Engravidar é uma escolha, não um acidente

Falamos tanto de empoderamento feminino, mas quando deve começar?

Com que idade a menina passa a ser mulher e está madura para fazer escolhas?

Como mãe de adolescentes, mas meninos, eu não sei exatamente! Mas lembro que quando era eu a garota que conversava sobre sexualidade com as amigas, ter informação era super valioso!

E ter com quem falar também.

Gostei da campanha #AVidaéfeitadeescolhas porque não assusta, mas deixa claro que “Engravidar é uma escolha, não um acidente“.

Neste movimento para conscientização e empoderamento das mulheres, que deseja mudar a realidade de diversas mulheres e adolescentes no Brasil, a EMS desenvolveu o programa em prol da conscientização e do empoderamento de meninas e mulheres, para que a gravidez seja uma escolha e não um acidente de percurso.

Vejam que bonito o manifesto:

“Sou de uma geração que não tem idade. Tem atitude.
Vou em busca dos meus sonhos, do meus ideais.
Minhas opções, meu poder de decidir.
Quero ser bailarina, skatista, nerd, roqueira \m/
Posso mudar o mundo, abraçar uma causa e ser minha própria heroína.
Ou conquistar arranha-céus, do alto dos meus saltos.
E, se me apaixonar, casar, engravidar aos 18, serei feliz para sempre.
Quero ser eu mesma, menina, mulher, dona das minhas opiniões.
Meus amores e temores, paixões e razões.
De repente, era uma vez, a primeira vez.
Quando, como e com quem, é minha decisão.
Pílula ou injeção, cabe a mim a opção.

Camisinha, sempre!
É o meu corpo, minha proteção.

Liberdade para curtir o agora.
E escolher a hora certa para a gravidez.
Este é o meu momento, a minha vez.”

Será que ao falar do tema a gente está antecipando, pulando etapas, adiantando coisas que nem estariam ainda no momento de vida das nossas meninas?

Sinceramente, não sei. Quando participei do debate com o Ministro da Saúde sobre a Vacinação contra HPV para meninas de 11 a 13 anos, ouvi muita coisa. Mas na época eu já pensava que, se a vacinação se estendesse aos meninos, meus filhos tomariam. No mês passado o mais novo tomou mesmo e eu estou mais tranquila porque ele está seguro, imunizado e, principalmente, sei que está informado e tranquilo sobre sua sexualidade.

Vacinar meninas contra o HPV será a solução? #vacinaHPV

O que conta para mim é que precisamos proteger e prevenir nossos filhos.

Pesquisas realizadas pela ONU apontam que a gravidez não planejada é um dos fatores que limitam o desenvolvimento econômico e social do país.

Para meninas entre os 12 e 18 anos isso é ainda mais grave, pois traz altos riscos para sua saúde e vida.

No Brasil os números são ainda mais chocantes pois, além de estar entre os sete países que concentram metade das mães adolescentes do mundo, 1 a cada 5 crianças é filha de meninas menores de 19 anos. Acentuando ainda mais o problema, algumas pesquisas mostram que cerca de 12% das adolescentes com idade entre 15 a 19 anos têm pelo menos um filho, quase sempre, fruto de uma gravidez não planejada. Esse alto índice de gravidez indesejada, ou por acidente, é um problema de saúde pública.

Então, se um programa se propõe a disseminar a conscientização e o empoderamento, de forma que mais mulheres exerçam seu direito de escolher SE e QUANDO querem engravidar, sugere ajudar a construir uma sociedade com melhores perspectivas de saúde, educação e desenvolvimento e proporcionar maiores chances para que milhões de meninas atinjam seu potencial pleno, eu apoio.

Mas também acompanho, afinal, medicar meninas antes da idade adulta para que elas não engravidem não é a solução. Nosso papel é orientar, informar, empedrar com conhecimento e apoiar as escolhas conscientes.

Por outro lado, o fato é que as meninas farão escolhas, a vida é delas, como dizemos, criamos os filhos para o mundo.

Os filhos vão voar, o que podemos fazer é prepará-los bem para eles serem “bons passarinhos” pelo mundo. Que voem sim, mas conscientes, respeitando os próprios limites e os dos outros, que sejam pessoas do bem para si e para aqueles com quem se relacionarem.

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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