que ofende bastante os testículos.

“Não é incomum que o homem que já tinha uma alteração seminal pela obesidade fique azoospérmico (sem espermatozoide) após esse procedimento.”

A recomendação para quem pretende fazer essa cirurgia e quer ter filhos é que procure uma clínica e faça uma avaliação seminal.

No site do Hospital Sírio-Libanês há uma explicação boa para leigos sobre o assunto, e foi lá que encontrei também um padrão de medidas com  valores da análise seminal considerados anormais pela OMS:

  • Volume do ejaculado inferior a 2,0 ml.
  • Concentração de espermatozoides inferior a 20 x 106 por ml.
  • Número total de espermatozoides inferior a 40 milhões.
  • Motilidade dos espermatozoides inferior a 50% das células com progressão linear e grau de qualidade inferior a 2 (escala de 0 a 4).
  • Morfologia dos espermatozoides com formas normais abaixo de 30%.

Espermograma é o exame mais importante para o homem quando falamos na identificação de possíveis problemas relacionados a Reprodução Assistida.

 

Depois, deve congelar seus espermatozoides, pois existe a real probabilidade (embora pequena) de ficar azoospérmico definitivamente.

O médico explica que o espermatozoide é produzido a cada 60/65 dias. Assim, o ideal é que, após a cirurgia bariátrica, se faça uma avaliação seminal a cada dois ou três meses. Caso, após um ano, quando ele já estabilizou seu peso, a sua produção espermática esteja normal, ele não corre mais o risco de ficar azoospérmico. Aí, o congelamento pode ser desprezado.

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Outro fator que vale a pena comentar: o estilo de vida (do pai e da mãe) influencia a qualidade do embrião.

Uma pesquisa com 519 pacientes, dos quais cerca de 270 precisaram de fertilização em vitro para ter um bebê. Vejam o que eles contam:

“Quando avaliamos o desenvolvimento inicial deste embrião, ou seja, esse embrião fecundou e fica cinco dias no laboratório, nos seus três primeiros dias de divisão, que chamamos de estágio de clivagem, vimos que quanto pior o estilo de vida em relação a hábitos deste casal, pior a qualidade embrionária, e claro, quanto melhor, melhora a qualidade embrionária.

Relativo a quê? Casais com maior ingestão de carne vermelha, álcool e cigarro, o desenvolvimento desse embrião até o terceiro dia foi pior. Consequentemente para os casais em que o consumo de cereais é mais frequente, há a regularidade na alimentação fazendo entre 3 e 4 refeições por dia, os bons hábitos fazem bem para o corpo e para o organismo. O bacana da pesquisa é que vimos que faz bem para o embrião também.”

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Há uma mudança real da qualidade do espermatozoide nos últimos anos e a culpa disso é dos hábitos atuais. 

A equipe o especialista em Reprodução Humana Assistida, Dr Edson Borges Jr., avaliou  seus pacientes dividindo-os em dois períodos: de 2000 a 2002 e de 2010 a 2012.  Eles foram separados por uma década com a mesma queixa: “não consigo engravidar”.

Vejam o que ele conta:

 

“Pegamos duas mil e trezentas amostragens que é estatisticamente forte, em que vimos homens com a mesma idade e com o mesmo volume ejaculado e avaliamos o quanto era o volume de espermatozoides agora e dez anos atrás. A concentração espermática, que são os números de espermatozoides, veio de sessenta e um milhões, dez anos atrás, para vinte e sete milhões agora. Existiram trabalhos que viram essa história, não com números tão grandes, mas a gente via que não era uma queda muito expressiva.”

O médico vai além e conta que verificaram o mesmo em relação à forma do espermatozoide:

“Um dado muito importante para ver a capacidade do espermatozoide de fecundar o óvulo, chama-se morfologia. Isto é, daquele montão de espermatozoides, uma porcentagem muito pequenininha é viável. Então, consideramos o normal de morfologia de quatro por cento. Quando pegamos aquela população de dez anos atrás, a morfologia média era de 4.6 % e essa população, dez anos depois, foi para 2.7%.  O que também assustou e que são as situações piores em relação à fertilidade é que esse homem tem pouco espermatozoide, que se chama oligospermia,  ou não tem espermatozoide, que se chama azoospermia. Vamos aos números: 10 anos atrás, o número de homens com oligospermia era 16%. Para essa população, dez anos depois, é de 30%. Vamos falar da pior situação que é a azoospermia: 5% dos homens, dez anos atrás, tinham a azoospermia, e agora, 8.5 %. O único fator de mudança foi o tempo e toda essa bagunça no nosso estilo de vida.”

 

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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