Halloween or not Halloween?

Há muitos anos eu questiono o movimento que nos “força” a celebrar o Halloween nas escolas e condomínios.

Já escrevi questionando:

“se a escola do seu filho também fez festa de Halloween e o entusiasmo é maior até do que com a tradicional Festa Junina brasileira é hora de nos perguntarmos se isso está certo”

Apesar de eu ser early adopter e não ter nada de xenofóbica, acredito que não devemos incorporar as festas de fora em detrimento das nossas. Mas tenho visto muito disso por aí…

Em certo ano, na escola do meu filho mais novo, o tom do texto da escola avisando da celebração me fez notar que não sou a única mãe que não aprecia estas novidades folclóricas importadas. Dizia:

“As crianças gostam muito de histórias envolvendo bruxas, fantasmas, magia e etc. Visando proporcionar a elas o contato com este tipo de literatura, bem como a participação em brincadeiras sobre este tema, realizaremos uma festa de Halloween.”

Para o mais velho, na época no Ensino Fundamental 1, no dia da aula de inglês e o bilhete fazia referência ao ensino da cultura inglesa.

Mas eu sou a mãe que acha que se “perde” tempo demais até nos ensaios de apresentações de Dia das Mães e Dança Caipira, então, sou definitivamente ponto fora da curva. No entanto, nesta semana em que as redes sociais só falam em “festa das bruxas”, deixo algumas reflexões e vieses para pensarmos.

Antes de mais nada: você sabe a origem do Halloween?

Surgiu na Irlanda e nas Ilhas Britânicas há mais de 2 mil anos, na noite de 31 de outubro, data em que os celtas comemoravam uma de suas maiores festas, Samhain. 

Segundo li

“A data também era o último dia do ano velho e os celtas acreditavam que nesse dia o mundo dos vivos se encontrava com o mundo dos mortos. Sacerdotes celtas tentavam expulsar os demônios com uma grande fogueira. Para se proteger contra poderes malignos, os celtas usavam máscaras amedrontadoras.
No século 8°, o papa Gregório 4° transferiu para o 1° de novembro o Dia de Todos os Santos, destinado a homenagear os mortos, a fim de cristianizar a festa celta de Samhain. Apesar disso, o “All-Hallows-Eve” – ou “véspera do Dia de Todos os Santos” – continuou sendo celebrado durante séculos na Irlanda católica.”

Agora as minhas reflexões:

Primeira reflexão: a tradição tem valor quando é passada de pai para filho

Como disse me uma amiga há muitos anos, tradição tem valor quando é passada de pai para filho e as nossas verdadeiras tradições estão se perdendo, mas creio que seja um processo. No Japão também os belos matsuris (festivais) se mesclam às coisas do ocidente. Não podemos nos fechar para o mundo nem esquecer quem somos (ixi, esta eu tirei do Imperador japonês no filme Último Samurai).

Se a gente mal passa as tradições locais para as crianças, tem sentido importar novas?

 

Ah, Sam, mas são histórias, como os contos de fadas! Qual o problema? 

Aqui entra minha segunda reflexão.

Gellinger / Pixabay

Segunda reflexão: a imaginação da criança deve desenvolver-se tendo como base a realidade

Li no site Lar Montessori, que já indiquei aqui várias vezes e tem sido um dos meus guias para pensar a educação, que para a educadora Maria Montessori, a imaginação da criança deve desenvolver-se tendo como base a realidade.

Ela explica que todos os grandes artistas eram, antes de tudo, excelentes observadores do mundo real. Sua imaginação e sua criatividade não partiam das histórias de fantasia que, sem dúvidas, conheciam, mas da extensão de seu raciocínio e de sua capacidade de observação.

Um segundo ponto bastante relevante na obra de Montessori é a ideia de que a educação deve ser, antes de tudo, “uma ajuda à vida”.

Para ela, era mais importante ajudar a criança a se desenvolver plenamente do que seguir um currículo previamente estabelecido e, entre outras coisas, é isso que faz de Montessori um método com aplicação tão extensa em casa.

Partindo deste pressuposto, devemos nos lembrar sempre de que um dos desafios enfrentados pela criança é a compreensão da realidade – a organização do mundo em categorias mentais. Assim, tudo o que a ajudar com isso é uma ajuda à vida, e tudo o que a atrapalhar nisso é um empecilho à vida. Colocado desta forma pode parecer um pouco extremo, mas em última análise é verdade.

Niko_Shogol / Pixabay

Quer saber mais? Ter dicas de livros? Veja no post incorporado abaixo:

Terceira reflexão: a questão da fé

(e aqui, se você não é cristão protestante como eu, não precisa ler, tá? Mas agradeço se respeitar meu direito de dar minha opinião e endossar este texto que incorporo abaixo)

StockSnap / Pixabay

Vivemos num país em que, teoricamente, não há religião oficial.

Digo teoricamente porque se tem “feriados oficiais para santos católicos” e a “padroeira oficial do país é uma santa católica” não vencemos esta questão, né?

Então, podemos professar a fé que desejarmos e, por isso mesmo, também temos liberdade para escolher participar ou não das atividades que contrariam nossa fé. E essa liberdade de culto – ou não culto – é um direito que ninguém deveria questionar ou criticar, concordam?

E sobre o que a Bíblia diz a respeito do que esta festa representa, aqui e ali tem uma interpretação. Mas atenção: só leia se conhecer a Bíblia e tiver interesse verdadeiro nesta visão ou a mensagem ficará desconexa e sem significado algum 😉

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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