Mega Artesanal e o artesanato repaginado

Fui ontem com a Sam e a Aline conhecer a Mega Artesanal 2017 e depois de chegar em casa fiquei bastante tempo pensando sobre o que escrever da feira.

Dentre todos os aspectos e ideias que o artesanato me trazem e pontuei esses que são só alguns que pensei aqui:

 

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Hobby/terapia

Cresci vendo meu pai fazer muitas coisas diferentes (desde marcenaria, gravura em madeira, colheres de bambu, tecer rede de pesca, moldar peças de metal numa forja improvisada no quintal de casa, escrever etiquetas pros meus cadernos com uma caligrafia maravilhosa, costurar, enfim, deu pra entender, né? rs). E minha mãe também: ela quase sempre estava fazendo algo de crochê (o que mais marcou minha infância foi um danado de um colete de lã azul marinho –a cor do uniforme da escola rs– que todo começo de inverno ela crochetava, pra, no começo da primavera, desmanchar e guardar as bolinhas de lã no armário pro ano seguinte)

Mas até começar a trabalhar de fato, não me dei conta de como era importante fazer algo que não fosse atrelado ao meu emprego. Amo meu trabalho, fazer os gráficos, os mapas, as tensões dos momentos mais críticos do fechamento do jornal, mas a vida não é só isso, né?

Descobrir a gravidez me trouxe um senso de urgência sobre o que eu gostaria que meu filho se lembrasse dessa mãe que vivia dentro de um prédio trabalhando na frente do computador. E me trouxe todas essas lembranças de ver meu pai “colocando a mão na massa” e me deu muita vontade de procurar algo pra fazer. No meio da gestação (acho que com uns 6-7 meses), minha tia e uma amiga dela me chamaram pra ir ver a Mega Artesanal (2010), por que sabia que eu queria fazer algo pro enxoval, mas não fazia ideia do quê exatamente.

Comprei alguns retalhos de feltro e só, por que achei que seria mais fácil fazer algo simples com um material maleável e que não desfiasse.

Lá em 2010 bordei a primeira toalha de banho do #mininerd. Foi lá em 2010 também que fiz as primeiras pelúcias/brinquedinhos dele 🙂

De lá pra cá, percebi que executar esses pequenos projetos me trazem um bem estar sem fim. É relaxante demais pra mim! 😀

E percebi de forma clara como meu humor fica pior quando não tenho nenhum projeto pra fazer (seja um bordadinho ou uma roupa pra customizar). E cheguei a conclusão de que pra mim, o artesanato é uma terapia

 

Empreendedorismo

Mesmo antes da crise econômica que nosso país enfrenta, acompanho muitos trabalhos lindos de artesãos e sempre via, não como um “plano B” e sim como uma escolha.

Hoje, com a crise pegando todos de “calças curtas” vejo que cada vez mais pessoas têm optado por transformar o artesanato como sua fonte principal (ou complementar) de renda.

E continuo acompanhando as produções independente de crise, por que acredito no movimento #compredequemfaz e na geração de renda local e pro pequeno produtor <3

 

Artesanato não é coisa de “vovó”!

Comecei minhas costuras e bordados num momento em que o artesanato estava se reinventando e se redescobrindo através do olhar de tantas outras pessoas jovens como eu. Em meados de 2010 eu nem imaginava que existiam blogs como o SuperZiper, com meninas jovens fazendo coisas que, até então, eram consideradas “coisas de vó” ou “coisas que nós víamos as avós fazendo”

De lá pra cá, percebi cada vez mais jovens correndo num movimento de “fuga tecnológica”, usando das técnicas de artesanato pra fugirem das telas (assim como eu rs)

E acho bacana ver tanta gente nova curtindo isso, perdendo preconceitos bobos

Em casa, o #mininerd sempre pede pra que eu faça algo pra ele. O verbo “comprar” só é usado quando ele quer ir ao cinema ou Lego rs

 

Artesanato não é só agulha e linha

O artesanato engloba não só os clássicos “crochê e tricô” e “bordado e ponto cruz”, ele é muito maior que isso. Acredito que artesanato pode ser considerado tudo aquilo que você pode fazer ou que você consegue/sabe fazer: entalhar o número da sua casa numa peça de madeira ou fazer um banquinho. Cozinhar quitutes gostosos e bonitos, também é uma arte, né? Pensem naqueles bolos decorados lindos, que confeiteiras fazem! É de fazer a gente comer primeiro com os olhos e isso também pode ser considerado uma forma de arte!

 

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Mas e a Mega Artesanal?

A feira é bem diversificada, tendo stands com diversos tipos de materiais oferecidos. Claro que a maioria é voltada para os “clássicos”, com muitas máquinas de costura, tecidos e linhas. Mas também vimos papéis de diversos tipos, pra scrapbook, formas para bolos, produtos artesanais à venda.

Enfim, acredito que a feira é ótima pra quem vive nesse meio e também traz novas possibilidades para quem quer saber mais sobre artesanato de forma geral.

Ah, só não podem ir menores de 12 anos

 

Serviço

  • Mega Artesanal 2017
  • Data: 11 a 16 de julho (11/7 apenas para lojistas, imprensa e convidados)
  • Horário: De 11 a 15 de julho, das 10h às 18h, e 16 de julho das 10 às 17h
  • Local: São Paulo Expo
  • Endereço: Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5
  • Vans gratuitas: na estação Jabaquara do metrô, durante todos os dias
  • Ingresso: R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia entrada
  • Proibida a entrada de menores de 12 anos
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Cristina Sano

29 anos, mãe do Daniel Akira, #aos6 , designer de profissão e jornalista de formação. Costuro, cozinho, troco spot de luz e acredito em tudo aquilo que é feito com amor. Nerd, fã de Doctor Who e sci-fi, ouvinte de podcasts, consumidora de conteúdos do Youtube e Netflix e ciclista iniciante na arte de andar por São Paulo de bicicleta 😉 Responsável pelo conteúdo envolvendo costuras e artesanatos para fazer com e sem os filhos com a tag #mamaecrafter

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One Reply to “Mega Artesanal e o artesanato repaginado”

  1. Que delícia de relato Cris! Eu tbm vivi um retorno às origens com a maternidade! Comecei dando os lacinhos das lembrancinhas do primeiro aniversário, depois fui bordar os vestidinhos de caipira e no último aniversário eu fiz uma saia godê guarda-chuva. Cresci vendo minha mãe costurando e juntando as sobras de retalhos e inventando modelos pra me fazer as roupas mais lindas e exclusivas da cidade!

    Tão linda essa conexão, né! Amei!

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