Que mãe eu sou hoje, por Vivi Koyama

Estar junto “de verdade”

A Sam nos convidou a fazer uma reflexão “da mãe que eu sou hoje”. E me lembrei de uma cena do filme Tully, em que a protagonista diz que uma boa mãe é “aquela que faz cupcakes dos Minions para os filhos levarem na escola” e a frase simbolizou para mim um tanto de expectativas que criamos para sermos mães amorosas, presentes, divertidas, participativas, eficientes, mão na massa e tantas coisas mais.

Mães que acampam na sala e fazem uma bagunça boa, com certeza criam memórias lindas para seus filhos. Mães que leem histórias todas as noites, fortalecem vínculos. Almoços e jantares em família, regado a conversa e risadas, são preciosos. Estar presente nas comemorações de escola e fazer – manualmente – as tarefas “em família” também contam bem. Levar para passeios além de shopping-cinema-parque, é enriquecedor. Mas e se a gente não dá conta? Isso nos faz péssimas mães?

Desde o nascimento da Mel, tenho me cobrado por “ter caído” na “escala boa mãe”. Estou exausta! É tanta tarefa, compromissos, responsabilidades, necessidades que não sobra para fazer mais que o básico. Quando termino as obrigações “alimentação-banho-saúde-educação”, acabou o dia e amanhã tem que recomeçar tudo de novo.

Meu filho mais velho está com quase 8 anos e acho que ainda estou no caminho, tentando equilibrar a mãe que quero ser com a que dou conta de ser.

A mãe que eu sou é a que quer ser mãe e estar junto. Eu realmente AMO ser mãe (e sempre quis isso!). É definitivamente o meu “papel” favorito. E me lembro disso nos momentos de maior cansaço. Eu quero estar com meus filhos, eu quero acompanhar cada pedacinho do crescimento e da transformação dessas pessoinhas que são o ar que respiro. Eu quero trocar fralda, dar a mamadeira, estar junto no jantar, acompanhar a lição de casa, deitar junto até adormecer, abraçar, beijar muito e sentir o cheirinho especial de filho.

Mas também quero lembrar de quem sou além de mãe – quero resgatar meus hobbies, o cuidado com minha mente e meu corpo, separar tempo no dia para mim – sem culpa. Cada vez vejo o tanto que é importante este resgate de quem somos, pois isso nos humaniza, tira peso, traz leveza e os filhos só têm a ganhar com isso.

São escolhas diárias que vivemos. Não sou lá muito fã de cozinhar, então se vier tarefa para fazer cupcakes eles, definitivamente, serão comprados. Mas passamos horas escolhendo fotos para trabalhos lindos de história da vida que rendem papos gostosos.

Estar presente “de verdade” é o grande desafio. Não adianta ir ver todas as partidas de futebol e ficar no celular resolvendo problema de trabalho (isso já aconteceu muito comigo!). Ultimamente tenho escolhido explicar quando não vai dar para comparecer, e em casa dedicar precioso tempo de conversa olho no olho ouvindo a empolgação de contar os “lances”. Estar inteira no momento, ouvindo, conversando, jogando junto, prestando atenção. Tenho duvidado cada vez mais da tal “multitarefa” e buscado a tal “atenção plena”.

Não é fácil, e sigo tentando. É preciso colocar a máscara de oxigênio primeiro nos adultos, para que as crianças possam ser cuidadas. Sem paciência, cansada, com sono, sobrecarregada, mau humorada – não há boa mãe que exista.

Feliz dia das Mães!

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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