Você é um doador de sangue?

A pergunta é simples, mas quem a escuta pode achar estranho ser indagado sobre o seu próprio sangue e o que fazer com ele. Para algumas pessoas, doar sangue faz parte de um ritual de cidadania. Para outros, é um assunto delicado. Mas o que poucos sabem é que o sangue que você doa, não lhe faltará falta e a as transfusões de doação nos bancos nacionais são muito rigorosas e seguras.

Eu sou uma doadora desde os meus 18 anos e tenho em mente, na memória, às vezes que ouvi parentes me agradecerem – como uma estranha – por ter atendido a um chamado. Lembro também de uma amiga da faculdade que se “chocou” quando me viu lá, no Hemocentro de Curitiba, doando sangue ao seu avô, pessoa que eu não conhecia, mas soube que necessitava. Pra ela foi um gesto único. Pra mim, foi um exercício, um carinho. E por isso sempre que posso, fico a disposição desse hábito humano de doação.

A atitude é nobre e faz bem, mas doar sangue exige muitos cuidados e não é tão simples quanto parece. E como a data de celebração deste gesto vem chegando – 14 de junho, Dia Mundial do Doador de Sangue – vamos dar espaço aos profissionais.

Para a hematologista responsável pelo Banco de Sangue do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Tatiana Covas, tais exigências são fundamentais para garantir a qualidade do sangue aos pacientes que, geralmente, estão com a saúde debilitada, além da segurança aos próprios doadores.

As normas para a triagem são internacionais, sendo que o Ministério da Saúde e a Associação Americana de Bancos de Sangue são responsáveis pelo controle.

Requisitos para doação de sangue são fundamentais para segurança e qualidade da transfusão. A hematologista Tatiana Covas explica sete critérios dentre os que causam mais dúvidas aos possíveis doadores:

1. Ter entre 16 e 69 anos: Pensando no desenvolvimento fisiológico, aos 16 anos, a pessoa já pode ser submetida a qualquer tipo de testes. Já a idade máxima é por questões de saúde. “Um doador acima de 69 anos está mais propenso a ter alguma patologia”.

2. Pesar no mínimo 50 kg: O Ministério da Saúde permite a retirada de oito mililitros de sangue por quilo de mulheres e nove mililitros por quilo de homens, porém as bolsas de sangue são padronizadas para receber ao menos 400ml, o que explica a exigência de pelo menos 50 kg. Um menor volume retirado acarretaria consequências na qualidade do sangue, uma vez que o volume de substancias contidas na bolsa, necessárias para preservar a qualidade dos seus hemocomponentes durante a estocagem é a mesma.

3. Piercing e tatuagem: Se o piercing estiver em regiões com grandes chances de infecção, é proibido doar por um ano, mesmo após a retirada do acessório. Para as tatuagens, independente do local, a interdição é de pelo menos seis meses. “Hoje os riscos de contaminação são mínimos, mas é importante garantir a segurança”.

4. Viagens: É importante informar as viagens realizadas recentemente, para que o médico possa rastrear ameaças de doenças que podem ser transmitidas pelo sangue. “Quando o doador viaja para áreas endêmicas de malária, por exemplo, a inaptidão é de um ano após o deslocamento. Essa prevenção diminui os riscos de transmissão de doenças que não são testadas no doador”.

5. Feridas ou cortes: Não é possível fazer doação de sangue com feridas ou cortes extensos e recentes. O mesmo acontece se o doador estiver fazendo uso de medicamentos para infecções, como gripe ou resfriado. “Existem substâncias circulando neste doador que podem passar para o receptor, acarretando em sérias consequências”.

6. Drogas ilícitas e álcool: Segundo o Ministério da Saúde, a maconha não configura como grupo de risco por não ser injetável. Mesmo assim é solicitada a abstinência de 24 horas. “Isso evita riscos até para o doador”, alerta. Já no caso das drogas injetáveis, Tatiana Covas diz que a pessoa se torna inapto em definitivo por questão de riscos de doenças transmissíveis. Uso de drogas inalatórias exclui o doador por um ano.

7. Remédios: Há grande quantidade de medicamentos que impossibilitam a doação de sangue, visando a segurança do doador e receptor. A inaptidão varia de 48 horas à definitiva, dependendo do tempo que a droga fica agindo no organismo do doador.

Tatiana Covas salienta a importância das pessoas entenderem que os critérios são para o bem-estar de todos e que isso não pode ser um empecilho para a doação.

“Alcançamos um nível de segurança nas transfusões tão alta, que não podemos regredir”.

Devo lembrar que em alguns casos há impeditivos temporários para a doação e neste caso é fundamental que os voluntários sejam bastante transparentes no momento de preencher questionários/entrevistas.

* Os dados técnicos deste post estão sob a curadoria do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos. 😉

COMPLEXO HOSPITALAR EDMUNDO VASCONCELOS

Localizado ao lado do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos atua em mais de 50 especialidades e conta com cerca de 1.400 médicos. Realiza aproximadamente 12 mil procedimentos cirúrgicos, 13 mil internações, 230 mil consultas ambulatoriais, 145 mil atendimentos de Pronto-Socorro e 1,45 milhão de exames por ano. Dentre os selos e certificações obtidos pela instituição, destaca-se a Acreditação Hospitalar Nível 3 – Excelência em Gestão, concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) e o Prêmio Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, conquistado pelo sexto ano consecutivo em 2016.

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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