Review de filme: Sing, quem canta seus males espanta

No final do ano assistmos ao filme Sing – quem canta seus males espanta e, na confusão das apresentações na escola, formatura, e festas, acabei não comentando no blog. Vi com #aos3 e #aos14, Tiffany acabou vendo dias depois com seus meninos #aos8 e #aos4.

As crianças se divertiram, afinal, quem não se anima com filme cheio de músicas? Minha filhinha agora pega microfone e quer cantar sempre, uma reação natural aos filmes que têm um quê de karaokê (rimou!) e um instinto natural do século XXI, né?

Mas eu confesso que o roteiro me incomodou.

Por ser animação, a gente se engana pensando que é infantil. E a recomendação etária oficial é essa mesma.

No entanto, como acontece com outros filmes da mesma produtora, Illumination Entertainment, as histórias esmiuçam em detalhes (exagerados, a meu ver) o lado pesado, negativo, duro da vida adulta.

Mostrar um universo adulto eu acho ok. Zootopia trata disso. Humaniza e urbaniza animais e é fofinho. Mas à vezes fica pesado e a criança se depara com valores que a gente não queria que fossem internalizados antes que eles tivessem capacidade de criticar.

Os outros filmes da Illuminatio tem isso. “Meu Malvado Favorito”, “O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida“, “Meu Malvado Favorito 2” e principalmente  “Minions” (a segunda maior animação em bilheteria da história!) falharam exatamente nisso e são, por exemplo, filmes que eu não teria em casa para minha filha ver à vontade e sem companhia.

(Tá, eu gosto de Meu Malvado favorito, mas ele não tem bons valores, concordam?)

Daí que os cinco competidores de Sing são figuras com vidas particulares, esmiuçadas na trama, que eu acho que uma criança pequena não deveria ver antes de entender.

Um rato, uma elefanta adolescente tímida com um enorme pânico do palco, uma mãe sobrecarregada que cuida de sua ninhada de 25 leitões, um gorila jovem gangster que procura não seguir os crimes de sua família, e um porco-espinho punk-rock, que luta para ter sucesso sozinha e deixar seu namorado arrogante de lado.

São estes os animais chegam ao palco para o concurso furado (e criminosamente falso) acreditando que esta é sua chance de mudar o curso de suas vidas.

Mas, enfim, é minha opinião.

Conversei com amigas que viram o filme e notei que as visões são variadas. As crianças cantam, pois são 85 canções de sucesso durante o longa (é muita coisa em cerca de 1h30 de filme) e até descobrem sucessos, alguns que nós apreciamos, dá um saudosismo e simpatia. Os personagens são engraçadinhos e possivelmente os bichinhos de pelúcia vão vender bem. Mas e os valores? O que o filme deixa de lição para cada criança? E, mais importante, o que eles internalizam e só sentiremos lá, no futuro?

Enfim, um filme que eu indicaria para pré-adolescentes e adolescentes que curtam animação e música. Crianças pequenas só com companhia e sem muito repeteco.

😉

Sinopse:

Situado em um mundo como o nosso, mas inteiramente habitado por animais, SING – Quem Canta Seus Males Espanta traz Buster Moon, um Coala que comanda um antigo grande teatro que hoje tem passado por tempos difíceis. Buster é um eterno otimista – ok, talvez um pouco desonesto – que ama seu teatro acima de tudo e fará de tudo para preservá-lo. Agora, enfrentando o desmoronamento/falência de seu teatro, ele terá uma última chance para restaurar sua joia produzindo a maior competição de canto do mundo. Cinco competidores de peso surgem: Um rato, uma elefoa adolescente tímida com um enorme pânico do palco, uma mãe sobrecarregada que cuida de sua ninhada de 25 leitões, um gorila jovem gangster que procura não seguir os crimes de sua família, e um porco-espinho punk-rock, que luta para ter sucesso sozinha e deixar seu namorado arrogante de lado. Todos os animais chegam ao palco de Buster acreditando que esta é sua chance de mudar o curso de suas vidas.

 

*A fêmea do elefante chama-se elefanta em português. Existe também a forma aliá, sinônima de elefanta. Elefanta e aliá são os dois únicos femininos de elefante aceitos pelo dicionário Aurélio, pelo dicionário Houaiss, pelo dicionário Michaelis, pelo dicionário Aulete e pelos dicionários portugueses.

Nenhum dicionário brasileiro nem português aceita a palavra elefoa, que só se usa com tom humorístico, por analogia com leoa. Aliás, o único dicionário em que a palavra elefoa aparece é no Dicionário Aurélio, mas como alerta: “Não é correto o fem. elefoa“, é o que diz o Aurélio.

Em contextos sérios, deve-se usar o feminino regular, elefanta – ou, se se deseja usar uma forma diferente, há a arcaica aliá, que os portugueses tomaram dos cingaleses. Mas nada de elefoa.

 

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Sam Shiraishi

Paranaense, Jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela. Mooquense de coração. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

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