Paredes que contam histórias

Bom, agora que já me apresentei e já expliquei um pouco do que acredito, bora começar a conversar sobre como fazer nossa casa se parecer com a gente e não com o decorado que a construtora mostra pra todo mundo?

Decor com filhos!!

 

Existem infinitos jeitinhos de se reconhecer na casa, mas, provavelmente, o mais óbvio de todos é através do que a gente coloca na parede!!! Paredes tem um potencial maravilhoso pra contar um pouco da nossa história, dos nossos gostos, dos nossos de sonhos…

Acho que, para fins didáticos, podemos separar em dois grandes grupos aquilo que colocamos nas nossas paredes (e na nossa casa, em geral): o primeiro grupo é daquilo que compramos; o segundo grupo é o nos chega através da nossa história.

Sobre o primeiro grupo, o que podemos dizer é que hoje em dia tem centenas lojas que vendem posters e quadros de todos os tipos, centenas de galerias com curadorias maravilhosas de obras de arte, artistas talentosos aos montes em redes sociais…  Mas como escolher dentre tantas opções legais algo que legitime o que você sente lá dentro, que não seja apenas uma escolha aleatória? Em “A Arte Como Terapia”, Alain de Botton e John Armstrong discorrem, com a didática e a clareza de sempre, sobre o que eles consideram as 7 funções da arte, e dentre elas está a compreensão de si:

“Não somos transparentes com nós mesmos. Temos intuições, suspeitas, palpites, vagas reflexões e emoções estranhamente contraditórias, e tudo isso resiste a uma definição simples. Temos estados de espírito que não conhecemos bem. Aí, de vez em quando, topamos com obras de arte que parecem agarrar algo que sentimos, mas que nunca havíamos notado com clareza.(…)Em outras palavras, uma parte esquiva e fugidia do nosso pensamento, da nossa experiência, é pega, editada e devolvida a nós mesmos melhor do que era antes, de forma que enfim, nos conhecemos com mais nitidez.”

         Então, sempre digo que, se você não sabe qual critério adotar na hora de comprar algo pra sua casa, ao invés de olhar na revista a tendência da última temporada, use o critério que o Botton explicou tão bonitinho pra gente!

         Sobre o segundo grupo, não sei se existe algo mais genuíno em uma casa do que aquilo que chegou até você por herança, como presente, que foi feito com suas mãos… O objeto que, muito além do poder de escolha-compra, vem carregado de afeto, de amor, de memória e toca a alma do morador por ter um significado que é inerente à sua história e às suas relações. É muito poderoso ter em casa algo que te lembre coisas que só dizem respeito a você!  E se você acha que não possui nada assim em casa, deixa eu te lembrar que quase tudo pode ser emoldurado e virar uma “arte” muito pessoal que vai imprimir a sua personalidade na sua casa.

         Costumo incorporar nos projetos dos clientes fotos de viagens, páginas de livros, cartas antigas de família, aquela tapeçaria que a bisavó costurou pra vó e que foi passando até chegar ali, desenhos dos filhos…  Não há limites,  se te afeta, se te emociona, se te leva pra algum lugar legal (seja do passado, seja pra onde você quer ir) tá valendo a pena ir pra parede!

         Vale lembrar que a casa da gente é igual a um quebra-cabeça! Ela vai mudando, encaixando, desencaixando, ganhando vida e sentido próprios quando colocamos nela mais da gente e menos dos outros! Aproveita o feriado da semana que vem, coloca uma música boa, mexe nas gavetas, naquela caixa de fotos e cartas amareladas e começa a olhar com carinho para coisas que você tem guardadas e que podem ir para parede ou para estante a fim de lembrar todo dia que aquela casa é o seu canto no mundo!

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Marina Guanaes

Marina Guanaes, carioca, casada, mãe da Beatriz #aos8 e da Cecilia #aos5. Se deixou mudar pela maternidade e virou designer de interiores, sua vocação desde sempre. Adora escrever, ainda mais sobre o morar, faz diários desde 1990, mas não guarda nenhum... Começou a escrever em blogs em 2007 e acredita que eles tem um potencial incrível de aproximar pessoas! Gosta de casa cheia, mesa farta e mate gelado. Ama muito viajar, mas ama mais ainda voltar pra casa! Não tem site, mas tem instagram: @marinaguanaesinteriores

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