Chega uma idade que somos iguais!

Um belo dia você percebe que alguma coisa mudou. Você olha para seu filho e o vê crescido, com outros interesses que não aqueles que costumava ter. E esse processo é tão rápido que você mal tem tempo de se preparar para as mudanças, para vê-lo independente, livre do seu controle, das suas cobranças, dos seus limites… De repente, sem esperar, seu filho crescido voltou… Chegou contando pra você do mundo que descobriu com os próprios olhos e das coisas que o fizeram balançar. E nesse dia, em qualquer um desses dias, seu filho precisará do seu colo e consolo.

E que delícia é dar e receber colo. Sim… Porque quando eles crescem, a gente pode dar e receber na mesma medida. Porque filho crescido não é filho criado. Filho crescido ainda precisa dos nossos ouvidos atentos e de nossas palavras. É tão paradoxal. Quando nascem, pequenos e frágeis, os primeiros meses parecem intermináveis. Pai e mãe se revezam à cata de respostas aos seus estímulos nos rostinhos miúdos. Desejamos que eles sorriam, que agitem os bracinhos, que sentem, fiquem em pé, andem, tudo é uma ansiosa expectativa. Então, um dia, de repente, ei-los adultos. Não queríamos que tivesse passado tão rápido…

E um novo choque: não foi só ele que cresceu você também envelheceu. E você é quem se sente frágil, desprotegida, carente. Mas nada de desespero! Vocês estão juntos… Há uma imensa beleza nesse momento.

É hora de deixar que faça efeito a educação que você lhe deu durante os anos em que ele esteve sob sua guarda, sua total proteção. Agora ele terá que decidir sozinho, “quebrar a cara” algumas vezes, amadurecer, enfim.

Sabendo que sempre ele sentará ao teu lado e pedirá seu conselho. Nessa hora, minha amiga, coloque de lado aquele papo de “tia velha” com o medonho “eu avisei”, “bem feito”, “cada um com seus problemas” e seja o amor que o fez chegar até aí. Torça pelo melhor, torça para seu filho vencer, mas se ele fraquejar, o receba com candura.

Sei de muitos jovens que não voltam para o colo dos pais porque não sentem que têm para onde voltar. Porque foram varridos para fora do ninho e caíram no mundo. Muitos filhos se tornam órfãos de mães e pais vivos depois que crescem. Eles crescem, mas não ficaram invisíveis. Pelo contrário… São maiores… São gigantes… Gigantes no afeto, nas necessidades e, principalmente, na capacidade de nos retribuir por todas as noites de cólica que passamos acordadas, por cada febre que cuidamos com banhos e antitérmicos, pelos cortes no pedal da bicicleta… Afinal, o amor é mesmo infinito. É para sempre, sempre que precisarem, sempre que alguma coisa der errada, sempre que o mundo parecer grande demais para os seus problemas!

Fico pensando em quantas coisas desastrosas poderiam ser evitadas se antes existisse uma conversa entre um filho e um pai! Entre um filho e uma mãe! Como seria bom e sincero poder compartilhar aprendizados de forma leve, sem ressentimentos! Sem esperar uma queda para, então, estender a mão! Nós podemos isso hoje, pais e mães podem isso agora. Podem dizer das verdades sem macular sonhos. Podem falar da vida com amor e orientar quando ela for dor e reparação.

Às vezes, me pego refletindo em como seriam as coisas se algumas pessoas tivessem tido pais e mães amorosos. Leio biografias e imagino como poderia ter sido aquela história se a pessoa em questão pudesse ser amada, reconfortada e abraçada depois dos vinte, trinta ou quarenta anos.

Sim, vive-se sem o abraço do ninho o qual um dia nos abrigou, mas vive-se melhor (e muito melhor) e com mais candura se as portas da casa da infância forem destrancadas e lá dentro, sem rancores, sem ressentimentos, houver uma palavra de amor e um abraço carinhoso.

Sinto uma falta enorme do abraço da minha mãe para me confortar #aos40, mas que bom que abraço meu filho #aos20, sem vergonha. Que bom que não existam mais assuntos proibidos. Que bom que ele tenha crescido e tenha um colo tão acolhedor para me oferecer. Hoje, amanhã e sempre. Como sempre e para sempre.

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41 anos, mãe do Marcello #aos20 e do Lucca #aos12. Pedagoga por formação, educadora por vocação, empreendedora por opção e uma eterna apaixonada por toda forma de desenvolvimento humano. A paixão pelo mundo fitness surgiu depois de uma depressão e hoje, o estilo de vida saudável contagia sua vida na família, nos negócios e por onde vai. Não cozinha, não gosta das atividades “do lar”, mas vive a rotina da casa como qualquer outra “dona da casa” moderna que concilia mil e uma atividades e é feliz assim, sem culpa. Coach, mentora de pequenos negócios e autora do blog Lounge Empreendedor, não abre mão da academia todos os dias, seja as 5:00a.m. ou as 11:00p.m. No Facebook: LoungeEmpreendedor e no Instagram: @AninhaCoelho

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