Vila Sésamo apresenta nova personagem, uma menina autista

Aqui em Niterói eu tenho sabido e acompanhado inúmeros casos de diagnósticos recentes de autismo e muitas vezes questiono as mães sobre a minha percepção em relação a um “aumento considerável” nesses índices nos últimos anos. Meu filho caçula tem dois amigos da mesma faixa etária, #aos4, com diferentes espectros autistas (que inclui, além do autismo clássico, a síndrome de Asperger e outros distúrbios do desenvolvimento) e necessidades de acompanhamento. Ambos frequentam a mesma escola tradicional que o @guri_valente e ambos tem a atenção de uma mediadora, uma professora que media e intervem em seus processos de aprendizado dentro da sala de aula, junto aos colegas e às professoras titular e auxiliar. São crianças ótimas, carinhosas e em constante desenvolvimento, porém com desafios específicos que, graças a Deus, as famílias assumem com maestria.

Mas a minha reflexão se mantém e com certa frequência eu noto que os casos estão aumentando. Como tenho filhos pequenos, claro que acabo “presa” à convivência com crianças autistas dentro da faixa etária dos meus, até 9 ou 10 anos, mas leio muito sobre os desafios e habilidades de diferentes crianças, em diferentes denominações para os processos autistas. Recordo sempre da dedicação exaustiva e da relação afetuosa de uma mãe curitibana, Simone Zelner, amiga pessoal da Sam (nossa editora). Simone é nutricionista por formação, mãe de Gabriel e edita um blog onde narra desafios e conquistas em suas vivências pessoais. Merece destaque, inclusive.

Resgatei uma entrevista que Simone e outro pais de filhos autistas, concederam ao jornal Gazeta do Povo, um dos veículos mais lidos no Paraná. Segue abaixo:

“Gabriel é meu exercício diário de paciência. Suas limitações me ajudam a compreender melhor o mundo que nos cerca, ter mais respeito, me ensina dedicação e abnegação. Ver o mundo pelos olhos do Gabi me mostrou coisas que eu não tinha mais tempo para ver, coisas simples que estão aí, mas que a correria do dia-a-dia acabam fazendo passar em branco. Ele me ensinou que as pequenas coisas são aquelas que valem mais a pena. 

Ele não é um autista clássico, tipo Rain Man. Pelo contrário, é daqueles superagitados, que estão sempre pulando, subindo em tudo e dando gritinhos de felicidade. Ele também é extremamente ‘sedutor’ e faz altas chantagens emocionais – autistas também têm emoções, mas nem sempre conseguem demonstrá-las.Os momentos mais inesquecíveis são aqueles em que ele me olha nos olhos fixamente, me abraça, me dá um beijo”.

Lembrei da história deles e revivo mentalmente (aqui) as histórias dos coleguinhas do meu filho, pois percebo a necessidade de falarmos mais sobre este assunto. Tratar de maneira bastante ampla os conceitos, o difícil diagnóstico e o modo como podemos investir numa relação saudável e de acolhimento para apoiar autistas e suas famílias, a todo momento. Dito isso, imaginem como fiquei feliz e achei bem vinda a aparição de uma personagem autista na tradicional série infantil (da televisão norte-americana) Vila Sésamo?!

De acordo com Jeanette Betancourt, vice-presidente da companhia Sesame Workshop, a concepção da personagem Júlia demandou um certo tempo para ser desenvolvida, a fim de não faltar com a verdade e, nesse período, muitos pais de pequenos autistas foram ouvidos, assim como médicos e associações que lutam pela causa. “Queremos promover uma melhor compreensão e reduzir o estigma que envolve estas crianças. Nós fizemos um molde de um jeito que tanto crianças quanto adultos possam ver o autismo a partir da perspectiva de uma base de força – encontrar coisas em comum entre todas as crianças”, defendeu ela. Aqui entre nós, fãs como somos da Vila Sésamo e em especial do querido Elmo, meus filhos e eu adoramos a notícia.

Com o objetivo de voltar a atenção da população para o autismo e desconstruir estereótipos, a série infantil Vila Sésamo anunciou a inserção de uma personagem com autismo. A partir do dia 10 de abril de 2017, os pequenos que moram nos Estados Unidos vão conhecer Júlia: uma muppet de 4 anos, ruiva, de olhos verdes, que gosta de cantar e pintar e tem o costume de repetir as frases ditas pelos amigos. No começo, alguns deles ficam chateados por ela nem sempre interagir da maneira como eles estão acostumados, mas com o tempo, os colegas percebem que a garotinha tem um jeito diferente de se expressar.

A escolha de uma personagem feminina na série também é um ponto que merece destaque, já que os meninos são mais propensos a desenvolver o autismo. Em 2016, uma pesquisa britânica estudou essa relação e sugeriu que os sinais do transtorno são diferentes nas garotas, que podem apresentar mais facilidade nas relações sociais do que os garotos. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), uma em cada 68 crianças recebem o diagnóstico do distúrbio nos Estados Unidos.

Vale lembrar que o autismo é um transtorno que costuma apresentar os primeiros sinais até os três anos de idade e pode afetar o desenvolvimento da criança em alguns aspectos – como a presença de comportamentos repetitivos e a dificuldade de interagir socialmente e de se comunicar. E o que a personagem Julia, de Vila Sésamo, busca é quebrar a barreira do preconceito e trazer mais inclusão no mundo infantil, para que os baixinhos aprendam desce cedo a respeitar as diferenças.

Vamos torcer para que esse objetivo e as ferramentas lúdicas auxiliem e muito!

Sobre o autismo

Fonte: Portal Bebe.com.br

1. O que é autismo?
Trata-se de um distúrbio que afeta o desenvolvimento da criança já nos três primeiros anos de vida, especialmente em determinados aspectos:

  • Linguagem: o transtorno pode acarretar limitações na fala. Em casos extremos, os pequenos autistas não conseguem, de fato, progredir na comunicação verbal
  • Interações sociais: o isolamento é uma característica que se manifesta frequentemente nesse grupo. Não raro, ocorre a dificuldade em estabelecer relações sociais, que geralmente se dão por meio de interações curtas.
  • Variabilidade comportamental: os autistas exploram seus brinquedos de maneira restrita, focando apenas um detalhe ou uma função específica do objeto. Além disso, apresentam comportamentos repetitivos e auto-estimulatórios, intolerância a mudanças na rotina ou na disposição do ambiente.

2. Existem diferentes graus de autismo?
Algumas crianças manifestam sintomas mais brandos, enquanto em outras eles aparecem de maneira mais agressiva. Há casos em que há também uma associação com outras enfermidades, como deficiência mental, distúrbio alimentar, do sono ou transtorno obsessivo-compulsivo. Diante de tantas variáveis, fica difícil classificar os graus de autismo com precisão.

3. Como é o diagnóstico? Como posso saber se meu bebê é autista?
Cabe a um psiquiatra ou neurologista infantil a tarefa de identificar o autismo com base em avaliações clínicas, a partir da observação do comportamento do pequeno e dos relatos familiares. Não existem testes laboratoriais capazes de apontar a alteração.

4. Idade influencia?

A associação entre a idade da mãe e o risco de autismo já é bastante conhecida pela ciência: estudos demonstram que quanto mais velha for a mulher ao engravidar, maior a probabilidade de o seu filho desenvolver esse tipo de distúrbio. Mas um trabalho de peso divulgado em junho de 2015 no periódico científico Molecular Psychiatry provou de vez que essa relação é verdadeira. E mais, a idade do pai também deve ser levada em conta, segundo o levantamento. Neste estudo, os pesquisadores tinham como objetivo investigar se a idade avançada do pai e da mãe era, por si só, um fator de risco para o autismo. E foi exatamente o que descobriram: os resultados evidenciaram que quanto mais velhos os pais (tanto o homem quanto a mulher), maior o risco de os seus filhos serem autistas ou terem algum transtorno associado a esse distúrbio. As análises apontaram ainda que a propensão ao problema crescia quando havia uma diferença de idade maior do que dez anos entre os genitores. “A gente tinha a ideia de que só a idade da mãe seria importante, mas esse estudo mostra que não”, comenta Rudimar Riesgo, da UFRGS.

Falaremos mais sobre o assunto em breve. Abraços!

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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