Estímulos: quando é a hora de parar? #emfamilia

“Que o chegar não é mais valioso que a andança. Que o encontro é precioso… é necessário.”

Descobri o video Caminhando com tim tim no primeiro Em Família – Encontro para pais., uma iniciativa da IBAB Criança como espaço de escuta, pastoreio e cuidado das famílias da nossa comunidade.

A cada semana um tema é tratado por lá, sempre com a facilitação de especialistas nas áreas tratadas. E na primeira semana de cada mês, o tema é Primeira Infância, com diálogos sobre o desenvolvimento anos três primeiros anos de vida e as mudanças na dinâmica familiar com a chegada do bebê.

E hoje o encontro tratará de um assunto muito valioso: “Estímulos: quando é a hora de parar?“, com Fernanda Kivitz e Carol Marques.

As psicólogas facilitadoras do evento apresentarão as sinapses e a arquitetura cerebral, explicando que os estímulos que o bebê e a criança pequena recebem já são suficientes para que ela se desenvolva. É mais valioso pensar na qualidade da interação do que na quantidade e no padrão dos estímulos. Embora o estímulo seja necessário para desenvolver habilidades, é a interação dentro de uma relação que constrói. E nisso o toque (o cuidado e o carinho que envolve o cotidiano) é o mais importante.

 

Os encontros acontecem todas as quintas, das 20h30 às 22h, na Igreja Batista de Água Branca, e não são religiosos. Acreditamos que é no ambiente familiar que as crianças prioritariamente se educam, por isso a IBAB abre suas portas para encontros com grupos de pais como espaço de escuta, pastoreio e cuidado das famílias da nossa comunidade.

Venha nas próximas! É grátis!

A IBAB – igreja batista de água branca fica na Rua Gustav Willi Borghof, 480, São Paulo, perto do metrô Barra Funda.

[update com anotações que fiz no encontro]

Começamos lendo alguns textos, dentre eles Os domingos precisam de feriados, de Nilton Bonder.

Gosto muito do grupo Em família porque nos reunimos, “estudamos” e conversamos. A oportunidade de ter outros olhares, outras histórias e realidades distintas nos ajuda, mas sobretudo notar, ao final, como somos parecidos na nossa experiência como pais, é uma oportunidade valiosa de crescimento individual e coletivo.

No papo de ontem, um dos participantes, “tio” de van escolar, contou que uma mãe o procurou porque precisa que transporte o bebê de 4 meses para a escola às 7h e traga de volta só às 18h45 porque ela não tem como deixar de voltar ao trabalho e não tem com quem deixar o bebê. Ele, pai de um bebê de cerca de 1 ano, que gruda nele quando se encontram à noite (o tio que deixa os filhos dos outros em casa, demora horas para chegar em casa, né?), imaginava como era a vida desta pequena família.

E no mesmo grupo, uma pediatra (e mãe, que acabou de desmamar o filho de 2 anos e 4 meses), contou histórias do consultório e também da cobrança dos colegas médicos que acham um absurdo ela ter reduzido o trabalho para aproveitar o filho pequeno. As histórias se mesclavam, se aproximavam e se distanciavam. Uma mãe que fica em casa, de um casal que escolheu se dedicar ao filho (de 11 meses) contou que apesar de feito essa opção, sente que a correria não sai de dentro dela. Outra mãe, de bebê de 5 meses, conta que está sofrendo para ficar tranquila por não estar produzindo nem estudando (depois de uma vida ligada a isso tudo) e que ainda vive a culpa.

Como comentou nossa colunista Cris Sano, mãe solo desde que o filho era bebê:

“A sociedade cobra tanto das mães e é tão triste ver tantas se desdobrando pra conseguir “entrar” no padrão do que é esperado…
Esse sentimento de culpa nunca passa, porque não tem opção que nos faça sentir acolhidas ou pertencendo àquela realidade.”

Neste momento quem falou fui eu, pois creio que devemos acolher. Acolher a mãe, a nova família, a criança.

E entender que não tem fórmula pronta, tem amor e vontade de fazer dar certo. Tem uma necessidade de encontrar um ritmo bom para todos, tem o empenho para reduzir estresse e aceitar as mudanças necessárias.

E se a gente para por um tempo, como fazer com o retorno?

Uma das mães presentes era uma odontopediatra, mãe de um menino de 1 ano e meio, que parou de trabalhar quando engravidou e abandou um doutorado por isso. Ela se sente culpada, mas pela experiência de consultório, conta que sofria vendo as agendas dos pequenos pacientes.

A psicóloga Fernanda Kivitz, facilitadora do encontro, nos deu uma chave para pensarmos:

Separar a voz do “tenho que” do que “eu quero” para decidir o que fazer diante dos dilemas da vida pessoal e familiar.

No final, pediram para falarmos um verbo que seria uma ação que gostaríamos de ter neste momento como pais:
– equilibrar
– liberar (dar autonomia)
– relaxar (cuidar menos, curtir mais)
– contemplar (perceber e observar)
– enxergar (ver além, não somente ver, mas entender os momentos e necessidades)
– participar (estar junto, com o filho e em família)
– parar (aproveitar cada momento, como mãe e pai)
– resguardar (emocionalmente)
– aguardar (o tempo e o ritmo da criança)
– antecipar (tentar fazer as coisas acontecerem no nosso tempo, sem esperar o tempo delas)
– confiar (no corpo, nas escolhas, na criança)

🙂

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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