Sobre ter uma rede de apoio

O que mais li desde que comecei a ter a vontade de engravidar é que não há manual e que cada gestação é única. Cada filho é de um jeito e cada mulher/família tem uma realidade. Então, aqui, segue minha opinião baseada apenas na minha experiência 🙂 Vem comigo!

Talvez quem lê os meus posts aqui no Mãe com Filhos não saiba, mas essa é minha segunda gestação. A primeira, em 2015, não se desenvolveu como o esperado e tive um aborto retido. Esse assunto parece ser um tabu e é impressionante ver como acontece com mais mulheres do que imaginamos.

Contei para todos meus amigos que eu estava grávida em 2015 e quando veio a notícia do aborto, tive dois sentimentos: vergonha e preocupação. Vergonha por ter contado tão cedo e preocupação em como as pessoas reagiriam a notícia. Uma grande bobeira, mas faz parte de quem sou, de me preocupar tanto com os outros. Então “fiz questão” de contar para o máximo de pessoas de uma forma carinhosa, para que todos pudessem se certificar que eu estava bem. Mas era claro que eu não estava, não seria normal se eu estivesse, meu corpo sofreu bastante, minha mente mais ainda.

E o que isso tem com minha segunda gestação? É claro que o medo e a insegurança me dominaram assim que vi positivo no exame de urina. Foi um misto de alegria, desespero, tudo junto… Não consegui contar de um jeito “bonitinho” para meu marido. Ele chegou em casa e eu falei e esse foi o diálogo:

“Amor, precisamos ir ao médico amanhã”
“O que aconteceu? Você está passando mal?

Sem firulas, eu mostrei o exame de gravidez. A gente não falou nada, só se entreolhou – com olhos arregalados. Daí depois nos abraçamos. O medo era perceptível nos dois. No dia seguinte fomos ao Pronto Socorro e o medo se intensificou quando vimos que ainda só dava para ver o saco gestacional. O médico foi muito amoroso e disse que sabia que estávamos nervosos por conta do histórico, mas que antes de tudo era preciso ter pensamentos positivos. E eu, então, me vi obrigada a colocar minha fé em ação. De forma plena e firme, entregamos para Deus. O que tivesse que acontecer, aconteceria.

Cuidem de continuar a crescer no Senhor, e tornem-se fortes e vigorosos na verdade. E que a vida de vocês transborde de alegria e gratidão por tudo quanto Ele tem feito. (Colossenses 2:7)

Foram duas longas semanas. Decidimos guardar o segredo só para a gente. E foi uma experiência incrível, afinal a gente tinha aquele super segredo só nosso. Nos olhávamos diferente e ele cheios de cuidado comigo: “não fica sem comer, cuidado com o peso, cuidado com a escada”. E exatamente duas semanas depois, ao voltar ao Pronto Socorro, para uma nova ultrassom, tivemos a surpresa! Mesmo sem entender NADA desse mundo, quando a gente viu aquela manchinha dentro do saco gestacional, os corações bateram acelerados! E falando em coração, naquela mesma noite, a médica já mostrou que o coração do bebê batia em ritmo acelerado.

Segurar esse segredo entre nós dois foi ótimo, fez com que aquele momento fosse único e especial. Depois disso, optamos em contar apenas para meus pais e irmãos – afinal era preciso explicar porque eu vivia com TANTO sono, né? E, para mim (lembra do que falei lá em cima sobre essa ser a minha experiência?), foi a melhor coisa que fizemos! Conseguimos curtir esse momento entre nós dois, depois só entre a família, depois só com amigos extremamente próximos. E finalmente contamos para “todo mundo” (leia: postamos no facebook).

Mais do que ter um tempo certo ou errado para contar sobre a gravidez – embora muitos médicos aconselham contar apenas no final do primeiro trimestre – acredito que o importante é você contar com uma rede de apoio. Essa rede pode ser o pai da criança, familiares ou amigos… Sei que existem pessoas que não possuem o privilégio de ter pessoas tão próximas e amigas em suas vidas. Minha sugestão, em casos assim, é que você procure algum grupo, seja de uma igreja, comunidade, ONG ou até mesmo grupos de maternidade no facebook. Ter alguém que te ajude a passar por esse comecinho, que é cheio de mitos, ajuda muito.

Eu optei por contar apenas no final do primeiro trimestre, pois era não só a fase em que o risco de aborto espontâneo diminui bastante, mas também a fase em que eu já me sentia minimamente acostumada com a ideia de carregar um humaninho dentro de mim. Sei que ainda estou no começo, né? 13 semanas! Mas já sinto mudanças no meu corpo, na minha mente e me sinto mais aberta para falar e ouvir sobre gestação, maternidade e afins.

Aquilo que livros, médicos, posts em blogs e “sabedoria de vó” dizem é verdade: cada pessoa é única. Cada um de nós é feito de erros, acertos, medos, inseguranças, sonhos e desejos! Cada um tem o seu tempo, então não perca sua alegria pensando na hora certa de engravidar, que “está ficando para trás” e depois queimando neurônios achando que demorou demais para engravidar… Porque essas caraminholas que colocam nas nossas cabeças levam sempre a outras caraminholas. Cada um tem um tempo, uma realidade. Para dias fáceis e difíceis, eu espero, de coração, que você possa contar com pessoas que te ajudem a deixar a caminhada mais leve! Se você não tiver, eu encerro esse post da mesma forma que encerrei o post no A Vida Quer há dois anos:

Importante lembrar que eu não sou especialista em nada e que sou apenas aprendiz na vida. Estou bem, tenho uma família maravilhosa e amigos verdadeiros que conseguiram fazer as coisas ficarem muito tranquilas, apesar de tudo. Confio e transbordo de alegria e gratidão ao saber que todas as coisas cooperam para meu bem. Se você passou por algo parecido e quer conversar, estou aqui. E é sério, vai ficar tudo bem 🙂 Tenta não esquecer disso!

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Sara Martinez, 30 anos, Jornalista, cristã, “mãe” do cachorrinho Billy. Escreve sobre o amor que sente por São Paulo no @pelocentro, onde compartilha dicas da cidade juntamente com sua irmã. Gosta de desenhar palavras coloridas no @fasesinfrases. É maratonista profissional de seriados no Netflix, inscrita em mais canais do que consegue assistir no YouTube e leitora apaixonada. No Twitter e Instagram: @sarafcmartinez.

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2 Replies to “Sobre ter uma rede de apoio”

  1. Arrepiada lendo.
    Não sei se contei para vc, mas o meu sonhado positivo veio após um momento de entrega dentro da igreja onde cresci. Pedi para Maria interceder por mim, mas que aceitaria e confiaria que o plano de Deus é o melhor.
    Linda sua mensagem. Rede de apoio é vital. Espalhar amor é vital

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