“Promessas” de Ano Novo

(Meu ano começou oficialmente hoje. Mas confesso que eu queria descansar mais um “cadinho”).

Há muitos anos não faço promessas nem traço metas de ano novo. Essa atitude veio como parte de um amadurecimento, uma compreensão, de que o melhor jeito de viver é um dia por vez, com os desafios de cada dia. E também por um esvaziamento de expectativas, fruto de muita busca por autoconhecimento e paz interior. Daí, ao menos para mim, perdeu o sentido entrar naquele famoso cenário “este ano será diferente” (se bem que tem lá a sua graça crer nisso rsrs).

Mas… (tracei uma meta, ou ela me traçou).

A vida nos prega algumas peças, algumas pequenas rasteiras que fazem a gente olhar pro chão que está pisando.

2017 foi um ano muito intenso, em mais de um sentido. Foram muitas realizações, coisas muito bacanas mesmo, mas tão corrido, exaustivo e demandante quanto! Quem me conhece bem de perto, sabe que sou dos extremos, de me jogar com a mesma devoção na alegria e no sofrimento, mas tem uma força maior que parece estar no comando: a passagem do tempo! Minha velha (tá, nem tanto assim) carcaça padeceu com a intensidade do ano. Fiquei doente várias, sofri um acidente doméstico, me alimentei mal, quebrei dois dentes e, embora eu tenha me empenhado em respeitar alguns dos meus limites, encerrei o ano exausta, com a coluna acusando que, ainda que haja em mim muita vida e energia produtiva, preciso fortalecer o corpo que as carrega (rir pra não chorar hahaha).

Tinha uma jaqueira no meio do caminho

Hoje encontrei uma jaqueira no meu caminho. Por uma distração de uma cabeça que resiste em voltar das férias, perdi meu ponto e fui parar um pouco acima do meu destino. E como eu acredito que nada é por acaso, encontrei essa beleza, nem tão grande (já vi maiores), mas com viço e forca capaz de dar conta de carregar frutos imensos.

O que é um fruto, senão o resultado de todo um investimento? Imagino que uma árvore, antes de ser árvore, enfrente milhares de adversidades tentando “vingar” e dar conta do ápice de sua existência. E esse processo se repete por muitos e muitos ciclos enquanto ela vive.

Eu me vi na jaqueira. Se começar o ano é viver um novo ciclo, estou precisando “adubar” minhas raízes, fortalecer “meu tronco” e trocar minhas folhas para que a nova “florada” aconteça.

Vi uma brincadeira no facebook que era algo assim: “me dê um conselho baseado no que você aprendeu este ano”. Eu passei 2017 exercitando algo que eu aprendi junto com a dureza da maternidade: ser gentil comigo mesma. Eu acordei mais cedo pra tomar aquele café tranquila. Eu silenciei quando o cansaço foi maior que meu desejo de compartilhar. Eu me desloquei bem menos por sentir que minhas “pernas” podiam sofrer mais. Eu comi brownie. Eu recuei de conversas que poderiam não ter desfecho bom. Eu li menos textões e polêmicas. Eu advoguei menos em favor de causas e bem mais em favor de singularidades. Eu acolhi e cuidei de quem se dispôs a vir porque em muitos momentos eu não dei conta de ir. Eu parei (tentei ao menos) de perguntar quando a resposta não vinha. Eu deixei verter minha alma em todas as vezes que ela precisou transbordar. Eu disse não quando deu pra dizer não. Eu fui pra terapia e interpretei meus sonhos. Eu deixei dores antigas ressuscitarem e falei incansavelmente delas para serem gastas à contento. Eu escolhi onde deveria colocar minha energia para não me perder mais do que a própria rotina já me engolia. Eu li coisas bobas, fui ao cinema só pra me divertir e cantei, cantei, cantei.

Foto tirada em outubro de 2014, no Jardim Botânico do Rio (acervo pessoa).

Mas eu só fui ao dentista quando o dente doeu. Não fiz os exames que o médico pediu e sofri horrores pra cortar as unhas daqueles dedinhos pequenos por pura preguiça de voltar no oftalmo, porque eu já elaborei a triste constatação de que meus braços estão ficando muito curtos rsrsrs.

Minha meta pra 2018 é agir em favor da minha saúde ao invés de só me poupar de mais desgaste, como fiz no ano passado. Hoje já fui ao oftalmo, agora só falta fazer o óculos hahaha.

E que a jaqueira me encontre mais vezes, para que eu não mais me esqueça de que raízes e tronco fortes e bem cuidados é que conseguem carregar frutos tão bonitos.

Feliz 2018!

* Ofereço este texto à nossa querida Anamaria, que faz aniversário hoje. E eu compartilho com ela e com todas as amigas aqui o desejo de que o ano que se inicia seja mais leve e saudável, em todos os aspectos das nossas vidas.

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Nivia Gonçalves Masutti, Psicóloga, Psicoterapeuta Existencial, com experiência em Saúde Pública e Saúde Mental e em Recursos Humanos. Deixou o serviço público e mais tarde, a vida corporativa, ao perceber que, mesmo sendo apaixonada pela correria do trabalho, a maternidade é a sua melhor parte. Mãe de primeira e de segunda viagem, da Luiza e do Guilherme, depois de muitas rupturas e recomeços, encontrou na Psicologia da maternidade, um jeito novo de conciliar as coisas que mais ama: a Psicologia e os filhos. Apaixonada pelos processos de crescimento e transformação do ser humano e pela força dos grupos, atua hoje com atendimentos clínicos individuais, coordena um grupo de pós parto, o Grupo de "Powerpério", na Lumos Cultural, e ainda encontra energia para juntar na sua prática profissional outra paixão: fazer pães, usando o processo de fabricação dos mesmos como metáfora para explicar os caminhos de transformação pessoal.

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