Colo em livre demanda

Uma vez, quando visitava uma amiga com bebê novo, eu disse:

“Com a tia Sam, é colo em livre demanda”

E tem que ser assim!

Em primeiro lugar, eu sempre estou disponível para pegar os bebês quando tenho amigas mães porque eu sei que às vezes a gente só precisa dos braços livres por uns minutos, para comer, conversar, abraçar outras pessoas ou só ficar livre!

Mas também porque sou adepta da criação com apego.

Criação com apego e o livro The Successful Child

E agora tem estudos que comprovam que quanto mais você abraça um bebê, mais o cérebro dele cresce.

É o que diz uma pesquisa recente do Nationwide Children’s Hospital, em Ohio, EUA, que avaliou 125 bebês, tanto prematuros como nascidos a termo, e analisou o quão bem eles reagiam ao serem tocados fisicamente, receberem contato humano.

Os resultados indicaram que os bebês que foram submetidos a mais carinho pelos pais ou funcionários do hospital mostraram uma resposta mais forte do cérebro. Isso revela como o contato corporal ou o balanço do bebê nos braços faz uma grande diferença na forma como o cérebro dele se desenvolve.

Abraços que curam

É importante que os bebês prematuros recebam um toque positivo e de apoio, como o contato pele a pele, para ajudar seus cérebros a responderem ao toque suave de maneiras semelhantes àquelas dos bebês que experimentaram uma gravidez inteira dentro do útero da mãe.

10% dos bebês brasileiros são prematuros e só agora há fraldas para acomodar esses pequeníssimos guerreiros

Basicamente, o afeto é vital para o desenvolvimento do cérebro.

Então, acaricie e abrace seus bebês o máximo que puder – e, como lembrou Canto Maternar, não se esqueça de compartilhar essa pesquisa para mostrar a todos que é importante amar os nossos filhos!

Mas Sam, e a tal criação por apego?

CA é um exercício no processo de conhecer o seu filho e é baseada na confiança mútua. Existem ferramentas para isso, mas não exatamente etapas para seguir (como em métodos para treinar as crianças para se comportarem, por exemplo) e nem todas as ferramentas precisam ser usadas – aqui uma delas, a da cama compartilhada, nunca foi natural, nem por isso as crianças sentem-se menos ligadas a nós.

Segundo os autores, seriam sete as ferramentas do apego:
1. Vínculo do nascimento: respeitar os dias e as semanas depois do nascimento para reforçar o processo de criação do vinculo entre pais e bebê.
2. Amamentação: além de dar nutrição superior e proteger contra doenças, o leite materno auxilia na estruturação do cérebro (favorecendo as sinapses) e permite que a mãe aprenda a “ler” as expressões faciais do bebê, o que será importante para sua comunicação futura.
3. Carregar o bebê junto ao corpo: o bebê e a criança pequena aprendem muito quando são carregados nos braços de alguém que cuida deles. Proximidade propicia sensibilidade e conexão.
4. Dormir perto do bebê: com a proximidade dos pais, o bebê aprende que o sono é um estado prazeroso e não ficam com medo de adormecer.
5. Acreditar no valor da linguagem do choro do bebê: sim, o choro do bebê é um sinal e uma forma de comunicação. Responder sensivelmente aos choro do bebê constrói confiança e toda a rede de comunicação entre pais e filhos é promovida.
6. Suspeitar de treinadores de bebê: criação por apego ajuda a conectar-se com seu filho, o ninaremos foca no controle sobre seu filho.
7. Estabelecer equilíbrio e limites: a chave para sobrevivência da família quando chegam os filhos é permanecer em equilíbrio e colocar limites apropriados. É aqui que o pai desempenha seu papel mais importante nesta fase: quando o pai também está envolvido com os cuidados com os filhos e as tarefas domésticos, a mãe tem tempo para se cuidar melhor e desfrutar sua vida conjugal. Permanecer em equilíbrio também requer que você saiba quando dizer não ao seu filho.

O livro Crianças bem resolvidas – O que os Pais Podem Fazer para Ajudar Seus Filhos a Serem Felizes (no Brasil publicado pela Editora Campus) foi presente de amigos e me ganhou na hora por tratar de temas que são frequentes no cotidiano dos pais, muito além das coisas práticas, focando a conversa na formação emocional e moral da criança, buscando ensinar aos filhos como ser bem resolvido e, consequentemente, feliz.

Interessante porque desmistifica alguns pontos – como os referenciais emocionais, ajudando até pais solteiros – e por outro lado ensina muito sobre a importância do contato – visual, físico, sonoro – com a criança desde o nascimento. Vi muito dos meus bebês lá – e indico para quem for ter bebê!

(Leia o texto original, em inglês, aqui)

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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