Alimentação infantil é cópia dos pais. Como mudar velhos hábitos?

A alimentação é um dos assuntos que mais causa temor e discussão entre os pais e responsáveis quando o foco é a educação e criação de um menor. Dos primeiros seis meses de vida até a adolescência, uma grande quantidade de crianças estará em constante conflito com seus pais por causa da alimentação ideal e isso, em geral, não é culpa deles. Industrializados, doces e fast food são atrativos que deixam as crianças, sobretudo as que estão mais expostas à “publicidade sem supervisão”, interessadas em consumir o produto pronto, na embalagem colorida e com àquela aparência linda. Podemos entendê-los, não é?!

Os nossos hábitos alimentares fazem parte de um processo consolidado na infância e se estenderão por toda a vida, com efeitos difíceis para alguns e muito tranquilo para outros. O grande desafio está em ter a oportunidade de ser apresentado a alimentos saudáveis e variados desde sempre. Alimentos frescos, opções de cardápios variados, cores, formas e cheiros distintos podem surtir um efeito positivo, conquistando o paladar dos pequenos ainda na primeira e segunda infância.

É claro que uma vez que o ritmo frenético da vida urbana, a falta de tempo para preparar refeições e as facilidades oferecidas pela indústria alimentícia (refeições prontas e ultra processadas) tornam cada vez mais raro o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados pelas famílias brasileiras e, consequentemente, pelas crianças.

A resistência das crianças em experimentar texturas e sabores novos é fenômeno denominado neofobia alimentar. A participação da família e a postura dos pais é de fundamental importância no desenvolvimento das preferências alimentares e na construção psicoafetiva da relação com os alimentos entre os pequenos.

Fazer uma criança comer alimentos saudáveis nem sempre é uma tarefa fácil, porém, segundo um estudo feito por psicólogos da Universidade de Santa Bárbara, nos Estados Unidos, concluiu que os pequenos copiam os hábitos alimentares de seus pais. Isso significa que meninos e meninas que não gostam de frutas, verduras e legumes são reflexo das más escolhas alimentares dos pais ou daqueles que os criam. Então, fique atento ao seu prato e mostre que uma dieta saudável pode ser tão boa quanto saborosa. (Revista Colesterol. Glicemia, Triglicérides, ano 2 – 2016)

Se você está atenta às notícias e até aos comentários de crianças e adolescentes nas rodas de amigos, vai concordar comigo que nunca se falou tanto em dietas e emagrecimento como hoje em dia. E nunca houve um crescimento tão grande de problemas de ordem alimentar (anorexia nervosa, bulimia, compulsão alimentar e obesidade) entre crianças e jovens. Como lidar com esta realidade tão difícil? Como explicar para uma menina pré-adolescente que ela pode comer um pastel na feira, uma vez ou outra, sem que isso a transforme num balão?! Cito esse exemplo porque certa vez presenciei exatamente essa cena e a pequena em questão, com 10 anos, indagada por mim, respondeu com muita naturalidade: “eu acho o pastel gostoso, mas eu e minha mãe estamos de dieta”. Foi doloroso ouvir àquele depoimento e recordo de pensar que a menina era tão linda e nitidamente magra, quanto sua mãe deveria ser (não  vi, pois estava acompanhada da babá), mas os valores em relação à comida já estavam – naquela família – expostos de uma maneira conveniente para a mãe, ignorando as necessidades ou as liberdades que a infância pode oferecer. E meu exemplo aqui é muito tolo até, pois pastel é carboidrato, fritura, mas que criança (exceto alérgicos) não poderia provar um?!

Diante da formação de hábitos alimentares com foco na saúde, é crucial que a relação com os alimentos seja tranquila, leve, sem proibições e tabus. Os hábitos errados que os pais vem adotando para si ao longo da vida, podem e devem ser alterados para o bem estar geral da família: mais saúde e disposição para os pais, menos risco de vida e melhor exemplo para os filhos. Não há vergonha em mudar, o importante é que haja interesse, busca por informação e força de vontade.

A dicotomia pode/não pode; bom/ruim; certo/errado promove um “terrorismo alimentar” que pode deixar a criança confusa e com medo de se alimentar. É importante – e repetidas vezes, reforçado por especialistas – que o problema não são os alimentos em si, mas o uso que se faz deles, como a quantidade versus frequência de consumo. Não há necessidade de proibições e discursos reducionistas, quando se consideram as questões mais superficiais e não nos aprofundamos na raiz do problema.

O que fazer então? Olhar para si, para o núcleo familiar. Reavaliar padrões e escolhas que dizem respeito aos alimentos que estão na mesa, ao alcance das crianças nos armários da cozinha, colorindo ou não a geladeira, mas também relacionados à praticidade, à preguiça frente ao dia agitado e à descoberta do novo. Nos cheiros, sabores, texturas e receitas são sempre bem vindos e esse conselho vale para muitos adultos por aí. Adulto consciente, criança cercada de bons exemplos.

 

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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