Projeto Botinho – traz esperança, senso de coletivo. Vale conhecer e apoiar

Eu queria conversar mais com os bombeiros e corrigir possíveis erros por não conhecer os termos corretos da corporação do Corpo de Bombeiros, mas acredito que os moradores do Rio de Janeiro, os brasileiros, precisam de boas notícias e de conhecer projetos como o Botinho.

Em meio a uma semana pré-carnaval muito violenta, crianças sendo atingidas por balas perdidas e intervenção militar, preciso, até para manter minha sanidade mental, lembrar que existem ainda muitas pessoas procurando fazer o bem.

Para quem não conhece, o Projeto Botinho é a colônia de férias oferecida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro desde 1963 e foi criado com o principal objetivo de educar crianças e adolescentes sobre o mar. Meu filho participou pela primeira vez este ano e foram duas semanas de muito aprendizado.

Nestas duas semanas no Projeto Botinho meu filho:

  • aprendeu a respeitar o mar,
  • a estar na praia em segurança ou reconhecer valas.
  • correu, nadou,
  • andou de jet ski,
  • competiu em grupo e individualmente (entendeu que as medalhas foram para quem mais se empenhou ou tem maior aptidão para uma atividade determinada),
  • aprendeu a posição dos pontos cardeais em relação à praia,
  • fez polichinelos, flexões e abdominais,
  • escutou a fala de pessoas que resgatam e reabilitam animais marinhos,
  • entendeu que o lixo na praia é muito mais prejudicial do que simplesmente o ambiente sujo
  • aprendeu a cantar músicas,
  • a responder “entendido sim senhor” (respeitar hierarquia),
  • a formar e cantar o hino (me emocionava todos os dias na hora do hino).

E por que tanta emoção? Com a crise, ano passado o Botinho não aconteceu. Este ano os Bombeiros não aguardaram o apoio do governo. Os próprios guarda-vidas buscaram apoio de empresários locais. No meu bairro, Recreio dos Bandeirantes, o projeto só ocorreu por conta do apoio do Shopping Cittá, da sorveteria Vip, dos funcionais (nome) e do o Butecão.

Sem o apoio do estado, os guarda-vidas doaram suas horas. Isto mesmo, a grande maioria não recebeu pelas 3 horas diárias dedicadas ao projeto. As medalhas entregues aos ganhadores das competições foram compradas pelos próprios guarda-vidas.

Confesso que não foi fácil conciliar trabalho e ficar 3hrs na praia todos os dias, não importava se com sol ou não. Foi cansativo, mas foi lindo e me encheu de esperança.

Durante as 3hrs diárias os pais:

  • se revezavam levando água para as crianças,
  • ajudavam as crianças cujos pais não tinham condições de ficar,
  • dividiam as sombras das barracas,
  • dividiam os cuidados com os pertences,
  • dividiam suas águas e lanches.

Se entre as crianças uniformizadas não ocorria distinção entre classes sociais, raça ou crenças; o mesmo espírito foi tomando conta dos adultos. Logo surgiu a ideia de um café da manhã coletivo na data de encerramento. Estou entre um grupo de pais que deseja colaborar buscando patrocinadores para o ano que vem.

O café da manhã foi lindo! Pranchas viraram mesas. Quem podia colaborar mais colaborava, sem cobrança, apenas por entender que fazemos parte de um coletivo.

A gincana entre as crianças angariou alimentos não perecíveis. Os salva-vidas forma além de doar seu próprio tempo e entregaram as doações para o lar Maria de Lourdes que cuida de crianças com microcefalia na zona oeste do Rio de Janeiro.

Agradeço a todos os guarda-vidas envolvidos. Agradeço às famílias dos mesmos que deixaram de ter seus familiares por mais horas do dia e certamente os recebiam cansados e roucos em casa. Um salve especial para o cabo Thiago, o Sargento Gilson e o Sargento Serrano que estavam a frente do projeto no meu bairro e ainda participam do grupo de pais no WhatsApp.

Vocês não só proporcionaram férias inesquecíveis para nossos golfinhos, moby dikes e tubarões, vocês trouxeram alegria e esperança.

E quem quiser ajudar para que possam atender mais crianças em 2019, comente aqui pois em breve teremos o caminho estruturado para isto.

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Anamaria Mendes

Anamaria Mendes, 44 anos, mãe do Lucas, #aos10. Profissional multipotencial. Criativa por natureza, formada em design gráfico, pós-graduada em marketing, ama as duas áreas com a mesma intensidade. Apaixonada também pelos temas maternidade e educação. Adora conhecer e interagir com pessoas diferentes e aprender com cada contato. Está sempre criando novas formas de conciliar maternidade e vida profissional. Colaboradora do canal de YouTube FunToysBrinquedos, criado por seu filho e hoje produzido em família para motivar o brincar. Compartilha um pouco disto tudo no Instagram e Twitter @MaeMaluquinha.

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4 Replies to “Projeto Botinho – traz esperança, senso de coletivo. Vale conhecer e apoiar”

    1. As inscrições devem ocorrer na segunda semana de Dezembro. Geralmente o Corpo de Bombeiros anuncia dias antes no Facebook deles. Um responsável deve ir com foto, atestado médico liberando para atividades físicas e documento (identidade ou certificado de nascimento) e algum documento do responsável para confirmar.
      As inscrições devem ser feitas no Corpo de Bombeiro do bairro onde seu filho(a) fará a colônia de férias

    1. Fabrícia, as inscrições devem ocorrer na segunda semana de Dezembro. Geralmente o Corpo de Bombeiros anuncia dias antes no Facebook deles. Um responsável deve ir com foto, atestado médico liberando para atividades físicas e documento (identidade ou certificado de nascimento) e algum documento do responsável para confirmar.
      As inscrições devem ser feitas no Corpo de Bombeiro do bairro onde seu filho(a) fará a colônia de férias

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