Hugh Jackman, o Peter Pan que amadureceu bem 

Na época do lançamento do filme Pan, li uma entrevista com  Hugh Jackman na qual ele fala sobre sua infância, do abandono (por parte da mãe) aos 8 anos de idade, seu casamento e a adoção de duas crianças.


Lembrei de ter visto fotos da família em viagens e também das declarações de que ele preservava os filhos e não os deixava assistirem os filmes violentos que faz.

E como nesta semana estamos todas ligadas no Logan e a Tiffany já declarou amor ao filme neste post, trago uma declaração de fã pela pessoa que HJ parece ser.

🙂

Vejam como o eterno Wolverine é um cara legal:

Então Peter Pan é especial para você porque, assim como no caso de Peter, sua mãe deixou você?

Sim. [Mas] Eu estava mais preocupado a respeito da conexão com o filme para os meus dois filhos adotados. Nas cenas do orfanato no começo do filme a freira fala de forma bem ríspida: “Suas mães não estão esperando por vocês. Vocês não vão vê-las novamente”. Eu li essa parte para a minha esposa e conversei com o [diretor] Joe Wright a respeito. Eu disse: “Espera um pouco. Isso está lidando com adoção e órfãos. Eu quero ter certeza de que este filme não é algo com que meus filhos vão se sentir estranhos a respeito”. Toda a vez que faço um filme, eu penso: “meus filhos vão ver isso”. Quando é um filme sobre adoção, quero ter certeza de que eles não vão se sentir desconfortáveis. Peter Pan é um conto clássico, mas nós vivemos em um mundo diferente, onde estamos mais sensíveis a respeito da adoção. Eu estou completamente confortável com ele. Se não estivesse, não teria feito o filme [Jackman interpreta o pirata Barba Negra no filme].


Como você era quando criança?

Eu era volúvel. Minha mãe me deixou quando eu tinha 8 anos. Eu não demonstrava essa raiva toda até meus 12, 13 anos. Ela eclodiu porque meus pais iam se reconciliar, o que não aconteceu. Mas até então eu tinha a esperança de que eles iriam.

O quão irado você era?

Foi uma perfeita tempestade de hormônios e emoção. Eu nunca disse isso antes: Eu apenas lembrava que tínhamos aqueles armários de metal na escola e, por alguma razão, metade por diversão, nós costumávamos bater com a cabeça neles até que se formasse uma depressão neles. Era uma espécie de competição para ver quem era o mais maluco e o mais forte. Jogando rugby, minha raiva aparecia, uma raiva que eu identifico como a do Wolverine.

Por quê?
A partir do momento em que minha mãe nos deixou, eu me tornei uma criança medrosa que se sentia sem poder. Eu era o caçula [Jackman tem outros quatro irmãos]. Eu era o primeiro a chegar em casa e tinha medo de entrar sozinho. Eu esperava lá fora pelos outros, com medo, frustrado. Eu tinha medo do escuro. Eu tinha medo de altura. Isso me limitava. Eu odiava isso, e isso contribuía para a minha raiva.


Você frequentou uma escola exclusiva para meninos?

Uma escola maravilhosa! Eu era o capitão da escola, yeah! Eu fiz de tudo: esportes, musicais. Nada era o suficiente para mim. Talvez porque eu era o mais novo de cinco irmãos, vendo meus irmãos e irmãs sendo capazes de fazer tudo o que eu não conseguia. Eu pensava: “Uau, sou um adulto. Isso é incrível!”

Você era feliz lá?
Essa escola caiu como um luva. Até hoje, como ator, se você olhar as minhas escolhas, elas eram muito amplas, do teatro musical a este filme. Eu melhoro minhas habilidades por não me limitar a apenas uma área. Eu procuro por disciplina e estrutura, o que foi me dado nessa escola. Hoje, quando não estou trabalhando, eu estruturo meu dia. Eu sou bem regrado a respeito das minhas refeições, do meu treinamento, da minha prática de canto e todo o resto na minha vida. E eu gosto disso.

Quando você descobriu que deveria ser um ator?
Eu sou cristão. Eu cresci muito religioso. Eu costumava frequentar diferentes cultos religiosos todo o tempo. Quando eu tinha cerca de 13 anos, eu tive uma premonição de que eu estaria no palco da mesma forma que os pregadores que eu via.

Deixando de lado o dinheiro e a fama que você conquistou, o que atuar deu a você e de que realmente precisava?

Essa é a melhor questão que já me fizeram. Paz. Há coisas me guiando que não são saudáveis, como aprovação e respeito para preencher alguns buracos em mim. Eu valho alguma coisa? Todos aqueles medos. Através da atuação, eu sou capaz de encontrar um nível de felicidade, de paz, de calma e de alegria. E isso é muito natural.

Felicidade, paz, transcendência: isso soa religioso.

Eu sou uma pessoa religiosa. Quando estou atuando, eu sinto o que todos estão procurando, o sentimento que une todos nós. Chame isso de Deus. Antes de entrar no palco todas as noites, eu paro e dedico a minha performance a Deus, no sentido de “Permita-me que eu me entregue”. Quando você se permite se integrar à história, ao personagem, à noite, à plateia, a transcendência acontece. E, quando isso acontece, não há nada como isso neste planeta. É o que as pessoas experimentam quando se apaixonam, que é igualmente aterrorizante e excitante.


Foi assim que você se sentiu quando conheceu sua esposa?
Nós nos conhecemos num programa de tevê. Eu fiquei morrendo de medo quando percebi que tinha uma queda pela estrela do programa [Deborra-Lee “Deb” Furness]. Eu não falei com ela por uma semana. Finalmente ela disse: “Eu fiz alguma coisa que irritou você?” Eu disse: “olhe, eu tenho uma queda por você. Eu sinto muito”. Ela respondeu: “Oh, eu também tenho uma queda por você”. Isso aconteceu há 20 anos [risadas].

Por que seu casamento é bem sucedido?

Quando eu conheci a Deb, percebi imediatamente que eu ia me casar com ela. Eu me forcei a esperar seis meses porque pensei: “Talvez seja paixão. Eu sou muito jovem para saber”. Foi ridículo. A cada dia o amor se tornava mais profundo. Eu sentia uma confiança completa que ela esperava que eu fosse exatamente quem eu sou. Eu não preciso ser nenhuma outra versão de Hugh Jackman para que ela me ame.


Por que vocês adotaram seus filhos?
Nós sempre quisemos filhos. Eu fui criado em uma família com cinco crianças, duas foram adotadas, três eram biológicas. Foi uma mistura natural para mim. Deb se sentia da mesma maneira. Nós pensamos que teríamos um casal de filhos biológicos e talvez um adotado. Mas, biologicamente, nós não conseguimos ter filhos.

Ela sofreu dois abortos espontâneos?
Sim. Foi um tempo difícil. Deb não desistia. Mas, em um certo momento, eu disse para Deb vamos adotar agora. Então nós adotamos, e tem sido o maior, o mais completo e desafiador papel de nossas vidas.

O que mais preocupa você?
Meus filhos. Eles estão crescendo com grandes privilégios e grandes desafios. E eles têm essa fama e os paparazzi que eu não tive de enfrentar porque nenhum deles tinha interesse em meu pai. Nós nos preocupamos bastante. De certa forma, eles conseguem algumas coisas muito facilmente de outras pessoas quando não deveriam.

Eles podem pensar que têm mais direitos que os outros?



Absolutamente. Eu constantemente converso com eles sobre respeito e gratidão. Eu digo: “Infelizmente, eu serei mais duro com vocês do que seria se eu não fosse famoso, porque as pessoas vão ser naturalmente menos duras com vocês”. De um a certa forma eles têm de se comportar melhor, ter mais respeito, ter mais gratidão que outras crianças. Eu tento mantê-los o mais perto da realidade possível.
(Tradução da entrevista: Kamila Mendes Martins do original daqui.)

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Sam Shiraishi

Paranaense, Jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela. Mooquense de coração. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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