Como ajudar e apoiar uma criança superdotada?

O Ministério da Educação trabalha na criação de um cadastro nacional com as principais informações sobre os estudantes superdotados do país, com a  intenção de criar políticas públicas que alcancem esse público e auxiliem no melhor desenvolvimento dessas habilidades especiais.

Ouvi o programa Educação no Ar com a pesquisadora Olzenir Ribeiro, do Instituto Expert Brasil, e aprendi bastante.

Mestra e doutora em educação e especialista em gestão de instituições educacionais pela Universidade Católica de Brasília, a especialista atua na área de concentração de ensino e aprendizagem com estudos em desenvolvimento nas áreas da criatividade e de altas habilidades e coordenou o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação no Distrito Federal (NAAHS) e atuou na consultoria aos estados para implantação do atendimento especializado de estudantes superdotados.

Eu vivi esta realidade há muitos anos, quando meu filho mais velho, que desde o segundo ano de vida demonstrava altas habilidades, foi convidado pela escola que frequentava a fazer um diagnóstico clínico de superdotação. O resultado o colocou, a partir dos 6 anos de idade, como um aluno que precisava de apoio dos professores para aproveitar essas habilidades, autodidatismo e criatividade para persistir na escola formal.

Neste mês ele inicia a faculdade e posso dizer que foi tudo bem. Por falhas das escolas particulares que ele frequentou e por uma escolha nossa (de não colocá-lo num ritmo estressante de competição intelectual), ele não participou de projetos especiais para superdotados, mas concluiu o tempo de escola bem e estou certa de que ele terá uma vida acadêmica feliz e uma longa vida profissional realizada pela frente.

Mas, admito, hoje eu faria as coisas um pouco diferente, a começar por buscar apoio nas instituições públicas.

Por isso, deixo aqui algumas dicas para os pais  que vivem esta realidade em casa e para os professores que encontram alunos assim na sala de aula. 

A seguir reuni em tópicos algumas das minhas leituras sobre o tema:

Quais são os desafios da escola e da família para apoiar estes alunos?

“Os desafios na educação dos estudantes com altas habilidades são inúmeros e se dividem, principalmente, entre a família e a escola. O mais sério, instigante, provocante, e que vem causando maiores problemas na educação escolar, é a identificação pelo professor do perfil desse aluno, pela capacidade rápida de aprendizagem. Já na família, o que mais angustia os pais é a intensa curiosidade dos filhos superdotados e a não aceitação de rotinas.”

Quantos são estes estudantes?

O Censo Escolar de 2016 registrou quase 16 mil estudantes com superdotação em todo o país.

Estudos internacionais demonstram que o porcentual de crianças superdotadas ou com altas habilidades varia de 10% a 15% da população.

No Brasil, as estatísticas apontam um número menor, devido às dificuldades de identificação que ocorrem nas escolas. Em 2008, foram identificados, até o mês de outubro, 2.100 alunos com altas habilidades.

“Aqui a superdotação é encarada como um mito. As pessoas pensam em supergênios ou heróis quando, na verdade, é um fato comum e corriqueiro”
Marta Clarete Dutra, coordenadora de articulação de políticas de inclusão junto aos sistemas de ensino do Ministério da Educação

E o que fazer para estimular o aprendizado desses estudantes?

Basta que o professor entenda que ele é diferenciado e permita que ele dirija o seu aprendizado. E que os pais consigam encontrar paz neste assunto também, pois o autodidatismo criativo é natural neles.

Quem detecta as altas habilidades do aluno?

Geralmente esta percepção vem da escola. Os alunos podem ser indicados por professores, pela família ou procurar, eles mesmos, o atendimento, caso se identifiquem com o perfil de altas habilidades. Em todos os casos, devem passar por um período de observação, no qual vão desenvolver atividades exploratórias de conhecimento em espaços disponibilizados pelo MEC em vários estados, com atividades de instrumentalização e de projetos para resolução de problemas vinculados a áreas de interesse, tais como astronomia, botânica, literatura e sustentabilidade.

Onde estão estes núcleos de atividades?

Todos os estados brasileiros possuem um Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAHS) que atuam com alunos matriculados na rede regular de ensino que tenham indicativo de altas habilidades ou superdotação.

A ação dos NAAHS é estruturada em três vias: atendimento ao professor, ao aluno e à família.

Ao professor, são dadas orientações tanto para a identificação dos estudantes quanto para melhor inserção deles em sala de aula.

Já à família, são dadas instruções para que não haja a construção de expectativas que, a longo prazo, comprometem o desenvolvimento emocional das crianças.

“As famílias acabam por pressionar os estudantes com suas próprias expectativas e os núcleos ajudam-nos a lidar com isso.”

Como cuidar destes jovens?

A professora Leila Branco, que atua há dez anos no atendimento educacional especializado a alunos com altas habilidades–superdotação, afirma que o desenvolvimento da autoestima dos estudantes é, para ela, o resultado mais importante, pois o aluno com altas habilidades é invisível ou rotulado no contexto escolar, muitas vezes incompreendido. Ele fica feliz ao participar do atendimento especializado e ao encontrar outros alunos que tenham paixão por aprender assuntos incomuns ou motivação intrínseca para realizar projetos.

Qual o termo certo: superdotação ou altas habilidades?

A pesquisadora Olzenir Ribeiro afirma que as diferenças ficam concentradas no campo teórico, já que a superdotação indica que um contingente da população tem aprendizado acima da média. Ou seja, uma alta habilidade em alguma área.

Saiba mais sobre a Construção de Práticas Educacionais para Alunos com Altas Habilidades/Superdotação:

A proposta de atendimento educacional especializado para os alunos com altas habilidades/superdotação tem fundamento nos princípios filosóficos que embasam a educação inclusiva e como objetivo formar professores e profissionais da educação para a identificação dos alunos com altas habilidades/superdotação, oportunizando a construção do processo de aprendizagem e ampliando o atendimento, com vistas ao pleno desenvolvimento das potencialidades desses alunos.

Para subsidiar as ações voltadas para essa área e contribuir para a implantação, a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação – SEESP, convidou especialistas para elaborar esse conjunto de quatro volumes de livros didático-pedagógicos contendo  informações que auxiliam as práticas de atendimento ao aluno com altas habilidades/superdotação, orientações para o professor e à família.

A versão eletrônica desse documento está disponível para download em formato TXT e PDF.

  • Encorajando Potenciais – txt | pdf
  • Orientação a Professores – txt | pdf
  • Atividades de Estimulação de Alunos – txt | pdf
  • O Aluno e a Família – txt | pdf
The following two tabs change content below.

Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

Latest posts by Sam Shiraishi (see all)

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *