Brinco em bebê: colocar ou não?

Quando minha filha nasceu, discutia-se muito o direito da criança sobre seu próprio corpo e a questão de furar a orelha ainda bebê.
Como #maedemenino, eu nunca tinha pensado sobre o tema. E fiquei bem dividida – mas acabei colocando brinco (o avô mandou de presente, eu cedi, mas minha filha #aos5 detesta usar brincos!) e o tema persiste como um incômodo pessoal pra mim como mãe.

A publicação dessa mãe americana ajuda a visualizar a situação:

“Eu sou a mãe, ela é MINHA FILHA, eu vou fazer o que quiser!! Eu tomo todas as decisões por ela até ela ter 18 anos. Eu a fiz, ela é minha!! Eu não preciso da permissão de ninguém, eu acho que é melhor e mais fofo assim e prefiro que ela tenha um piercing. NÃO é abuso!! Se fosse, seria ilegal, mas não é. Pessoas fazem piercings nos seus bebês todos os dias, isto não é diferente. MEU BEBÊ, MINHA ESCOLHA!! ESCOLHA DOS PAIS, DIREITOS DOS PAIS!! Não julguem a minha forma de criar a minha filha, todos nós criamos as nossas crianças de forma diferente, e ninguém tem nada com isso!!”

Antes que critiquem a moça, ela NÃO colocou piercing no bebê!

“Existe um objetivo real na publicação desta mãe. Na verdade, a fotografia não passa de uma montagem feita com Photoshop para colocar o piercing falso no rosto da sua filha.
Tudo isto para chamar a atenção para uma questão muito importante: as alterações desnecessárias nos corpos de crianças. A postagem foi feita para questionar a decisão que os pais tomam ao submeterem seus filhos à circuncisão e também aos furos que as meninas recebem nas orelhas.”

PawinG / Pixabay

E sobre os brincos, como nós agimos por aqui:

Tem algumas coisas que jamais passam pela cabeça de mãe de menino. Uma delas é “se” ou “quando” furar a orelha do bebê para colocar brinco. Depois de 10 anos no contexto ‘qual bermuda combina com a camiseta’ do dia, me vi pensando em mil assuntos relativos ao mundo feminino e a questão “por ou não por brincos” começou a me incomodar ainda na gravidez.

Como morei fora do Brasil, sabia que esta mania de furar a orelha é muito nossa e que a maioria das mulheres do mundo vive bem sem isso. Mas aqui é realmente cultural, toda menina quer ter furo na orelha.

Lembrei muito da minha irmã, a única da família que não ganhou brincos na maternidade e que aos 7 anos queria muito ter furos para usar brincos como as amigas.

Mas até que ponto os pais podem tomar decisões assim pelas filhas? E o “my body, my choice”, mote da campanha que eu sempre apoiei sobre todos os assuntos de empoderamento feminino, como fica?

Manu nasceu e não fomos atrás dos brincos. Para falar a verdade, quase esqueci do assunto. Eis que, numa manhã, chega uma caixa de presente pelo correio na qual o vovô Xará (Manuel, o pai do meu marido) envia uma poesia junto com uma caixa de joias.

Diante de tamanho amor, como não colocar o brinco na pequena?

Atendemos à poesia do vovô, claro. E por sorte achamos um médico acupunturista aqui mesmo, na Mooca, bairro onde moramos em São Paulo, que sabia exatamente onde (o “ponto neutro” na orelha) e como furar. De quebra, recebemos orientações mais seguras sobre os cuidados e contamos com equipamento adequado de esterilização em autoclave e não só fez o furo com todo cuidado, como soube acalmar a bebê – e os pais! (risos)

Mesmo depois de ouvir a história do uso de brincos para ampliar a visão dos piratas (o médico acupunturista, Dr. Walter Douglas Dal Mas tem livros publicados sobre o tema), não encontrei as respostas para meus questionamentos sobre o sim ou não do brinco e confesso que tomei a decisão baseada no meu coração, não na razão.

O resultado, depois de 4 anos?

Minha filha ODEIA usar brincos. Sempre ganha, agradece e guardamos. Sem estresse para ela, sem estresse para quem quer ser gentil com ela.

Simples assim.

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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