Trauma dentário: o que você precisa saber?

Há um grito de criança, um chamado de filho que mãe nenhuma gosta de ouvir e ele é: “- manhê, quebrei meu dente!”

É comum durante a infância as crianças caírem e assim baterem os dentes. Entre 1 e 8 anos, desde o aprendizado dos primeiros passos até a prática de esportes e sua autonomia diante de bicicletas, patinetes, skates ou mesmo a piscina, os acidentes acontecem com certa frequência. Na maioria das vezes, os pais ficam tão atordoados com o susto e ao mesmo tempo desesperados com a situação, que pode estar acompanhada por sangramento, que esquecem de como proceder para “salvar” o dente ou diminuir o dano causado. Por experiência própria, sei que a sensação de ver o dente permanente de seu filho quebrado é  um choque, principalmente quando somos dentistas.

Normalmente, as maiores complicações acontecem quando não é feito atendimento imediato por um profissional especializado e quando há desconhecimento sobre a melhor conduta a ser tomada. O que deve ser feito inicialmente?

Dependendo da gravidade do acidente, devemos nos preocupar com traumas na cabeça e verificar qualquer sinal de sonolência e tontura. Quando está acompanhado de sangramentos, precisamos estancar usando, preferencialmente, gaze ou algodão e colocar gelo. Em seguida, procurar um profissional para avaliar as lesões, solicitar e realizar exames radiográficos e proceder o tratamento adequado para o caso.

Os tipos de trauma são:

  1. Deslocamento: quando o dente continua na boca, mas com mobilidade e ligeiramente fora do lugar e, neste caso, quanto mais rápido for reposicionado maiores as chances de ser recuperado. Nos casos em que acontecem leve sangramento e/ou aumento da mobilidade, pode ter ocorrido uma fratura de raiz e o atendimento deve ser o mais rápido possível.
  2. Fratura: que pode ser apenas do esmalte, de esmalte e dentina ou até mesmo àquela que expõe a polpa do dente. Nos casos em que a parte quebrada do dente é encontrada, coloque-a em água filtrada ou soro fisiológico e procure o dentista imediatamente, pois dependendo do tamanho do fragmento é possível fazer sua colagem no dente, recuperando-o esteticamente. Outro ponto importante é que nestes casos de fratura, a polpa pode estar exposta e precisa ser protegida o mais rápido possível.
  3. Intrusão: o dente é empurrado para dentro do alvéolo (osso). 
  4. Avulsão: quando o dente é totalmente “arrancado” do alvéolo, e quanto mais rápido for reimplantado, maiores serão as chances de sucesso. Coloque o dente num recipiente com soro fisiológico, leite, saliva ou água, e recorra imediatamente a um profissional. Nunca segure o dente pela raiz e sim pela coroa e lave-o em água corrente. Se isso acontecer com o dente de leite, o reimplante não está recomendado, mas é muito importante que o profissional examine a criança o mais rápido possível.

O que é importante ter conhecimento:

  • Que o dente de leite tem raiz e que no seu interior existe um canal por onde passam nervos e vasos sanguíneos (polpa). E que o dente permanente está sendo formado muito próximo desta raiz, desde que a criança nasce, existindo o risco de ocorrer alguma sequela no dente permanente dependendo do tipo de trauma sofrido.
  • Que todo dente que sofre traumatismo tem que ter acompanhamento clínico e radiográfico no consultório, pelo período de no mínimo 1 ano e 6 meses para os dentes de leite e acompanhamento de até 5 anos para os dentes permanentes, pois podem acontecer complicações decorrentes do trauma ao longo desse tempo (alterações de cor e reabsorções, são alguns exemplos).
  • Que nem sempre o dente afetado por trauma apresenta alteração da cor. E se houver, nem sempre isso indica perda de vitalidade do dente e consequente necessidade de tratamento, mas caberá ao profissional avaliar se haverá indicação de algum tratamento específico para o caso ou apenas continuidade do controle periódico.
  • Que mesmo os “pequenos” traumas nos dentes de leite, onde só há um leve sangramento, precisam de atenção!

 

Abaixo, para fins de ilustração caso desejem explicar o procedimento aos filhos, achei esse vídeo feito por alunos de um curso de enfermagem e que, simbolicamente, traz uma ideia geral sobre o que foi falado neste post.

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Rosana Vaz

Rosana Vaz, ortodontista pediátrica, mãe full time, fã de cinema, dança, artes e cultura pop. Sou mãe de duas bailarinas lindas, Victoria, 11 e Sofia, 9.

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