Qual história por trás da história?

Hoje é 30 de maio e o mês das mães está quase acabando (mas aqui a gente acredita que mês das mães é o ano todo, né?)

Quando a gente encontra uma mãe com um bebê nos braços é sempre a mesma coisa: “que lindo!”, “a cara do pai”, “ah, não, é a sua cara!”, “foi normal ou cesárea?” e por aí vai.

O que não se sabe e quase nunca se pergunta, é qual a história da chegada daquele bebê. Eu li um depoimento de uma pessoa conhecida e nele ela relata ter tentado por vários anos engravidar e nestes anos ela também teve uma perda gestacional, eu não imaginava!

Imagem do Pixabay

No início do mês, a Pampers lançou uma campanha muito bonita para homenagear as mães no  “Dia das Mães”. A campanha se chama “Obrigada bebê, a gente estava te esperando”. São vídeos com depoimentos de mães que esperaram bem mais que 40 semanas para ter seus bebês nos braços.

Três histórias ilustraram com maestria e amor o lançamento da mesma, que aconteceu num evento muito gostoso.

Da esq. p/ dir.: Ana Hickman, Astrid Fontenelle, A Dra Liliana Seger e Isabella Fiorentino.

Isabella Fiorentino compartilhou com um time de mães, jornalistas e blogueiras, um pedaço da sua história em que o desejo de ser mãe  a salvou de uma anorexia no auge de sua carreira como modelo. Quando descobriu sua gestação múltipla raríssima: trigêmeos univitelinos concebidos naturalmente, seus desafios foram ainda maiores. Ela dividiu emocionada a lembrança de cada etapa, o susto pela notícia, a suspeita de que poderiam ter síndrome de down, a espera pelo resultado da amniocentese descartando essa possibilidade, a internação na 25° semana, uma tentativa de estender ao máximo a gestação. O parto prematuro, o tempo de uti neonatal até poder levar o Nicolas, o Bernardo e o Lorenzo pra casa. E quantas histórias como a dela a gente nem faz ideia que aconteceu por aí, não é mesmo?

Astrid Fontenelle relatou todas as mudanças que fez em sua vida  para a chegada do Gabriel. o tempo da espera desde o desejo que falou mais alto que qualquer outra, inclusive na carreira, e de sua luta para que seu filho pare de ser apontado como filho adotivo (é filho e pronto!).

Ana Hickmann recorreu a uma fertilização in vitro para ter seu bebê e relatou toda ansiedade durante todo o processo que durou o tempo da reflexão, em ter ou não um filho quando o desejo bateu forte, as conversas com o marido e a decisão final, a ansiedade pelo tratamento, a espera até ter o Alexandre nos braços.

Foi um encontro realmente lindo e me fez pensar em todas as mães que viveram histórias assim e abraçaram a maternidade sem nem saber direito se seria possível torná-la concreta.

A Dra Liliana Seger, que também estava por lá e com quem eu tive o prazer de conversar por um bom tempo no final do evento, escreveu um livro para ajudar quem é “tentante” a lidar com a ansiedade que é, muitas vezes, esta espera. A Dra Liliana percebeu a solidão e a falta de apoio e espaço para compartilhar as angústias de quem busca uma reprodução assistida e por quem pensa em buscar este caminho. O livro reúne depoimentos de quem viveu essa história e conta o que  trazia mais dor nos diferentes momentos do processo, desde a decisão de ter um bebê, passando pela descoberta da infertilidade do homem ou da mulher, os tratamentos, até a maternidade ou adoção. Eu fiquei com vontade ler.

                                            Imagem tirada da web

 

Meus dois filhos foram planejados e aconteceram de maneira natural, sem tanta espera. A Luiza, hoje com 8 anos, chegou em 39 semanas e 4 dias. Fiquei grávida logo na primeira tentativa, sei dizer o dia (risos). Meu marido morava no Rio na época e eu tinha ido à ginecologista dias antes, então eu sabia que estava ovulando naquele final de semana. Lembro da mistura de sentimentos que me invadiu quando minha menstruação não veio no dia marcado. Era um misto de êxtase e pavor. Eu tinha medo de estar e de não estar, vai entender, né? Duas linhas azuis tão mágicas e eu virei mãe ali mesmo, que coisa mais doida!

O Guilherme foi um tantinho mais difícil. Como da primeira vez foi fácil assim, eu tirei o DIU de cobre e ainda esperei um pouco porque queria viajar de férias sem estar grávida, pra evitar todos aqueles incômodos que poderiam acontecer. Só que quando demos chance pra sorte, nada aconteceu. Foram 7 meses de ciclos menstruais muito curtos,muita frustração. Fui ao médico acreditando que eu não tinha mais óvulos, estava com 38 anos e minha mãe entrou no climatério nesta idade. Quando me conformei que dali em diante eu só pariria ideias e projetos, me pego mega doente e me descubro grávida. Que susto! (muitos risos). Assim, o Guilherme foi gestado por 24 semanas de desejo, mais as 39 semanas de gestação. Ou seja, um pouco mais que as tradicionais 40 semanas.

E você, como foi sua história? Conta aqui pra gente!

E feliz toda celebração da maternidade. O dia oficial já passou, o mês está chegando ao fim, mas mãe não tem dia certo, não. É todo dia!

Olha que mesa linda para celebrar o dia de todas nós!
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Nivia Gonçalves Masutti, Psicóloga, Psicoterapeuta Existencial, com experiência em Saúde Pública e Saúde Mental e em Recursos Humanos. Deixou o serviço público e mais tarde, a vida corporativa, ao perceber que, mesmo sendo apaixonada pela correria do trabalho, a maternidade é a sua melhor parte. Mãe de primeira e de segunda viagem, da Luiza e do Guilherme, depois de muitas rupturas e recomeços, encontrou na Psicologia da maternidade, um jeito novo de conciliar as coisas que mais ama: a Psicologia e os filhos. Apaixonada pelos processos de crescimento e transformação do ser humano e pela força dos grupos, atua hoje com atendimentos clínicos individuais, coordena um grupo de pós parto, o Grupo de "Powerpério", na Lumos Cultural, e ainda encontra energia para juntar na sua prática profissional outra paixão: fazer pães, usando o processo de fabricação dos mesmos como metáfora para explicar os caminhos de transformação pessoal.

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