Criança não namora!

Organizada pela Secretaria de Assistência Social do Amazonas, a ação contrária a sexualidade infantil precoce tem sido compartilhada por inúmeros pais e mães na internet, ganhando a simpatia de influenciadores digitais, blogueiras e educadores.

No último final de semana, enquanto fazia algumas leituras bem ao nosso gosto – família, comportamento e educação – deparei-me com este banner que ilustra o post, um chamamento, uma bandeira levantada pela Secretaria de Assistência Social do Amazonas, lançada no último dia 05 de abril, a fim de inibir motivações pela erotização precoce nas crianças. O slogan “Criança não namora, nem de brincadeira”, é algo que caminha ao encontro do pensamento de muitos pais que estão aí, diariamente, tentando educar e orientar os filhos para relações sociais e afetivas sem preconceitos, mas dentro da maturidade emocional condizente com sua idade.

Aqui em casa, por exemplo, #aos9 se dizia apaixonado por uma coleguinha de escola já #aos3 e diariamente queria presenteá-la na porta da escola. Até então filho único, mas nitidamente, uma criança mais do que inocente, explicamos que a “paixão” era carinho e que estar na companhia da coleguinha era apenas curtir a amizade. Os melhores presentes poderiam ser elogios e brincadeiras sem briga. A amiga mordia muito (outras coleguinhas), mas era doce e atenciosa com ele… Funcionou e então ele a chamava de bailarina, elogiava seu cabelo e brincavam de modo saudável. Até por não termos muita intimidade com os pais da criança, fora da escola, não havia malícia em nenhum tipo de comentário vindo dos adultos e à época, as professoras, eram excelentes e atendiam muito bem a questão. Mais tarde, quase #aos5 nosso menino se “apaixonou” de novo e por essa amiga, com quem tem muito convívio e grande amizade (inclusive os pais), ele vem nutrindo carinho, admiração e confiança numa relação de amizade que já dura mais de 4 anos. E ainda que sejam crianças próximas, as brincadeiras ainda são brincadeiras, o cuidado de um com o outro é visível, porém ainda que a amiga tenha confidenciado que pensa em casar com ele, nunca sequer praticaram um beijo ou algo mais. Eles gostam de estar na companhia um do outro e #aos9 anos são orientados para o fato de que crianças não namoram. O namoro, um relacionamento mais íntimo, pode vir a acontecer no futuro, mas não se antecipam ações cujo coração (inteligência emocional), fisiologia (desenvolvimento) e comportamento social ainda não tem maturidade para ser.

“Nada substitui a pureza do coração de uma criança. Nada traz de volta a ternura das primeiras impressões sobre o sentimento alheio. Nada se compara à delicadeza e sutileza das memórias de amigos e amigas que devagar conquistaram mais espaço no coração de uma criança. Amizades de infância são uma dádiva, não devem ser confundidas com algo mais. E nenhum adulto, em infeliz comportamento de provocar ou incitar conotação sexual, tem o direito de alterar o valor das amizades infantis com insinuações, piadas ou chacotas que venham a deturpar o respeito e carinho que meninos e meninas nutrem entre si”.

(@tiffanystica)    

Dito isso, esse meu relato comprova a vocês como fiquei feliz quando soube da “Campanha Criança não namora, nem de brincadeira”, cuja iniciativa acontece em parceria com o blog Quartinho da Dany. A hashtag #criancanaonamora ganhou as redes sociais e faz parte de uma ação mais ampla do governo do Amazonas que pretende mobilizar escolas, comunidades, psicólogos e pais contra a exploração infantil. Que seja bem sucedida a campanha e sua propagação.

Ainda em referência a toda essa mobilização, transcrevo um trecho de entrevista publicada pela edição on line da Revista Crescer, com dados desta campanha. Atentem para os links de visitação sobre os temas, pois são todos conteúdos interessantes para essa nossa discussão e reflexão sobre a sexualidade infantil e sobre os direitos de se conservar a infância.

“Em dois dias, nossa caixa de e-mails lotou” conta Carolina Pinheiro, assessora de comunicação da Secretaria do Estado de Assistência Social. “Não pensamos que fôssemos ouvir tantas histórias diferentes. Muitos pais e professores realmente não sabem como agir em relação ao assunto, e precisam de um suporte”, afirma Luiz Coderch, coordenador do Centro de Convivência da Família e do Idoso do Estado do Amazonas. “Esbarramos em um quadro mais complexo quando se fala em comportamento inadequado de crianças. No geral, elas apenas reproduzem o que veem em casa ou o que são incentivadas a fazer ou a dizer. Então, o problema é de toda a sociedade. O que ela vê, ela faz.”

É preciso respeitar o desenvolvimento cognitivo de cada etapa da vida. Uma criança não sabe o que é um namoro, ela não tem esse discernimento. Para Luiz, é natural que meninos e meninas sintam algum tipo de repulsa em relação aos beijos entre adultos – sinal de que ainda não têm maturidade para compreender todas as nuances de um relacionamento com outras pessoas. Do ponto de visto psicológico e biológico, precisam amadurecer. “Um abraço no amiguinho, um beijo no rosto e demonstrações de afeto que ele recebe dos adultos em casa são seu instrumental afetivo. Beijar os pais na boca, por exemplo, especialmente entre os 4 e 7 anos, não é algo totalmente adequado. Nem pediatras recomendam.”

Para Vera Zimmermann, psicanalista do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp (SP), o machismo ocupa papel central nessa história. Em idade escolar, meninos são incentivados a terem uma “namoradinha”, e meninas são ensinadas a se comportar. Essa é a regra geral. “Os pais interpretam o interesse pelo outro, as preferências por tais e tais amigos, as primeiras escolhas infantis, como algo erótico, quase genital. Não se trata disso. A criança só está aprendendo a fazer amigos e a se relacionar. Não são namoradas ou namorados. Essa é uma projeção dos adultos.”

Professores e escolas também precisam estar atentos. A conversa precisa de uma correção de rota, caso o papo de namoro surja muito cedo. Criança tem de brincar. A brincadeira infantil é um exercício de comportamento; ao pular o aprendizado, a criança apenas reproduz comportamentos, sem compreendê-los. A hora de namorar vai chegar. “Os adultos é que precisam ser reeducados a entender o universo infantil. A criança não discrimina sentimentos de aproximação e amizade. Antecipar essas sensações só causam angústia à criança. É preciso reconduzi-la ao mundo infantil”, crê Vera. 

Nos próximos posts, volto para falarmos mais sobre isso e vamos trazer a palavra da psicóloga Nívia Masutti, colunista aqui do @maecomfilhos.

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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