GORDA. Essa palavra incomoda muita gente.

Todas as vezes que, no meio de uma conversa, assumo naturalmente meu biotipo, e digo que sou GORDA, me deparo com as mais diversas reações das pessoas. Algumas riem de forma nervosa (talvez com dúvida se devem ou não concordar comigo), outras me olham com espanto (como se o que acabo de dizer fosse uma surpresa) e há aquelas eu imediatamente respondem: “ahhh mas você não é… (pausa para tomar fôlego e dizer a palavra) gorda. Você é linda!¨. E sorriem, por acreditarem que, naquele momento, fizeram um grande ato para elevar minha autoestima.

Gente! vivemos numa era tão moderna e tecnológica, repleta de aparelhos que realizam mil feitos, que chega ser um disparate notar que, infelizmente, a máquina mais importante que existe no mundo, o cérebro humano, continua em atraso para encarar muitos assuntos que deveriam ser vistos como corriqueiros.

Qual o problema em dizer a palavra GORDA? Porque essas cinco letrinhas precisam ser usadas de forma tão delicada ao ponto de muitas pessoas terem receio de pronunciá-las para se referir à alguém?

No livro “Segredos da Gordinha Feliz“, a jornalista americana Wendy Shanker, aborda esse tema afirmando que, para muitas pessoas, a palavra GORDA significa perdedora, deplorável, repulsiva ou incorrigível, e por isso algumas pessoas tem receio de pronunciá-la para se referir a alguém, principalmente se for alguém muito próximo, com a qual tenha algum tipo de afeto.

 

Estou aqui para lhe dizer que “gorda” é uma palavra. É um adjetivo. Assim como “alta”, “morena”,“feminina”, “judia” ou “inteligente”, adjetivos que também servem para me descrever. De acordo com todos os padrões – os da sociedade, do prontuário médico, da arara de roupas nas lojas e de meus próprios ideais -, eu sou definitivamente gorda. Portanto, vá em frente e comece a me ver assim. “Gorda”. [trecho do livro Segredos da Gordinha Feliz”]

Quando li este livro, em meados de 2010 me identifiquei completamente com a autora, e percebi que o problema realmente está na cabeça das pessoas e não na minha. GORDA é apenas uma palavra, assim como qualquer outra, e eu a sua para me descrever fisicamente, sem nenhum julgamento ou menosprezo, é uma palavra que não define quem eu sou, mas apenas como é o meu corpo, assim como morena, alta, simpática. Porque raios as pessoas insistem em achar que, toda mulher que se assume como GORDA tem problema de baixa autoestima? Aviso aos navegantes, todas as vezes que me assumo como sou, tenho mais confiança e orgulho de quem sou. Ou seja, não tem nenhum problema com a minha autoestima ok, está tudo bem.

Talvez muitas mulheres possam ler isso tudo e pensar “mas essa autora é americana, vive em outra cultura, não faz ideia do que é se assumir gorda num país como o Brasil, onde o culto ao corpo é quase uma obrigação”. E é por isso que também quero citar aqui o recém lançado livro “Gorda Não É Palavrão“, da renomada modelo plus size Fluvia Lacerda, onde a modelo aborda, por meio de sua história de vida e trajetória na carreira como modelo, uma linda forma de ser ver e se posicionar diante do mundo e questiona: Por que permitirmos que “gorda” seja praticamente um palavrão, um insulto? O livro é um manifesto inspirador para muitas mulheres, e as encoraja a viver a autoaceitação sem se submeterem aos padrões alheios, aprendendo que peso não é indicativo de beleza, saúde ou caráter.

O livro da modelo foi oficialmente lançado nessa terça-feira, dia 07 de novembro, e está disponível nas grandes livrarias do Brasil. (Não, não ganho um centavo para divulgar o livro, apenas compartilho pq acho que vale a leitura.)

E por fim, encerro com outro trecho do livro de Wendy Sanker, que carregarei comigo eternamente:

“Gorda” é a palavra que uso para me descrever fisicamente, sem nenhum escrúpulo. Quanto mais a repito, mais me sinto à vontade e menos força ela tem de me magoar quando alguém a usa como um insulto. Quando falo de mim para as pessoas, gosto de dizer que sou gorda, embora isso normalmente as deixe aterrorizadas. Não sei o que elas imaginam – talvez uma daquelas pessoas que precisam se arrancadas de dentro de casa com uma empilhadeira. Já disse essa palavra tantas vezes que ela realmente não me incomoda mais. A palavra não me aborrece, mas dispenso suas associações.

 

PS: Abordei aqui a palavra GORDA por ser um texto pessoal, mas poderia ser qualquer outro adjetivo (muçulmana, negra, crente, lésbica, etc) que te represente, e muitas pessoas não respeitam, por considerarem ofensiva ou indicar um problema/defeito. Tenha orgulho de quem você é, de como você é. E não permita que nenhuma palavra defina seu caráter, suas escolhas e suas crenças. Seja você, e isso basta.

Bjs da gorda!

😉

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Alcione Matsumoto

Paulistana, publicitária, produtora de eventos e mãe do Miguel. Viúva desde a gestação, tornou-se pai e mãe com todos os seus medos e coragens, e hoje encara tudo isso com muito orgulho e bom humor. Aos 39 anos, já foi blogueira, podcaster, mediadora e até palestrante, mas acredita que pode aprender sempre mais e por isso não se cansa de se redescobrir diariamente. Entusiasta por natureza, e com uma autoestima elevadíssima, carrega consigo o sonho de poder ajudar outras mulheres a se descobrirem como verdadeiras vencedoras.

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One Reply to “GORDA. Essa palavra incomoda muita gente.”

  1. Que post necessário, Alcione! Eu sempre fui magra, como dizem por aí “magra de ruim”. Na verdade, genética pura, né. Comia muito, de tudo e sempre estive no ~peso ideal~. Até que em 2012, tive – o que só reconheço hoje – minha primeira crise de depressão. Foi um ano passado e eu cheguei a pensar 53 quilos. Estava na minha pior fase, acredite. E até hoje MUITA gente quando vê foto minha daquela época fala “mas você estava linda” e eu dizia que foi uma magreza que não compensou, eu não comia, me sentia mal, enfim… E a resposta continua “mas, poxa, nessa época você estava tão linda”. Pula para 2017. Estava acima do peso. Muito acima do ~peso ideal~, para ser exata já tinha passado dos 80 quilos. Mas estou feliz. E daí descubro que estou grávida! Resumo: estou com 90 quilos, cuidando o máximo possível da alimentação, não por estética, mas pela gravidez mesmo.
    A gente precisa de aceitar como é. E se está feliz e com saúde, de nada importa o que as pessoas dizem ou acham né?
    Parabéns pelo post, adorei realmente 🙂

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