O que cansa na maternidade não é o bebê, mas a falta de suporte para se dedicar a ele

Que texto! Revivi meus puerpério e pensei em queridas que são exemplos de parceria como nova mãe e nova avó.

Que o Senhor me permita ter essa cumplicidade e disponibilidade quando for a minha vez de apoiar uma nova mãe dos meus descendentes.

#abreaspas para Renata Senna Doula:

“O que cansa na maternidade não é o bebê, mas a falta de suporte para se dedicar a ele.

O que esgota não é estar disponível 24h por dia para atender as mamadas em livre demanda, mas ter que levantar, buscar bebê, colocar para arrotar, devolver ao berço. Várias vezes por dia e noite.

O que consome não é ficar à disposição de todas as necessidades do bebê, mas ter que viabilizar o suprimento de cada uma. Para o bebê ter leite, a mãe precisa se alimentar bem. Para ela se alimentar, a comida precisa ser comprada, trazida para casa, higienizada, cozida, colocada no prato, a sujeira deve ser limpa para começar tudo de novo na próxima refeição.

O que leva a mãe à exaustão não é o bebê que chora por cólica, frio, solidão ou sem motivos aparentes, mas a falta de amparo nessas horas. A falta de alguém para ouvir seus medos e pensar junto numa possível solução, alguém que diga que está tudo bem ou que oriente, e a acompanhe, a um atendimento médico.

O que faz a mãe se sentir culpada não é o turbilhão de hormônios que alteram seu humor e a fazem se sentir péssima, mas é a falta de oportunidade de se dedicar a si mesma, ao relacionamento, aos Hobbies, aos outros filhos, se for o caso, e ao próprio bebê. A cascata de funções enxurra a cabeça da mãe e, obviamente, ela não dá conta de tudo. A casa precisa ser limpa, roupas lavadas, os filhos cuidados, entretidos, educados, o relacionamento precisa ser regado, a mulher precisa dormir, tomar banho, ficar em silêncio, ler um livro.

O que cansa na maternidade é NÃO TER apoio. É não ter quem segure o bebê para que ela tenha seu momento, não ter quem providencie os demais cuidados, não ter quem se responsabilize por suas outras atribuições. Então ela se cobra. E quem ganha a má fama é o bebê.

Tudo o que o bebê quer, e precisa, é ficar com a sua mãe. Que feliz seria se ela pudesse apenas se dedicar a este momento de maternagem com all-inclusive.”

The following two tabs change content below.

Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

Latest posts by Sam Shiraishi (see all)

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *