Mitos e verdades na hora de amamentar

A OMS (Organização Mundial da Saúde) orienta que a amamentação deve ser exclusiva até o sexto mês de vida dos bebês e recomenda que as mamães amamentem os bebês por pelo menos dois anos. Só que amamentar não é tão simples quanto podemos acreditar que é. Eu passei os meses grávida acreditando cegamente que a natureza ia se encarregar de cuidar dessa parte. E, de fato, o corpo é muito sábio mesmo, então segui o que minha médica orientou e não fiz nada para preparar os seios. Mas me arrependo muito de não ter pesquisado mais sobre o assunto, de ter me “alimentado” de todas as informações úteis que existem por aí. Minha experiência com amamentação não foi simples no começo e tive que aprender na prática e correr atrás de muito informação já com o Benjamin nos braços.

Há vários mitos que são propagados com muita intensidade. Penso que se tivesse o mesmo esforço para divulgar informação de verdade e qualidade, muitas mães não sofreriam com as lendas urbanas que existem…

Dizem que amamentar dói demais, mas quanto a isso, acredito que dor é sempre algo pessoal. Cada um tem um limite, não é mesmo? Então respeite seu corpo, seu limite e entenda os sinais que suas mamas te darão. Sim, existem vários sinais.

“Nos primeiros dias as mamas podem ficar inchadas e doloridas, mas se os sintomas permanecerem ou piorarem, um especialista deve ser consultado para indicar o melhor tratamento
(Dra. Kelly Oliveira, consultora internacional de amamentação)

Uma das verdades que são pouco anunciadas por aí: há sim uma posição ideal para amamentar! O bebê precisa fazer a pega correta da mamada. A boca do bebê precisa estar aberta, com os lábios para fora e abocanhando a aréola e não só o bico, porque assim o bebê consegue mamar mais e melhor. E também evita machucados no seio da mãe. Aqui acredito que vale minha experiência: no hospital, quase todas as enfermeiras diziam que seria difícil amamentar porque o Benjamin não “pegava minha aréola toda”. Fiquei com isso na cabeça até a consulta com a pediatra. “Você já viu o tamanho da sua aréola? Ele não vai abocanhar ela inteira, olha o tamanho dele… mas isso não é um problema! A péga está perfeita, pode continuar”. Infelizmente não temos que lidar só com os mitos espalhados mundo afora, mas também com muitos profissionais que, de certa forma, padronizam o discurso e atendimento. Mas cada mãe é única, cada bebê é único, cada caso é um caso.

Falando sobre a péga correta, importante saber: se o peito rachar, preciso parar de amamentar? A Dra. Kelly Oliveira diz que “a indicação da interrupção deve ser avaliada com um especialista, uma vez que pode trazer outro problema, como o empedramento da mama. Corrigir a causa do aparecimento do machucado é o indicado, muitas vezes uma simples correção de pega já é suficiente”. Também existe a indicação do tratamento com lanolina 100% que ajuda a curar a lesão de forma mais rápida.

Outro mito é que o tipo de bico da mãe pode fazer com que seja impossível amamentar. Outra dificuldade que eu tive foi que meu bico é plano, no hospital cheguei a usar bico de silicone porque eu queria amamentar, mas não conseguia. E toda vez que eu não conseguia, ele mamava fórmula. Já contei em post aqui no blog que meu marido teve papel fundamental nessa fase, ele aprendeu a “fazer a péga” (como dizem) e conseguimos amamentar Benjamin. Que hoje há está com quase 8kg e pouco mais de 4 meses.

Amamentação: o que o homem pode fazer para ajudar?

É muito importante que a mãe entenda que não existe leite fraco. Uma frase que li muito quando comecei a pesquisar: “peito não é estoque, é fábrica”. Então o leite será produzido especialmente para as necessidades do seu bebê. Esse também é um dos motivos pelos quais a livre demanda é indicada. Só assim o seu corpo vai produzir o tanto de leite que seu filho necessita.

O excesso de leite pode causar mastite, que é a inflamação das glândulas mamárias. O maior cuidado que tivemos no começo da amamentação foi esse, evitar que acumulasse leite. Então massagens e ordenha manual foram nossas melhores amigas nas duas primeiras semanas. Assim eu evitava sentir dor e uma possível inflamação. Ah, e nada de água quente para desempedrar o leite, no hospital indicaram que compressa de água fria era melhor para o alívio da dor.

Já disse aqui no blog e repito:

A gente pensa no quarto perfeito, nos acessórios que vão nos ajudar a criar nosso filho. E tudo bem com isso, em querer o melhor para nossos filhos. Mas no fundo, um bebê precisa mais de contato pele com pele do que qualquer coisa material que possamos oferecer.

Se a gente “perder tempo” estudando um pouquinho sobre amamentação, ganha muito lá na frente. Falo isso por mim, gosto de pesquisar, de estudar e de me informar sobre um tanto de coisa. Sou uma curiosa convicta. Mas passou em branco essa questão da amamentação e corri atrás ainda em tempo. Então, bóra se informar sobre o que é mito e o que é verdade na amamentação 😉

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Sara Martinez, 31 anos, jornalista, cristã, mãe do Benjamin, o milagre de Natal de 2017 e “humana” do Billy, um lhasa apso de #10anos. Escreve sobre o amor que sente por São Paulo no @pelocentro, onde compartilha dicas da cidade juntamente com sua irmã. Gosta de desenhar palavras coloridas no @fasesinfrases. É maratonista profissional de seriados no Netflix, inscrita em mais canais do que consegue assistir no YouTube e leitora apaixonada. No Twitter e Instagram: @sarafcmartinez.

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