Mãe do corpo

Oi, meu nome é Jackeline. Tenho 25 anos, sou fotógrafa, mãe, madrasta, esposa, cristã e muito dramática.
Eu venho de uma família não muito tradicional, sou filha de pais separados, fui criada pelo meu padrasto e pela minha mãe que é a mulher mais forte que eu conheço, não diferente disso o meu bando também é bem plural, nossa família é composta por mim, meu marido, minha enteada Júlia hoje com 13 anos e nossa pequena Olívia hoje com 1 ano.
A minha inserção no mundo da maternidade começou um pouco antes de ser mãe quando comecei a fotografar partos naturais, foi uma experiência linda e incrível, e comecei a pesquisar sobre, ver documentários, me aproximei de mulheres e de redes de apoio para que pudesse fotografar mais organicamente, me apaixonei tanto por esse universo que foi assim que trouxemos Olívia ao mundo, mas isso eu conto outro dia.
Nos últimos 2 anos passei por processos que considero muito importantes, a transição capilar (parei de alisar o cabelo depois de 10 anos), me redescobri, me reconheci e mesmo que libertador um processo difícil e doloroso, porque eu sou muito dramática como eu já disse e tudo é muito profundo e intenso comigo (risos).
E a gravidez outra experiência intensa, avassaladora que me tomou por completo. Depois do nascimento da Olívia passei por um quadro de quase depressão e isso não tem nada a ver com o meu forte pro drama, foi punk mesmo.

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Mãe do corpo Desde pequena ouvia dizer que depois de parida a mulher sente na barriga mexer como se fosse o bebê e que mesmo não estando mais gràvida a mãe do corpo se movimenta e as vezes isso durava toda vida. Nunca tinha feito sentido pra mim. Quando engravidei me sentia ansiosa pra barriga crescer o que demorou uma eternidade e antes que eu ficasse redonda e me sentisse enorme (forma essa que eu amei e me senti plena) o corpo ficou estranho e desforme. E quando a gente se acostuma a nossa forma preenchida a criança nasce e o corpo fica vazio, não da forma que era antes, mas vazio de uma forma como nunca esteve, as vezes demora um pouco pra entender que o que antes preenchia o corpo preenche agora a vida. Tenho visto a agonia das mulheres pra aceitar o novo corpo, as marcas da gestação e a cobrança pra que se volte ao que se era, agonia essa que também é minha. Impossível, um corpo que abriga, protege e alimenta outro corpo não é o mesmo nunca mais. Dia desses pensando neste projeto fotográfico de fotografar as mães sem esconder as marcas da gestação, fui pesquisar sobre a Mãe do Corpo, diz uma lenda amazônica que a tal Mãe procura pelo bebê no corpo da mulher depois do parto e que precisa ser acalmada pois se não o fizer pode até fazer mal a mulher, na Amazônia o ritual é feito colocando sobre o ventre da mulher recém parida a placenta, diz-se palavras confortando a Mãe do corpo, que o bebe está bem e será cuidado, logo depois derrama-se no ventre o óleo de andiroba. Procurando bem descobri que a Mãe do Corpo é o útero e suas contrações que o fazem voltar pro lugar, mas pensando bem é a mulher quem precisa se acalmada, quem precisa ouvir que está tudo bem, que o bebê está aqui fora e que o corpo não será mais o mesmo. Ainda bem! Se você quer participar sendo fotografada me chama inbox, se tem vergonha mas quer contribuir contando a sua história me chama também.

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Larguei a fotografia durante todo o primeiro ano de Olívia agora estou retomando aos poucos e encabeçando um projeto lindo chamado mãe do corpo que fotografa mulheres e suas relações com seus corpos pós parto e dá a elas a oportunidade de contar suas histórias.
Que feliz estou em estar nesse espaço de mães e mulheres incríveis, já disse aqui de toda minha intensidade então quando digo que estou feliz eu estou feliz mesmo, super feliz, feliz pra caramba. Espero que mesmo nesse meu começo de viagem a maternidade eu possa compartilhar algo de bom com todas vocês além de toda essa euforia é claro.
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Jackeline Lima 25 anos, fotógrafa, idealizadora do projeto Mãe do Corpo, madrasta da Júlia com 13 anos e mãe da Olívia com 1 ano e 2 meses, casada com um ator e palhaço muito maluco. Apaixonada pela maternidade, educação e por fotografar nosso cotidiano que na nossa família não é nada comum.

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