O que tem de errado em uma criança de 7 anos não ler?

Gostei da tradução publicada neste post e aprecio a Antroposofia – embora eu tenha optado por escolas comuns, até porque nunca achei uma Waldorf perto.

Mas também creio que não é o iPad ou o apartamento que matam a infância e a inovação (embora escolas ruins o façam!): é a praticidade e a preguiça na maternagem.

É muito mais fácil ter um filho que não inventa, que não brinca com sucata, que não sobe em árvore, que não gosta de areia e de lama, que não pede para lermos mil vezes a mesma historia porque prefere ver filmes. 

Do mesmo jeito que é mais fácil dizer que eles são “pink eaters” e não gostam de provar nada quando não se sabe cozinhar nem se estimula experiências gastronômicas. 

A boa vida em família é exigente e não tem manual nem regras porque segue o ritmo da descoberta e do prazer de aprender juntos. E poucos adultos querem uma vida de montanha russa assim.

Eu escolho a vida juntos, pronta para improvisar sabendo que cada um me puxa pra um lado e vive momentos individuais diferentes que me exigirão recalcular tudo o tempo todo.

Nesta linha (da coordenação motora fina), hoje pela manhã eu tinha feito outra recomendação de texto com minha experiência como mãe. Por aqui, mesmo meu filho mais velho tendo aprendido a ler por conta própria #aos3, a escrita e o desenho só vieram quando ele quis, sem exigências nem expectativas nossas. Os cursos de artes – e quase todos os extras, fora natação – também só vieram depois do segundo setênio.

“Quando incentivamos uma criança menor de sete anos a fazer uma atividade fina como bordar, costurar ou escrever, estamos exigindo uma inibição da musculatura global que ela ainda não possui. A maturidade neurológica para tal habilidade fina ocorre no tempo e não na hora que queremos. A criança em idade inferior aos sete anos necessita antes de tudo de programas educacionais onde possa movimentar seu corpo todo, usando suas grandes articulações até que, uma vez tendo alcançado coordenação motora ampla e equilíbrio, possa permanecer parada, numa posição equilibrada para produzir então com suas mãos atividades finas específicas como escrever, costurar e bordar.” 
Tetilla Manzano Borba

Então segue a tradução de Cris Leão, do original do Huffington Post, que pode ser lido aqui.

A última geração de crianças que brincam fora de casa

Um pensamento assustador me ocorreu enquanto comia café da manhã outro dia: Estamos matando lentamente o futuro da inovação.

Deixe-me explicar.

Pense no iPad – Ele foi inventado e construído por adultos que brincaram fora de casa quando eram crianças. Fast forward para esta geração atual onde a maioria das crianças ficam sentadas dentro de casa olhando … um iPad.

Parece irônico, mas o iPad pode causar o fim de futuros “iPads” serem sonhados, inventados e construídos.

A partir do momento que nós fomos apresentados a um iPad, sabíamos que era uma notável peça de tecnologia e arte. Para construí-lo, uma equipe de pessoas brilhantes teve que resolver problemas cruciais, inventar inúmeros componentes e continuamente optar por não desistir.

Lembro-me de uma história que um executivo da Apple disse da sua equipe receber todas as peças para o novo iPad e depois ter que descobrir como encaixá-las na menor forma possível. Tinha que ser fino, leve e bonito. Como é que eles fazem isso?

Não só isso, como é que eles descobrem como criar algo como um iPad?

Então lembrei da minha infância na pequena cidade de West Linn, Oregon. Muitos dias foram gastos correndo no quintal, ligando mangueiras de água para criar efeitos especiais. Construindo fortalezas com lonas e madeira. Criando pequenas casas de formigas com pequenos galhos para paredes, rampas e mobiliário.

Lembro-me de correr para o jardim na manhã do dia seguinte de ter plantado feijão ou ervilhas, para ver se eles tinham brotado magicamente durante a noite, ou fazer apitos, soprando em lâminas grossas de grama. Lembro-me de pegar algumas peças de madeira de sucata, um martelo e pregos para tentar fazer uma casa de passarinho.

Se você tem mais de 20 anos de idade ou 30, eu tenho certeza que você tem histórias semelhantes de aventuras na floresta – de ter que resolver problemas e pensar fora da caixa. Você provavelmente recorda momentos onde criou sua própria diversão com itens aparentemente chatos.

Você não estava dependente de criatividade e engenhosidade de outra pessoa. Você sabia sonhar.

Você não precisava de alguém para entretê-lo ou de coisas com design para você se divertir. Você poderia criar um jogo com pinhas e paus.

Quando esta geração passada de criadores da Apple sentou-se para sonhar com o próximo produto, eu acredito que eles inconscientemente recuaram em suas próprias raízes no “quintal”.

Eles sabiam como resolver os problemas, porque eles tinham resolvido antes. Eles sabiam como inventar novas possibilidades, porque eles tinham feito isso desde que eram crianças. 

Isto leva-me para a verdade surpreendente: Se permitirmos à geração atual ser satisfeita pensando dentro de uma caixa de 9,7 polegadas, vamos roubar-lhes a curiosidade e a criatividade que levou a construir esse mesmo dispositivo que está segurando.

Se não removermos o entretenimento fácil de nossos filhos, eles nunca vão aprender a criar o seu próprio.

Eu não sei qual é a resposta para a sua família e seus filhos – mas temos de ser drásticos. É hora de parar de dizer, “Mas é tão mais fácil entretê-los com o iPad.” Ou, “Eles vão ter um ataque se não começar a jogar com o meu iPhone.”

Mesmo Steve Jobs, o visionário por trás do iPad, não deixou que seus filhos usassem o iPad. Ele empurrou-os para brincar fora de casa, para ler livros e para ficarem fascinados com uma boa conversa.

É hora de olhar para dentro. Será que estamos perdemos a capacidade de admirar a vida que costumávamos ter? Será que nossos filhos estão simplesmente seguindo nossos passos? Somos nós os adultos que esquecemos as aventuras que tivemos? Será que estamos lendo preguiçosamente o Twitter em vez de mostrar aos nossos filhos as infinitas possibilidades da curiosidade e dos sonhos?

Nós temos o potencial para criar uma nova geração de crianças que pode imaginar e explorar – que podem pensar fora da caixa e criar coisas interessantes.

Se não fizermos isso, essas pequenas sementes não serão plantadas e vão acabar morrendo. As formigas não terão um forte para brincar. Os feijões e as ervilhas não terão um amigo para cuidar deles todos os dias. – E, mais importante, não será criado o Futuro “iPad” (ou o que quer que seja). 

Vamos educar uma geração de crianças que constroem casas de pássaros e castelos de areia. Uma geração que planta sementes de feijão, de ervilha ou qualquer outra coisa que suas mentes possam sonhar.

O futuro deles depende disso.

Para inventar, você precisa de uma boa imaginação e uma pilha de lixo.

– Thomas A. Edison

The following two tabs change content below.

Sam Shiraishi

Paranaense, Jornalista, mãe de Enzo, Giorgio e Manuela. Mooquense de coração. Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena.

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *