Início das aulas: época de fazer exame de vista

Milhares de crianças vão voltar às aulas ou irão à escola pela primeira agora neste início de ano. Muitas podem apresentar dificuldade de aprendizado por um motivo que pode ser corrigido rapidamente: problema de visão. Por isso, é aconselhável que anualmente os pais levem as crianças para fazer exame de vista antes do início das aulas, o que evitará muitos transtornos.

Para evitar que a descoberta de qualquer irregularidade na visão seja percebida depois de ter dor de cabeça ao assistir às aulas, ficar no computador ou ainda com a presença de algum problema grave – você se pergunta quando deve levar seu filho pela primeira vez ao oftalmologista.

Não existe uma resposta padrão para esta pergunta, mas o recomendado é fazer o primeiro exame entre o terceiro e sexto mês de vida do bebê. Posteriormente deve-se manter uma visita regular ao oftalmopediatra, de seis em seis meses até os dois anos de idade – após a criança completá-los, é aconselhável uma visita anual.

Por aqui, as primeiras consultas em especialista foram com 3 anos de idade, antes o pediatra avaliava em exame clínico se estava tudo bem. Como meus filhos não apresentavam nenhum problema congênito, pudemos deixar a avaliação do especialista para mais tarde. 

Este é um esquema padrão para crianças saudáveis, que pode variar conforme o resultado dos exames.

Quanto antes os exames forem feitos, maiores as chances de prevenir doenças, sabe por quê?

Eles detectam diferenças significativas de refração (grau) que levam ao desenvolvimento da ambliopia (quando acontece redução ou perda da visão sem que o olho afetado apresente alguma anomalia na sua estrutura). Também são capazes de detectar doenças como o estrabismo congênito e a catarata que são tratáveis se descobertos a tempo, sem maiores complicações.

Os exames ainda podem identificar tumores e a presença de retinoblastoma, um tumor maligno na retina.

Assim, você estabelecerá a cultura da prevenção e tem a oportunidade de tratamento, caso algo seja identificado.

 

Veja as idades-chave para exames:

  • Entre 3 e 6 meses: detecta problemas relacionados ao desenvolvimento, má formação.
  • Entre 2 e 3 anos: além dos problemas relacionados ao desenvolvimento, detecta estrabismo, anisometropia.
  • Entre 6 e 7 anos: detecta erros refracionais que podem prejudicar e até impedir o bom resultado escolar no início da alfabetização.
  • Entre 12 e 15 anos: aparecimento de miopia mesmo nos indivíduos que não tinham o problema.

E se você acha que estamos exagerando, tenho dados que podem mudar sua opinião:

Uma pesquisa do Centro de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) — TIC Kids On-line — revela que cerca de 69% das crianças e adolescentes do Brasil, na faixa dos 9 aos 17 anos, utilizam a internet mais de uma vez por dia.  Os dados confirmam o crescente acesso dos brasileiros aos benefícios da tecnologia, mas, ao mesmo tempo, desvendam uma nova preocupação: as ferramentas eletrônicas estão contribuindo para o aumento da miopia entre os pequenos.

De acordo com levantamentos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam problemas de vista.
A miopia é a campeã e já é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a epidemia do século.
O uso de celulares e computadores por mais de seis horas diárias, segundo Diniz, pode levar ao agravamento dessa patologia em crianças e adolescentes.

 

Entendeu agora porque o início do ano é o momento certo para os pais levaram seus filhos para fazer um exame de acuidade visual?

As férias (cada dia mais virtuais e menos externas e com brincadeiras físicas) acabaram e as crianças podem estar sentindo cansaço visual. Aconteceu por aí?

Há dois verões, meu filho adolescente tinha o que parecia uma “alergia sem fim” nos olhos e ao consultar a oftalmologista, descobri que era falta de lubrificação nos olhos porque, ao jogar no computador, ele piscava menos! Pode? Pode e é grave! Ele teve que usar um colírio que imita lágrimas (fresh tears) e seguir a recomendação da médica de  parar a cada meia hora!

O diagnóstico dele foi fadiga ocular, a astenopia, a resposta do olho contra um esforço muscular excessivo durante um longo período de tempo.

Veja os sintomas:

  • Olhos ardentes e coceira, vermelhidão, olhos lacrimejantes, e maior sensibilidade.
  • Problemas visuais, ou seja, dificuldade em focar, ver manchas no campo visual, visão borrada, fotofobia (sensibilidade à luz), etc.
  • Outros sintomas que podem ocorrer relacionados a este problema são dor de cabeça, tontura, contratura, entre outros.

 

Sinais de problemas de visão

Alguns sinais de problemas de visão podem ser percebidos facilmente pelos pais e professores.

Por exemplo, quando a criança chega muito perto da tela de TV ou tablet, sente dores de cabeça constantes, comprime os olhos para conseguir ler ou enxergar algo ou frequentemente esfrega os olhos. Na escola, demora mais do que os colegas para copiar as atividades, tem falta de atenção ou necessidade de sentar muito perto do quadro-negro.

Quem dá essas dicas é Daniela Iamamoto, presidente do Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo.  Os optometristas são profissionais aptos a atender crianças e adultos e indicar o uso de óculos e lentes de contato em casos de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.  “Eles também planejam e conduzem a reabilitação visual para estrabismo, ambliopia e outras alterações da visão binocular”, afirma Daniela. Porém, como profissional não-médico, não prescreve medicamentos e não trata de patologias.

 

O que é optometria

A optometria é uma ciência da área da saúde, não-médica, especializada na função visual.  O optometrista avalia a saúde visual, ocular e sistêmica, identifica preventivamente suas alterações e indica, quando necessário, soluções ópticas, terapêuticas e encaminhamentos a outros profissionais.

Para ser optometrista é necessário ter diploma de técnico ou superior nos cursos de Optometria em uma instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).  O profissional pode trabalhar em óticas, clínicas interdisciplinares, consultórios e clínicas de medicina do trabalho.

Neste vídeo no programa dá para saber mais:

 

E como ainda precisa de informação para as pessoas entenderem essa profissão… gente! Olhem esta matéria contando de decisões judiciais:

 

Mas Sam, quem cuida dos olhos não é um médico?

Entenda as diferenças entre Oftalmologistas, Optometristas e Ópticos.

 

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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