Doenças de inverno: proteja seu filho da bronquiolite

Eu não ousaria falar de bronquiolite porque nunca vivi com meus filhos, apesar de ter acompanhado o sofrimento de uma amiga com seu filhinho e de ter eu mesma e meus filhos problemas respiratórios desde pequeninos.

Mas no mês passado sofremos coletivamente aqui no meu condomínio porque um bebê de vizinhos nossos foi internado, passou pela UTI e sofreu muito por conta desta inflamação das vias aéreas menores, que aparece principalmente em crianças com até dois anos de idade e causa secreção nasal que dificulta a respiração de lactentes, podendo vir acompanhada de febre ou não.

Nos adultos a doença é menos comum, mas acomete tabagistas e tende a levar à fibrose pulmonar.

Surtos da doença ocorrem todos os anos nos meses de outono e inverno no Brasil, principalmente em bebês de até 2 anos de idade.

Mas a inflamação realmente preocupa quando atinge os pequenos, já que em casos mais graves, pode prostar os pacientes e causar dificuldades respiratórias severas.

O problema é que no começo parece uma doença muito leve.

“A criança tem coriza (nariz escorrendo) e um pouco de chiado no peito, mas fica bem em sete a 14 dias. Mas cerca de 2% delas têm dificuldade de respirar e precisam ser hospitalizadas. E o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é muito comum. Para você ter uma ideia, 100% das crianças vão ter VSR até os dois anos de idade. A maioria não fica tão doente como se imagina vendo as notícias”, explicou em entrevista o pediatra e pneumologista Marcus Jones, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), autor de estudos sobre o vírus.

O principal VSR pode causar desde sintomas de uma gripe leve até um quadro grave de dificuldade respiratória.

O VSR é responsável por cerca de 60% dos casos de bronquiolite aguda em crianças, mas pelo menos outros dez vírus podem causar a mesma doença, com exatamente os mesmos sintomas e a mesma possibilidade de evolução para um caso grave.

O tratamento, seja qual for o vírus, é o mesmo, e dependerá de como a infecção evolui em cada criança.

Em quase 98% dos casos, a família nem vai saber que a criança teve um desses vírus. Elas adoecem apenas como uma gripe e mesmo tendo bronquiolite, não precisam de internação.

No entanto, a falta de dados sobre os vírus dificulta a compreensão do alcance da doença.

“Os sistemas de saúde público e privado no Brasil deveriam estar mais equipados para identificar os vírus respiratórios, e para que a gente entenda o que está acontecendo no país”, explicou Paulo Augusto Moreira Camargos, presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O VSR é um dos principais agentes das infecções que acometem o trato respiratório inferior entre lactentes e crianças menores de 2 anos, podendo ser responsável por até 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias durante os períodos de sazonalidade. O Ministério da Saúde afirmou que o país registrou 314 mortes em 2015 pela infecção com VSR no país.

Assustador, não é mesmo?

Por isso trago para cá algumas dicas que recebi num release de Rinosoro, para diminuir a incidência de contaminação e os males que, principalmente, o vírus sincicial causa ao organismo.

O médico Edgard da Veiga Lion Neto sugere algumas medidas simples:

  1. Cubra o nariz e a boca das crianças quando elas tossem ou espirram e higienize as mãos sempre

A prática simples de cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar e higienizar as mãos previne o possível contágio por vírus de todas pessoas que estão próximas aos doentes. É importante lavar mãos dos pais e crianças com frequência, particularmente, quando tocar o nariz, a boca ou após alimentação;

  1. Utilizar lenços descartáveis ao invés dos de tecido

Ainda há quem insista no uso de lenços de tecido, porém o recomendado é utilizar lenços de papel para conter a coriza ou assuar o nariz. Os lenços descartáveis são mais higiênicos e diminuem as chances de propagar o vírus para outras pessoas.

  1. Lavar e secar utensílios domésticos e brinquedos após seu uso

Os utensílios domésticos e brinquedos devem ser higienizados sempre. Quando a criança fica doente, torna-se imprescindível o não compartilhamento desses itens e a higiene diária dos objetos para evitar contaminações. Recomenda-se que a limpeza seja feita com água e detergente e posteriormente desinfete os objetos com uma solução de água sanitária e água corrente.

  1. Higienize o nariz do bebê e mantenha o pequeno hidratado

A limpeza e hidratação nasal contribuem para manter as vias aéreas superiores limpas e em bom funcionamento. Com isso, as defesas do corpo são mais eficientes, livrando de infecções oportunistas.

  1. Procure ajuda médica sempre

A bronquiolite é uma doença que pode debilitar muito os pacientes e levar a dificuldades respiratórias, então é fundamental que um médico seja consultado logo no início dos sintomas. Observe se o pequeno tem cianose de extremidades (pele arroxeada por falta de oxigenação), tosse seca, respiração ruidosa e rápida, pequenas pausas durante a respiração, falta de apetite, vômitos após a alimentação e estado irritativo. Alguns casos mais graves evoluem para desidratação, fadiga e insuficiência respiratória grave. Em raros casos pode ter o aparecimento de uma pneumonia bacteriana por germes oportunistas.

E quando a doença vai além… a filhinha da minha querida amiga Bianca tem Bronquiolite obliterante. Saiba mais no post dela do blog Não é a mamãe.

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Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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