Moana e o coração da deusa Te Fiti

Quando você gosta muito de um filme, você vai ao cinema várias vezes? Se a sua resposta foi sim, então eu não vou me envergonhar de dizer que a minha também, por isso fui ao cinema em dois dias seguidos para assistir Moana, um mar de aventuras. A jovem herdeira da Ilha vulcânica de Motonui, na Polinésia, vive instigada pelo desejo avassalador de ganhar o mar e ultrapassar os recifes ao mesmo tempo em que sofre por precisar se manter obediente e cordata, em respeito aos seus ancestrais e, mais especificamente, às ordens de seu pai, o atual chefe da tribo. Moana é vibrante e cativante desde o primeiro minuto do filme, por isso ninguém tem dúvidas quanto a ficar fã daquele sorriso largo e olhos brilhantes.

No filme, traços da cultura polinésia são apresentados e valorizados com bastante ternura, em cenas ricas em cores, músicas e danças, num bonito resgate sócio-cultural. A natureza, como em outros filmes dos Estúdios Disney, é exibida com sensibilidade e respeito aproximando os espectadores o suficiente para criar empatia e afinidade (especialmente as crianças) que saem das salas de cinema com a certeza de que serão mais amigas do mar e das montanhas, além de muito mais interessadas nos frequentes animais apresentados como mascotes ou vilões encantadoramente atrapalhados. Talvez seja porque as sequencias de cenas sempre acabam bem para os mocinhos (as) ou porque as músicas, sempre presentes quando falamos em Disney, ajudam a quebrar qualquer dúvida ou receio. E claro, ficam “martelando” na nossa cabeça.

Mas o mais especial é que Moana é uma heroína como poucas vezes o cinema viu, promovendo a afirmação do empoderamento feminino sem que seja necessária a depreciação dos que estão à sua volta. Moana é uma adolescente de 16 anos anos e surge como uma criança linda, com um reduto familiar bem definido e bastante feliz. É uma líder e não uma princesa e, assim como já vimos acontecer com outra “heroína da Disney, a Merida de Brave”, ela não foca num par romântico, ela tem metas e sonhos que ultrapassam questões pessoais. Anseios, frustrações e inseguranças. Desafios e expectativas. Sentimentos próximos da realidade a conectam com o espectador ali na poltrona dos cinemas, àqueles que torcem por ela, enquanto também se deleitam com as impossíveis cenas cômicas de seu companheiro de cena, Maui, o semideus, que provocou, digamos… uma certa confusão por onde passou.

Por essa razão, o filme com música, com cores, ginga e bom humor está encantando o mundo todo. Moana e suas muitas bonecas, Maui e seu cajado mágico. Os coquinhos do mal. A galinha atrapalhada, o porquinho fofo, todas as fofuras associadas ao filme são bem vindas e agradam pais e filhos. Mas aqui em casa, atrevo-me a dizer que, gostamos muito da simpática e ousada avó (Gramma Tala) que, serena, tatuou arraias em suas costas e como mágica, em espírito de luz, guiou Moana por onde foi e quando foi necessário. Esse simbolismo de respeito à natureza, respeito aos ancestrais e amor é uma jóia tão linda quanto o cordão que Moana carregou durante todo o filme a fim de devolver a Te Fiti, uma deusa com o poder de criar vida e uma personagem importante no filme.

Se vale a pena assistir?! Depois dos meus muitos pitacos e quase spoilers, não tenham dúvidas. Corram para a sofá e aluguem pela TV a cabo, pois já deve estar disponível em breve.

 

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Paranaense de coração, vivendo há 10 anos na conexão Rio/Niterói. Sou Relações Públicas, especialista em gestão de pessoas. Abraço a maternidade em tempo integral na minha jornada como mãe do @guri_feliz #aos9 e do @guri_valente #aos4. Fotógrafa nas horas livres e paparazzi dos filhos, também amo cinema, sou muito fã da cultura pop, quadrinhos e seriados de TV. Com Caio e Vicente inventamos muito #lazercomfilhos e artes de um modo geral! E se sobra tempo, a gente se joga nas viagens...

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