As crianças aprendem aquilo que vivem

“As crianças aprendem aquilo que vivem:

Se uma criança vive criticada, aprende a condenar.

Se uma criança vive com maus tratos, aprende a brigar.

Se uma criança vive humilhada, aprende a se sentir culpada.

Se uma criança é estimulada, aprende a confiar.

Se uma criança é valorizada, aprende a valorizar.

Se uma criança vive no equilíbrio, aprende a ser justa.

Se uma criança é bem aceita, aprende a respeitar.

Se uma criança vive na amizade, aprende a ser amiga, aprende a encontrar o amor no mundo.

Dorothy L. Nolte

O texto que posto a seguir vem do querido projeto Biblioteca virtual de antroposofia e traz luz ao segundo ano de vida a criança, quando ela passa a explorar o espaço e precisa estar sempre acompanhada para que possa ter, ao mesmo tempo, liberdade e segurança.

No ambiente externo

Caso o ambiente externo seja muito vazio, a criança terá pouco estímulo. Se o piso for frio a criança nem poderá tirar os sapatos e sentir a irregularidade do chão e massagear seus pezinhos. Um grosso solado de sapato a fará sentir-se “separada do chão”. A criança precisa “tatear o mundo” com os pés. Quanta é a alegria da criança se aproximar de um ambiente que seja “como um bosque”: terra, árvores para se dependurar. Árvores atraem passarinhos e passarinhos gostam de cantar para as crianças. Elas também geram sombras. Que delicia brincar de casinha num dia quente à sombra de uma árvore. Troncos caídos, balanço nas árvores, cordas penduradas, tanque de areia com colheres de pau, carrinhos de madeira para puxar, baldinhos com água e claro, os amiguinhos.

Ah! Tudo isso criará um grande problema: as crianças entrarão pra dentro de casa absolutamente sujas. Ufa! É só isso? Acho que nós adultos podemos lidar com esse probleminha, pois perceberemos que elas estarão sujas, felizes, e estarão sendo legitimamente: crianças. Pula corda, corre, salta brinca no tanque de areia, anda sobre troncos, se dependura balança… Isto é ser criança de verdade.

O calor

Um raio de sol em

Mim penetrou

E muito mais

Forte agora estou.

O sol nos vem aquecer, dar sua luz e nos alegrar.

Uma criança “gelada”: mão gelada, pé frio, nariz frio estará contraída, não estará solta… não estará bem. Podemos estar frios por dentro: “_Que atitude fria ela tem…” (desinteresse). Por outro lado podemos sentir: “_Que calor humano ela tem”.

Devemos cuidar para a criança estar sempre bem aquecida. Sabe-se que friagem nas costas gera muitos problemas e assim devemos evitar as (barriguinhas de fora) se o tempo não estiver bem quente.

“_Pé frio, nariz pingando” diziam nossos avós.

A primeira condição para eu me mover é o calor. Nossas intenções não se tornam ação no mundo caso não haja calor. O que promove calor na criança além dos fatores físicos como: meias, agasalho? Podemos gerar calor na criança de inúmeras formas: cantando para ela, dando colo, envolvendo-a num abraço, falando com ela numa linguagem de imagens, contando histórias, fazendo ritmo na roda ou até num olhar (caloroso). Se a criança for “envolvida”, ela estará “aquecida”.

Existe um calor que vem da alma humana… e a alma se sensibiliza com imagens. Cada vez que a alma faz uso adequadamente das imagens a força solar volta a transubstanciar o pensamento, o sentimento e a vontade.

“É a imagem que carrega em si a vontade de se mover”.

O não

Crianças estão o tempo todo em movimento e ao nosso menor descuido já estarão fazendo algo perigoso ou proibido. Quando nos damos conta estamos falando “não” várias vezes ao dia. O que é proibido ou perigoso pode parecer mais atraente, conseqüentemente o “não”, nem sempre funciona.

Como impedir que eles se machuquem ou causem acidentes, sem dizer o tempo inteiro “não”?

A alternativa é uma instrução positiva, por exemplo:

Ao invés de: “_Não pegue!”, podemos dizer: “_Pegue com as duas mãos e com cuidado”.

No lugar de: “_Não corra!”, orientamos: “_Ande devagar”.

Ao invés de: “_Não grite!”, podemos pedir: “_Vamos falar baixinho!”

O desenvolvimento da fala

Depois que a criança se coloca de pé e começa a andar, tem início o desenvolvimento mais ativo da fala. Se até há pouco tempo ela imitava algumas poucas palavras e demonstrava que entendia muito do que lhe dizíamos, agora ela passa gradativamente a formar frases curtas.

Imitação

O adulto aprende através do seu intelecto, pensando e refletindo. A criança aprende por meio da ação, da imitação. Imitando, a criança aprende e compreende o que está sendo imitado. A criança imita não só a atividade visível, mas também a conduta dos adultos seja ela negativa ou positiva.

jill111 / Pixabay

A criança capta gestos

Tudo o que o educador faz deve ter significado: ser bem feito, atraente, feito manualmente, percorrer todas as etapas. Cozinhar (fazer pão, biscoitinhos, mexer um cozido, etc.), tricotar, costurar, cuidar do jardim, significa um universo de gestos que farão parte das vivencias da criança e “criarão profundas raízes” dentro dela e serão modelos de “movimento”.

É assim que a criança aprende. As ações dos educadores devem ter começo, meio e fim.

O pensar se estrutura sobre processos: Começo, meio e fim = ação completa no mundo.

Infelizmente os gestos comuns que a criança moderna presencia não são os gestos “primordiais”, pois hoje se tem a opção de mecanizar as tarefas: Ex: ligar a batedeira ao invés de bater o bolo ou simplesmente comprar pronto. Os gestos que ela presencia diariamente são muito mecanizados ou ausentes: digitação nas teclas do computador, leitura de jornal, dirigir o carro ou acionar botões.

Dentro do universo moderno de gestos, a criança acaba por imitar a pá do ventilador rodando, a máquina de lavar. Muitas crianças perdem esta capacidade de imitação por ausência de modelo ou acabam por imitar os heróis da TV que se movimentam se agitando muito.

Na fala de um bom modelo, criança imita quem se move muito, em demasia. A imitação desses gestos poderá dificultar a sua ação no futuro. Para a criança algo se perdeu nesse caminho. Infelizmente, o que é muito rápido não vincula o ser humano à vontade. Hoje em dia as crianças não têm vontade. O movimento não gera uma raiz mais profunda que poderia nortear seu próprio gesto com equilíbrio e qualidade.

…se movem se movem, mas não percebem “o rastro do movimento”, pois para que isso ocorresse o movimento deveria ser: ordenado, rítmico, harmônico como tricotar ou cozinhar, serrar, etc.

Uma riqueza de gestos traz uma qualidade na ação.

“_Mãozinhas de fada, o que toca vira ouro”.

Educar é dedicar. Precisa-se tempo para conquistar um aprendizado.

Quando o adulto quer que a criança faça algo, deve fazer muitas vezes junto com ela até que seja incorporado aquele fazer. Exemplos: arrumar cama, tirar os pratos da mesa, arrumar o armário, etc. um verso ou canção trarão novo ânimo ao fazer.

Depois de muito ver a criança imita com uma fidelidade incrível o gesto que presenciou. Esse aprendizado leva muito anos… Então ela aprendeu algo que a acompanhará por toda a sua vida. Tudo necessita de um tempo para se desenvolver.

“O adulto se cansa com a repetição, no entanto a criança necessita dela para a aquisição de toda e qualquer habilidade.”

Luiza Lameirão

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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