Sobre bolos, doces, confeitaria e uma certa memória preciosa no tempo.

Na terça-feira da semana passada, dia 8/8, fui com a Cris, nossa #mamaecrafter, visitar a Cake Design Expo e Expo Brasil Chocolate 2017. A feira é muito bacana e embora eu não seja dedicada à confeitaria, nem ela (risos), foi uma visita proveitosa, de encher os olhos, adoçar a boca e ainda aprender truques de como fazer um suspiro perfeito (amei!) e que truque usar na hora de cortar biscoitos antes de assar (amei também!).

 

                                            Olha a Cris aí 😉

 

Mas rolou outra coisa comigo nesta feira que nem eu pude acreditar! Logo no primeiro corredor, demos de cara com o Stand do “Portão de Cambuí”, um doce de leite lá de onde eu venho. Aproveitei pra contar pra Cris que este foi o primeiro doce que atravessou as fronteiras da cidade e ganhou o mundo. Tenho uma lembrança muito remota de uma casa lá no Bairro do Portão (é um bairro na zona rural de Cambuí), de uma senhora e um tacho de doce. Lembro inclusive de alguém me dar um docinho e eu ter vontade de comer mais um, mas como era muito tímida, fiquei na vontade. Só não consigo lembrar se eu estava com o meu pai ou com minha mãe, talvez ela se lembre (vou perguntar).

                                 Uma foto pra deixar registrada a visita!

Andamos a feira e voltamos no Stand pra comprar doce, 1kg do pastoso por 10 reais (uma pechincha). Conversa vai, conversa vem, vambora que já é hora e segui com meus botões e minhas memórias, primeiro no Uber, depois no metrô.

Meu pai teve um câncer de bexiga que foi tratado na Urologia do Hospital São Paulo. Durante três meses aquela enfermaria meio que se tornou extensão da nossa casa. Meu pai desenvolveu um amor profundo pela enfermeira Lúcia, que ele dizia que era “como uma mãe” pra ele. Até que ele teve alta e pôde ir pra casa. Na sua última consulta de avaliação, no início de junho, ficou agendada uma tomografia, marcada para o dia 31 de julho de 2008. Ele repetiu todos os dias que lhe restavam que no dia do tal exame levaria uma caixa de doces “Portão de Cambuí”, o melhor doce,  de presente pra Enfermeira Lúcia. Ele faleceu no dia 23. Meu irmão comprou os doces e eu levei dois meses até reunir coragem pra ir lá levar. E foi um grato momento poder cumprir seu último gesto de gratidão e agradecer também aquela moça carinhosa e paciente, e também à toda equipe, que cuidou de todos nós com tanta dedicação e paciência (nem vou dizer que meu pai era um paciente bem teimosinho! Nem vou rsrs).

Amanhã é o meu aniversário. E é também o dia que completa 10 anos da primeira cirurgia do meu pai, um dia tenso e que inaugurou na minha vida uma sequência de aniversários confusos e meio trágicos. E eu vi escapar de mim por um longo tempo aquela euforia saltitante que me fazia comemorar umas 20 vezes e sair contando pra todo, enfim. Passou.

E passou também o tempo. E junto com ele foi embora a dor, o trauma, o medo. Desde o dia 31 de julho deste ano, mais especificamente depois que eu encontrei o Minion na porta da escola, tenho sentido àquela mesma empolgação de criança, há muito tempo perdida. E foi só relembrando essa história é que entendi que é mesmo verdade que de um luto bem vivido sobra só a saudade boa, a ponto de não mais interferir num estado de felicidade. Porque não é só o doce de leite que é doce, a vida também pode ser.

Neste dia dos pais, enquanto olhava meu pequeno brincar (eu vivo filmando ele pra prendê-lo no tempo), pensei que, se eu pudesse resgatar um momento e congelá-lo, seria o ultimo olhar do meu pai pra mim. Faria um recorte e diria a ele o quanto sou grata por ser sua filha.

Enquanto estamos nessa doideira de cumprir todos os compromissos, nem sempre nos damos conta de que a felicidade mora nas pequeninas coisas. Num soprar de velas, num olhar atento. Naquele último instante ou na atitude de demonstrar gratidão.

Mas, voltando à feira, entre chocolates, bolos maravilhindos e doces lembranças, eu e a Cris aprendemos uma dica preciosa no Stand da Arno com a Ana Maria Chapela, pra fazer suspiros perfeitos:

  • Aquece as claras com o açúcar até este se dissolver, e só depois leve à batedeira e bate até o ponto de suspiro. Aí é só colocar num saco de confeiteiro ou mesmo pingar com duas colheres e levar pra assar em forno elétrico, em 100°C. A receita é uma clara para cada 100grs de açúcar.
    Olha o luxo deste Stand! Amei esse espelho que permite assistir à aula sem perder nada!

E aprendemos outra dica maravilhosa com a Leila Monteiro, do www.canaldaconfeitaria.com.br. Ao passar pelo Stand, me encantei com um rolo de abrir pasta americana todo decorado com estrelinhas. Como não sou da confeitaria, perguntei se serviria para biscoitos, por exemplo. Aí ela nos ensinou que, para ficar mais fácil usar ocortador sem estragar o biscoito e deixar ele todo torto (quem já testou sabe que isso acontece mesmo), basta abrir a massa entre filmes e levar ao congelador até dar uma “congeladinha”. Aí é só cortar e levar pra assar. Eu amei!

Pensa num grupo muito simpático? Aí está!

Ainda não testei essas “artimanhas” da confeitaria, mas amanhã é dia de festa, então quem sabe, se a vida louca deixar, eu faça suspiros e biscoitos em forma de vela! Ou não, tanto faz. Cada dia tem seu brilho apenas porque estamos aqui. Seja na feira, no riso solto ou na despedida. Ser feliz em cada momento, em todos eles. #ficaadica!

 

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Nivia Gonçalves Masutti, Psicóloga, Psicoterapeuta Existencial, com experiência em Saúde Pública e Saúde Mental e em Recursos Humanos. Deixou o serviço público e mais tarde, a vida corporativa, ao perceber que, mesmo sendo apaixonada pela correria do trabalho, a maternidade é a sua melhor parte. Mãe de primeira e de segunda viagem, da Luiza e do Guilherme, depois de muitas rupturas e recomeços, encontrou na Psicologia da maternidade, um jeito novo de conciliar as coisas que mais ama: a Psicologia e os filhos. Apaixonada pelos processos de crescimento e transformação do ser humano e pela força dos grupos, atua hoje com atendimentos clínicos individuais, coordena um grupo de pós parto, o Grupo de "Powerpério", na Lumos Cultural, e ainda encontra energia para juntar na sua prática profissional outra paixão: fazer pães, usando o processo de fabricação dos mesmos como metáfora para explicar os caminhos de transformação pessoal.

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