Um chá de bebê surpresa dentro do ônibus

Pra aquecer nossos corações depois das tragédias dessa semana no Brasil e no mundo, chorei com essa história do Rodolfo Mattos:

“Tenho que compartilhar com vocês uma das experiências mais incríveis que passei em transporte público do Rio em 22 anos de vida.

Estudo na UFF há quase 2 anos e nunca soube que passa um ônibus em Deodoro que vai direto para Niterói. Fiquei sabendo conversando com um amigo, Felipe Camargo, que também estuda na UFF. O ônibus é o 113D Itaguaí/Niterói.

Para minha surpresa, ao entrar no ônibus, avistei muitos balões de festa. O susto já veio daí. Quem vai esperar que um ônibus esteja tão enfeitado? Pois é. A princípio, achei que era uma festa de aniversário. Começaram a servir refrigerante, café, suco, bolos e sanduíches. Com muita alegria. Uma galera entre 20 e 70 anos com espírito de alegria e confraternização que é raro encontrar numa quarta de manhã em um transporte público.

Para meu espanto, afixaram um cartaz. Não se tratava de uma festa de aniversário, mas de um chá de fraldas. “Heloísa Vitória vem aí!” Eu pensei: “deve ser parente de alguém, afinal, não havia gestante no ônibus”. No meio da Avenida Brasil, o ônibus pára! Não era para parar, se trata de um ônibus expresso. Começa de fato a comemoração quando entra, no meio da pista central, a gestante homenageada, acompanhada de sua mãe e de sua filha. Gritos. Choros. Alegrias! Ovações!

A gestante é uma jovem de 23 anos, muito humilde, vende café na Avenida Brasil. Sempre que o ônibus passa por ela, todo o pessoal (é sempre o mesmo pessoal, todos são amigos. Esse ônibus só passa duas vezes, uma de manhã e outra pela tarde) acena. Um deles percebeu que ela estava grávida e resolveu propor o chá. Todos concordaram e organizaram essa surpresa para ela.

Ainda há o que comemorar. Ainda há empatia nesse Brasil. E toda, toda forma de afeto e amor ao próximo deve ser imensamente compartilhada. Parabéns à família “Se perder, já era”! Parabéns 113D!

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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