Afinal, o que é esse tal “limite” que tanto se fala que as crianças não têm?

Quando eu achei que estava com tudo resolvido, a questão dos limites resolvidas com meus meninos grandes, chegou a fase da pequena! Puxa, eu tinha até esquecido como a idade entre os 3 e 5 anos é cheia de perguntas, de testes deles, de um ir e vir de competências (argumentação, vontades e tudo mais) que a gente acha lindo e ao mesmo tempo acha cansativo!

Mas sei que tem jeito. E que a gente tem se manter firme, com amor e atenção, mas firme no que achamos que é o jeito certo de agir com as pessoas ao seu redor. 

E a escola, o ambiente social, tudo influencia.

O que mais se escuta, atualmente, em relação à educação infantil, é que “as crianças não têm limites”.

Mas, afinal, o que isso significa? Será que, por mais que os pais tentem, os pequenos não aprendem a educação que lhes é ensinada?

“Não é bem assim. Hoje, as crianças têm mais liberdade e menos orientação clara em relação às regras de convívio social. Por isso, invadem o limite alheio”, explicou em entrevista a pedagoga Katarina Bergami.

É por isso, portanto, que o termo “limite” é tão utilizado.

“Em tempos passados, era dentro de casa que se ensinava a criança a não interromper a conversa dos adultos, a respeitar o espaço e os objetos das outras pessoas, a não mexer no que não lhe pertencia… Agora, essas regras se perderam e se elas não existem dentro de casa, não serão respeitadas em nenhum lugar, mesmo quando a pessoa se torna adulta e vai para o mercado de trabalho. A criança possui uma liberdade infinita e não sabe o que fazer com essa liberdade porque ninguém a ensina.”

Para Katarina, um dos principais exercícios que os pais precisam realizar em casa é o de ensinar a criança a ouvir.

“Em família, toda a atenção é para a criança. Ela é ouvida o tempo todo e atendida em todas as suas necessidades, imediatamente. Desta maneira, não aprende a escutar os demais membros da família e dar a eles espaço para que falem. É justamente por isso que surge o comportamento inconveniente da criança que quer toda a atenção para si e não deixa os pais conversarem.”,

Na prática, Katarina explica que os pais precisam ser firmes, dizendo à criança: “eu escuto você, agora você me ouve (ou ouve o irmão ou outro familiar)”. Desta maneira, a criança vai criando o hábito de ouvir, entender e a paciência de esperar sua vez. “No começo, não é fácil, como nada é fácil na educação. Mas, com o tempo, tudo se ajeita.

Para se ter ideia de como essa questão é importante e se repete em todas as famílias, ela é uma das mais problemáticas na escola.

“Os professores levam meses para conseguirem ser ouvidos porque todas as crianças querem falar ao mesmo tempo. Realmente, eles não sabem respeitar o limite entre ficar quietos e escutar o professor porque não têm essa regra em casa.”

A questão dos “limites”, portanto, passa por regras claras e aplicação de bons hábitos.

“Se os pais forem firmes em seus propósitos, não precisarão punir as crianças. Elas entendem, mas querem toda a atenção para si. Nós temos a tendência óbvia – e justa – de amá-las a ponto de colocar toda a atenção à disposição delas, mas, devemos nos lembrar que elas precisam saber que fazem parte de um mundo em que há outras pessoas que merecem ser ouvidas, respeitadas e amadas também.”

Quer saber mais? Indico dois artigos legais:

 

Entenda em que fase seu filho está e como funciona o limite em cada uma.

Até os 6 meses: ele não tem noção de que existem outras coisas além dele. Mas os horários de banhos e mamadas são suas primeiras regras.

Até os 2 anos: seu filho começa a perceber o mundo e as pessoas ao seu redor, mas ainda não sabe dividir – é a tradicional fase do “é meu!”. É nesse período que o “não”, principalmente relacionado à segurança, passa a fazer parte mais ativamente da vida dele. Porém, a criança nessa idade quase não entende essa palavrinha. Portanto, não ache que isso será suficiente para que ela não ponha mais o dedo na tomada. Se for preciso, retire-a de perto do perigo.

Dos 3 aos 5 anos: é quando tem início os períodos de birra e da aquisição da fala, o que permite mais argumentação – é a fase dos porquês. Por isso, vale usar uma explicação mais elaborada, passando valores, questões morais e conceitos de bem-estar dela e do outro.

Após os 6 anos: a autoridade dos pais começa a enfraquecer, pois passa a ser ainda mais dividida entre professores, pais de amigos, e outros. Nessa idade, começa o contraste das responsabilidades. Portanto, use a proibição somente nos casos em que a argumentação não é suficiente. O elogio continua sendo poderoso, mas ele precisa ser merecido. Isso não significa parabenizar só quando seu filho acertar, mas também quando ele se empenhar para conseguir. Quanto mais velha a criança, mais trabalho dá para colocar limites, mas nunca é tarde!
E essa tabela ajuda a pensar no que a criança já pode assumir de responsabilidade em cada idade:

(SILVA, Raquel C.S. Palestra: Limites na Educação Infantil da Psicologia)

(Katarina Bergami é mestra em Psicopedagogia pela Leibniz Universität Hannover – School of Education e atua como Coordenadora Educacional da Faces Bilíngue.)

 

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Sam Shiraishi

Paranaense, Jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela. Mooquense de coração. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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