Quais os perigos do uso indiscriminado de antibióticos?

Sempre que penso em antibióticos relembro de uma cena que presenciei quando morava no Japão: duas brasileiras conversavam e uma delas contava que o filho estava resfriado. A outra, de imediato, gentilmente ofereceu um frasco do remédio que tinha em casa, parte da cota que a família enviava mensalmente do Brasil. Este envio periódico tinha um motivo: no Japão não se vende remédios sem controle do médico. Anos depois, aqui no Brasil nós também (felizmente!) temos grande dificuldade para comprar medicamentos como antibióticos, e as receitas dos médicos, geralmente com a quantidade exata que deve ser consumida para sanar o problema de saúde, fica retida na farmácia que nos vende.

maleta da Doutora Brinquedos. A foto é de brinquedo, mas o post que estou produzindo agora para o @avidaquer é sério: com saúde não se brinca! Daqui a pouco entra no ar um texto sobre a importância da receita médica e o cuidado com o uso de medicamentos

Mas ainda tem gente que não leva tão a sério a autogestão dos medicamentos.

Se a venda está mais controlada, o uso descontinuado e abusivo ainda persiste.

Pouca gente leva a sério a regra que diz que interromper o tratamento com antibióticos sem orientação médica pode ser tão perigoso quanto deixar de tomar o medicamento correto.

Há um excelente motivo para o antibiótico ser prescrito por um médico e administrado com cuidado: existem diversas maneiras de tratar uma doença e somente o médico é capaz de avaliar e recomendar o tratamento adequado.

Sei disso porque, felizmente, tenho irmã e cunhado médicos, além de tia e primos farmacêuticos. Sempre posso perguntar para eles quando tenho dúvidas sobre o tratamento adequado para minha família e conto com a ética de todos, que nunca prescrevem nada, pois este papel é do médico da família, que acompanha o caso clínico de cada um, ou do plantonista do hospital que atende em Pronto Socorro e que pode fazer exames clínicos e laboratoriais e indicar o remédio adequado.

Mas, afinal, quais os principais cuidados que devemos ter e quais os perigos relacionados ao uso indiscriminado de antibióticos?

  • Os antibióticos são substâncias sintéticas ou produzidas a partir de fungos ou bactérias que atuam matando ou inibindo o metabolismo de microorganismos e facilitando sua eliminação pelo sistema imunológico.
  • Antibiótico não funciona nas infecções virais como resfriado, gripe e nem todo quadro febril é indicativo de uso de antibiótico.  A prescrição médica é fundamental, pois nem sempre o paciente precisa de um antibiótico.
  • Qualquer medicamento, se utilizado de maneira inadequada, pode trazer efeitos adversos ao organismo – alergias, intoxicações, intolerância gástrica caracterizada por náuseas e vômitos, diarreia etc. Por isso, é preciso usar o medicamento correto para cada caso.
  • No caso dos antibióticos, esses efeitos nocivos podem ser ainda maiores, tendo em vista que esses medicamentos ao atuarem nas bactérias que causam infecções, atingem também aquelas que habitam normalmente nosso organismo e funcionam como fatores de proteção.
  • O uso abusivo de antibióticos destrói a flora bacteriana benéfica que habita o nosso organismo e abre espaço para o desenvolvimento de bactérias patogênicas, ou seja, que causam doença e que são mais resistentes aos antibióticos.
  • Interromper o tratamento com antibióticos sem orientação médica pode muito ser perigoso. As infecções mais comuns – garganta, ouvido, pele – pedem de sete a 14 dias de tratamento, com intervalo entre as doses variando de seis a 24 horas, dependendo da substancia utilizada. A melhora do quadro ocorre geralmente entre 48 e 72 horas, o que leva muitas pessoas a suspenderem a medicação antes do tempo prescrito, podendo levar à recrudescência dos sintomas.
  • Quando se abandona o tratamento antes do tempo certo, perde-se a chance de eliminar totalmente as bactérias que estão causando a doença – morrem as bactérias menos resistentes, as mais fortes persistem – e com o passar do tempo, a doença volta com bactérias resistentes ao antibiótico, o que dificulta o tratamento e pode agravar o quadro infeccioso.
  • Outro risco é a transmissão de bactérias mais resistentes de uma pessoa para outra, trazendo para o cotidiano das pessoas a resistência bacteriana.

 

(Com informações da GSK)

The following two tabs change content below.

Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

Latest posts by Sam Shiraishi (see all)

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *