A casa tóxica: identificando e mudando ambientes nocivos para a mente e o coração

Terça-feira costuma ser dia de conversar sobre a casa por aqui. Literalmente, a faxina costuma acontecer na segunda, né? Mas assim que a parte material de um lar se ajeita, fica mais visível como está a saúde emocional do ambiente e do grupo. Se está tudo bem, as pessoas entram nos ambientes, sorriem e se tratam com amor. Se não, reclamação, desânimo e até hostilidade vão surgindo sem motivo aparente!

É fácil identificar:

“Uma casa equilibrada é uma fonte de bem-estar, um lugar onde sempre queremos retornar, porque encontramos a fonte do suporte que precisamos.”

Credita-se o conceito “ambientes mentais tóxicos” ao ativista ambienta Kalle Lasn, no auge do “movimento verde” e “saúde holística”. Mas orientais, como eu, sabem que as raizes dessa ideia são muito mais antigas.

Cuidar da casa, seja a que vivemos ou o corpo onde nossa alma mora, com ordem, respeito às funções de cada “setor”, permitindo que haja equilíbrio no cotidiano são premissas da vida de qualidade.

Alguns creditam ao Feng Shui chinês (que, dentre várias crendices, faz um trabalho valioso promovendo o conceito de organização e higiene), mas até a Bíblia (que, vale lembrar, também é oriental) tem preceitos sobre organização do lar e cuidados pessoais, além de ensinar a parte maia valiosa de uma casa saudável: o respeito e o amor entre os residentes.

Eu sempre indico o livro A experiência da mesa, de Devi Titus, para falar sobre o tema, pois começa e termina no que importa: a qualidade dos relacionamentos interpessoais.

Receita fácil para fazer com filhos: pãozinho roseta

 

O ambiente familiar é geralmente onde tudo começa, ou onde esses comportamentos construtivos ou tóxicos são perpetuados.

Ah, Sam, achei que seria um texto mais científico… bom, pode ser!

Refeições em família tornam a criança mais confiante

 

Olha o que diz um estudo realizado no University College London:

Cientistas acompanharam por 12 anos mais de 10 mil pessoas E descobriram que aqueles que tiveram relações negativas apresentaram maior risco de ataques cardíacos com consequências mortais.

Outro grupo de psicólogos transferiu o conceito da casa tóxica para a nossa saúde mental, analisando como nosso estilo de vida mudou nos últimos anos e o aumento dos transtornos mentais.

Os dados surpreendem e assombram: em países ocidentais mais desenvolvidos, problemas como a esquizofrenia aumentaram 45% desde 1985, de acordo com a OMS. No Reino Unido, a depressão na adolescência aumentou de 6% para 18% desde 1987!

Como mudar isso? Parte da mudança pode ser iniciada em casa, hoje mesmo.

As atitudes e hábitos que devemos banir das casas:

1. Os gritos

Eles podem começar aos poucos, só de vez em quando, de repente são a regra! E essa mudança de rotina acontece sem nos darmos conta.

Um dia você grita porque você acha que eles não o entendem, no dia seguinte, porque você acha que eles não ouvem você e o outro porque você quer estar certo a todo custo. Assim, eles se tornam pão diário.

Atenção: os gritos escondem o germe da violência.

Eles implicam o desejo de impor poder e subjugar o outro.

Suas consequências para as crianças são ainda pior.

Um estudo realizado na Harvard Medical School revelaram que gritos podem alterar significativamente a estrutura do cérebro infantil e permanentemente afetar a integração entre as duas metades do cérebro, que podem causar problemas de personalidade e afetar o seu equilíbrio emocional.

Como solucionar?

Crie uma regra muito simples: não grite.

Cada membro deve lembrar que gritar não lhe dará mais razão.

É importante cultivar empatia e assertividade.

Os gritos são sempre um sinal da incapacidade de gerenciar a situação.

2. Hostilidade

Se você entrar na casa e de repente você sente como se um peso caísse em seus ombros, provavelmente é devido a uma atmosfera de hostilidade.

Há casas onde não há entusiasmo, onde as pessoas quase nunca sorriem, mas mostram atitudes hostis e agem como se os outros fossem seus adversários.

Nessas casas prevalece a lei do mais forte, por isso é muito difícil encontrar descanso e tranquilidade.

Como solucionar?

Quando a casa se torna um campo de batalha, não há vencedores, todos perdem porque o saldo está quebrado.

Portanto, é importante se concentrar na solução de problemas, em vez de procurar culpados.

3. O drama

Na vida, passamos por momentos dramáticos. No entanto, quando a casa se torna um drama diário, o desespero, a frustração e a depressão logo se estabelecem.

Este drama geralmente vem de pessoas que sempre acham um problema para cada solução, que se concentram apenas nos aspectos negativos da vida e que fazem queixas de seu modo de vida.

Essas pessoas acabam “infectando” a casa, causando uma névoa do pessimismo para flutuar sobre o meio ambiente.

Como solucionar?

Adotando uma atitude mais positiva, que também acabará sendo contagiosa e pode contrariar as atitudes negativas dos outros.

É importante fazer com que essa pessoa veja, sem atacar ou criticar, como suas atitudes prejudicam todos e criam um clima emocional muito negativo.

4. Caos

O espaço onde você passa várias horas por dia acaba influenciando seu humor. Portanto, um espaço desorganizado e caótico pode acabar causando esse mesmo caos mental, é um espaço onde você não quer estar e que gera estresse.

Quando estamos imersos em ambientes desorganizados e caóticos, nosso cérebro tem mais dificuldades em processar informações, o que produz um sentimento de sobrecarga, afeta nossa produtividade e aumenta a ansiedade e o estresse.

No entanto, essa confusão não se refere apenas ao espaço físico, mas também à falta de regras que garantem uma coexistência fluida entre os membros da família.

Sabe aquela saudade da sua mãe que você sentiu logo que casou ou no puerpério? É porque mãe costuma impor essas regras que transmitem segurança emocional.

Como solucionar?

É importante que a ordem prevaleça em todas as famílias e que existam regras de convivência, mesmo que sejam implícitas, para que todos conheçam os limites que não devem ser ultrapassados.

5. A desvalorização

Se os membros da família não são valorizados, apreciados e respeitados, é difícil desenvolver uma boa autoestima e ter a segurança necessária para enfrentar a vida.

Existem muitas formas de desvalorização, de não reconhecer os esforços da pessoa para minimizar continuamente suas conquistas ou mesmo ignorá-las.

Em algumas famílias, são criadas dinâmicas muito nocivas em que um dos membros é rotulado como “ovelha negra” da família disfuncional ou o bode expiatório.

Obviamente, essas dinâmicas não são apenas negativas para aqueles que culparam, mas também para o resto dos membros, pois impede que assumam suas responsabilidades e amadureçam como pessoas.

Como solucionar?

Cada pessoa é única e devemos valorizá-la para isso. Devemos aprender a nos concentrar nos pontos fortes e o que torna cada um especial.

TheVirtualDenise / Pixabay

Cada pessoa brilha com a própria luz, devemos nos certificar de alimentar essa luz, não apagá-la.

Vamos fazer esse exercício cotidiano juntos?

Extraído de Rincón de la Psicología – traduzido e adaptado com mais fontes de pesquisas pelo Portal Raízes, com ajustes de texto e inserção de opiniões do Mãe com filhos.
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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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