Receita de cuscuzinho paulista e dica do livro O que fazer para meu filho comer bem?

Cuscus paulista é uma das comidas que eu só conheci porque a mãe do meu marido é paulistana e num dia frio lá de Curitiba ela fez esta receita típica das festas caipiras de São Paulo. Gostei muito, vivo com vontade de comer mais, mas admito que é daquelas comidas que eu tenho certo receio de comer fora de casa. Fica pronto por muito tempo, não exige refrigeração, a gente nunca sabe quando ou como foi feito… sei lá!

Outro dia falei aqui em casa que estava querendo fazer e eis que recebi uma receitinha fofa do Pequeno Gourmet, o projeto de Camila Verdeja e do pequeno Santiago.

Claro que eu fui caçar a receita e entender como este prato marroquino chegou no Brasil e porque o paulista é tão diferente do nordestino?

Guta Chaves, co-autora dos livros Larousse da Cozinha Brasileira e Gastronomia no Brasil e no Mundo, explica:

Segundo Luís da Câmara Cascudo, historiador da alimentação, a receita teria sido introduzida no Brasil no século XVI pelos portugueses. 

Hoje, no Brasil, temos dois tipos de cuscuz bem diferentes na concepção: o nordestino e o paulista. O comum entre eles é o fato de terem substituído a sêmola de trigo pelo ingrediente da terra: a farinha de milho. No Nordeste, o cuscuz pode ter chegado via Pernambuco. Nessa região, é feito na cuscuzeira e tem consistência mais esfarelada, como seu primo africano. A receita salgada é bastante comum nas mesas, principalmente no café da manhã. Há ainda o cuscuz nordestino doce, que leva coco. A textura é parecida com a de um bolo. Pode fazer parte de uma refeição frugal no jantar, acompanhado de leite, manteiga de garrafa, ovos fritos ou carne de sol.

Já o cuscuz paulista é parte do almoço, jantar ou mesmo servido em ocasiões especiais. “A receita parece ter evoluído através do chamado farnel de viagem, a refeição dos tropeiros”, diz a chef Mara Salles. Nos séculos XVII e XVIII, os tropeiros costumavam carregar alimentos como farinha de milho, ovo cozido, cebolinha, banha de porco e torresmo, tudo junto numa espécie de lenço, que amarravam e levavam a cavalo. “Desse farnel, o cuscuz evoluiu para a mesa das fazendas, aí já acrescido de outros ingredientes e feito na cuscuzeira de duas partes”, explica a chef. Foi nas fazendas que ele adquiriu ares mais sofisticados, sendo introduzido frango ou peixe de água doce em sua receita – hoje a sardinha é bastante utilizada. Foi mais para frente que se resolveu adicionar o requinte do camarão. E só há cerca de 40 anos o cuscuz paulista começou a ser feito em fôrma de bolo furada. O motivo, não se sabe. Mas acabou assumindo uma forma compacta, mais parecida com a consistência de uma musseline, diferente do cuscuz original, que desmancha.

(Foto: Marcos Issa. Cuscuz paulista preparado pela chef Mara Salles do restaurante Tordesilhas)

E a receita? Tá na mão!

Mini cuscus do Pequeno Gourmet

Preparação: 35 min

Rendimento: 4 unidade

Ingredientes

1 lata de sardinha

1/4 xícara (chá) de azeitona sem caroço

1/2 xícara (chá) de ervilha fresca

2 xícaras (chá) de caldo de legumes

1 ovo cozido picado

1 cebola picada

1 dente de alho amassado

1 1/2 colher (sopa) de azeite de oliva

1 1/2 xícara (chá) de farinha de milho amarela em flocos

1/4 xícara (chá) de tomate pelado

2 colheres (sopa) de salsinha e cebolinha

Sal e pimenta do reino a gosto

Ovinhos de codorna para decorar

Forminhas

Modo de Preparo

Numa panela refogue o alho e a cebola no azeite. Coloque a sardinha, a ervilha e a azeitona. Mexa devagar em fogo baixo para refogar. Agora é a vez de pôr o caldo de legumes. Quando ele estiver aquecido, comece a despejar a farinha de milho aos poucos, sem parar de mexer. Assim que a massa do cuscuz tomar consistência coloque o ovo picadinho, a salsinha e a cebolinha e misture tudo. Quando começar a desgrudar da panela desligue o fogo. Unte as forminhas com um pouco de azeite e coloque o cuscus pressionando com a ajuda de colher de chá. Espere esfriar e desenforme na hora de servir. Descasque e corte os ovinhos de codorna em rodelas e ponha por cima dos mini cuscuz. Se você não for servir na hora, cubra com plástico filme para não ressecar e deixe na geladeira.

 

Ah, e o livro? É que essa receita bonitinha me lembrou um livro fofo que ganhei antes de ter a Manu e usei para ter umas ideias na introdução de alimentação dela quando bebê.

Lembram que contei que adotei BLW?

Um papo sobre papinhas, BLW e ser a melhor mãe que podemos

Ganhei O que fazer para meu filho comer bem?” da Eletrolux. Sim, foi o patrocinador e acho legal quem produz equipamentos de cozinha ter este cuidado de ir além da tecnologia. Com texto e receitas de Mayra Abbondanza Abucham, Patrícia Abbondanza Turquetto e Rafaela Norbert, o livro com diversas receitas e bem ilustrado, procura responder dúvidas diárias sobre alimentação de seus filhos, ensinando o que se pode fazer para ajudá-los a ter hábitos alimentares saudáveis desde cedo. 

Dentre os tópicos abordados, estão alimentos desaconselhados, papinhas feitas em casa e como envolver os filhos na preparação das receitas, como panquecas coloridas – admito, coisas que eu fiz porque minha mãe fazia, mas é legal ver num livro!

🙂

 

The following two tabs change content below.

Sam Shiraishi

Cristã, jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela, casada com Guilherme. Paranaense que caiu de amores pela Mooca em 2005. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *